COMUNIDADE: ‘O Santa Cruz é um legado dos antepassados que precisamos preservar’, diz Renato Ishikawa

 

O presidente do Hospital Santa Cruz, Renato Ishikawa, enfim, respira mais aliviado. Diferentemente de quando assumiu o cargo, há dois anos, em meio a um período de turbulência, hoje, Ishikawa conta que tem o hospital “nas mãos”. A afirmação foi feita durante coletiva de imprensa concedida um dia antes da cerimônia comemorativa dos 75 anos de fundação do Hospital Santa Cruz – ocorrida na noite desta terça-feira (29) no Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Asistência Social) – que contou ainda com as presenças do superintendente geral, Leonel Fernandes, pelo diretor técnico Julio Shoiti Yamano, e pelo diretor clínico Américo Kiyoshi Kitahara.

 

Santa Cruz é hoje a mais antiga instituição de cooperação nipo-brasileira em atividade (foto: Aldo Shiguti)

 

É verdade que a dívida bancária ainda está lá, na casa dos R$ 32 milhões, mas as constantes denúncias de irregularidades, que provocaram a renúncia do ex-presidente Kenji Nakiri, cessaram. Assim como cessaram a queda de braço entre a diretoria e a Associação Médica. É o que garante Julio Yamano.

“Nos reunimos com o corpo clínico a cada dois meses e também nos reunimos regularmente com a Associação Médica. O enfoque hoje é outro. Todos estão cooperando em prol do hospital”, disse o diretor técnico. “Hoje os médicos estão voltando ao hospital porque sentem confiança”, afirma Ishikawa, acrescentando que “não somos mais surpreendidos com problemas operacionais”. “Podemos realizar de 70 a 80 cirurgias por dia sem grandes correrias”, destaca o presidente.

 

Investimentos – Segundo ele, em 2013 foram realizadas importantes ações para promover o aumento da produtividade, como a revisão de processos internos, estímulo e ampliação de parcerias com novas equipes médicas, instituições e convênios de saúde; revisão de contratos com fornecedores e prestadores de serviços e renegociação do perfil da dívida.

Segundo Leonel Fernandes, foram realizados investimentos de R$ 2,228 milhões na aquisição de equipamentos médico-hospitalares, obras de melhoria no centro cirúrgico e UTIs e implementação do plano de reforma de todos os quartos  para internação.

“Adquirimos um angiógrafo de última geração, macas cirúrgicas e macas de transportes, trocamos onze monitores e adquirimos também um laser urológico que antes era alugado. Além disso, estamos reformando todos os cerca de 80 apartamentos”, conta o superintendente, revelando que outra preocupação é investir em uma mini estação de energia e na construção de uma poço artesiano para “diminuir os gastos e tornar o hospital auto suficiente”. “Fora isso, também estamos investindo em treinamento do pessoal”, conta Ishikawa.

 

Números – “Como resultado, nosso Pronto Atendimento está cada vez mais lotado”, comemora Ishikawa. A administração transparente e o resgate da credibilidade do Santa Cruz, segundo ele, podem ser traduzidos em números.

Em 2013, o Santa Cruz fechou o ano com um faturamento de R$ 166 milhões (volume de 10,5% superior ao obtido em 2012) e superávit de R$ 1,4 milhão.

“Estamos com um faturamento mensal de R$ 14 a R$ 15 milhões, dependendo do mês. Para este ano, a meta é fechar o ano com R$ 192 milhões, ou cerca de R$ 16 milhões por mês”, explica Ishikawa, revelando que ainda pretende realizar dois sonhos: escrever um livro de memórias sobre o Hospital Santa Cruz, contando desde sua fundação até seu retorno para a comunidade nipo-brasileira, e tornar o Santa Cruz uma referência hospitalar.

 

Plasac – Sobre o Plasac, Renato Ishikawa revelou que o plano de saúde do Hospital Santa Cruz encontra-se em fase final de venda. Sobre a negociação, disse apenas que uma das preocupações foi a de garantir o mesmo atendimento aos segurados, hoje em torno de 10 mil vidas. “O Hospital Santa Cruz é um legado deixado por nossos antepassados que temos o prazer e a obrigação não só de preservar como também de promover melhorias”, afirmou Ishikawa, lembrando que “o Santa Cruz era uma referência até a eclosão da Segunda Mundial e precisa voltar a ser”.

(Aldo Shiguti)

 

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Data é celebrada com João Carlos Martins e Espaço no Museu da Imigração

 

O vice presidente e coordenador de eventos do Santa Cruz, Jun Sakamoto (foto: Jiro Mochizuki)

 

 

O aniversariante era o Santa Cruz, mas quem ganhou o presente foram os funcionários e colaboradores da instituição que, ao completar 75 anos de fundação, convidou o renomado pianista e maestro João Carlos Martins para abrilhantar ainda mais a festa.

 

Cerimônia reuniu autoridades, políticos e equipe na inauguração do Espaço Santa Cruz (foto: Jiro Mochizuki)

 

A solenidade comemorativa, realizada na noite desta terça-feira (2) no Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), foi marcada ainda pela inauguração do Espaço Santa Cruz no sétimo andar do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil. O novo espaço reúne registros históricos importantes da história do Santa Cruz.

Estiveram presentes o cônsul geral do Japão em São Paulo, Noriteru Fukushima, o deputado Walter Ihoshi, o economista Paulo Yokota, o vereador de São Bernardo do Campo, Hiroyuki Minami, o presidente do Bunkyo, Kihatiro Kita e o presidente da Comissão de Administração do Museu, Ignacio Moriguchi, além dos empresários Oswaldo Takata e Hiroshi Shimuta, entre outros.

 

Inauguração do Espaço Santa Cruz no Museu Histórico da Imigração Japonesa (foto: Jiro Mochizuki)

 

O presidente do Santa Cruz destacou que “o dia é de festa, mas também de reflexão e agradecimento a todos os nossos antecessores, ao corpo clínico, médicos, funcionários, colaboradores e diretoria”.

 

João Carlos Martins abrilhantou a festa dos 75 anos (foto: Jiro Mochizuki)

 

“Me sinto um privilegiado em poder viver e compartilhar esta data única”, disse Ishikawa, que destacou dois grandes momentos na história do Santa Cruz. “Primeiro, na fase da inauguração. Depois, com a retomada, quando figuras importantes da comunidade participaram ativamente para reaver o hospital e que culminou com a devolução vitoriosa. O Santa Cruz tem tudo para voltar a ser um hospital de referência como antes”, afirmou.

 

Renato Ishikawa homenageia o maestro João Carlos Martins (foto: Jiro Mochizuki)

 

(AS)

 

 

 

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