COMUNIDADE: Obra coordenada por Harada busca ‘projetar’ nome do Bunkyo

Com o objetivo de “dar cumprimento” ao que está determinado no Estatuto do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – “que é o de promover o intercâmbio social e cultural entre o Japão e o Brasil, visando o fortalecimento dos laços de amizade entre eles”, a entidade lança, no dia 17 de novembro, no Museu Histrórico da Imigração Japonesa no Brasil (MHIJB), no 9º andar do edifício do Bunkyo, no bairro da Liberdade, em São Paulo, o livro “Intercâmbio Cultural Brasil-Japão”.

 

Fachada do Bunkyo, no bairro da Liberdade: “Para deixar de ser apenas de São Paulo”, diz Harada. Foto: divulgação

Fachada do Bunkyo, no bairro da Liberdade: “Para deixar de ser apenas de São Paulo”, diz Harada. Foto: divulgação

 

Coordenada pelo presidente do Conselho Deliberativo do Bunkyo, jurista Kiyoshi Harada, a obra conta com patrocínio da Fundação Kunito Miyasaka. Editado no formato de 21cm x 31 cm contendo 756 páginas inteiramente coloridas, contendo inúmeras fotos ilustrativas, “Intercâmbio Cultural Brasil-Japão” reúne artigos de 57 renomados autores – nikkeis e não nikkeis –, de diferentes áreas de atuação, como o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf; Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e do Centro do Comércio do Estado de São Paulo; Ives Gandra da Silva Martins, renomado jurista brasileiro com reconhecimento internacional; Massami Uyeda, ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça (STJ); Sydney Sanches, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF); Takahiro Nakamae, atual cônsul geral do Japão em São Paulo; Shin Koike, chef e sócio dos restaurantes Aizomê e Sakagura A1 (nomeado pelo governo japonês Embaixador da Difusão de Culinária Japonesa); Walter Ihoshi, deputado federal (PSD-SP); Aurélio Nomura, atual líder da bancada do PSDB na Câmara Municipal de São Paulo, Willian Takahiro Higuchi (sumotori) e a própria presidente do Bunkyo, Harumi Goya, além dos colaboradores do Jornal Nippak, o mestre de Karatê Akira Saito e a correspodente no Japão Erika Tamura, da ONG Sabja (Serviço de Assistência aos Brasileiros no Japão), entre outros.

A capa é da artista plástica Sachie Sonoki e a capa interna do artista plástico Dan Mabe traduzida em versos pelo príncipe dos poetas brasileiros, Paulo Bomfim , e pelo haicaista japonês, Teruo Hama.

“Para o propósito desta obra consideramos a palavra cultura em seu sentido amplo de sorte a abranger tudo aquilo que é produzido pela inteligência humana. Em sentido social a cultura é uma espécie de herança social de um povo. Em apertada síntese pode-se dizer que o conceito de cultura abrange o de social, isto é, o primeiro é mais amplo que o segundo”, explica Harada, acrescentando que “daí o título da obra”.

 

Mão dupla – Segundo ele, a ideia é “concretizar cabalmente um dos objetivos no que diz respeito ao intercâmbio de natureza cultural entre os dois países, que é uma  via de mão dupla como frisava o fundador do Bunkyo, o saudoso Kiyoshi Yamamoto: trazer e divulgar a cultura japonesa no Brasil e levar e difundir a cultura brasileira no Japão”.

Para ele, a última tarefa, isto é, levar e difundir a cultura brasileira no Japão, não está ocorrendo. E reconhece que o caminho não é fácil “tendo em vista a ausência de entidades similares ao Bunkyo no Japão, e o fato de as associações nikkeis no Japão, ainda, não estarem em condições de desempenhar esse papel de transmissor da cultura brasileira em todos os seus aspectos”.

Segundo ele,  “como se verifica nos textos espraiados em 32 capítulos, existem inúmeros pontos em comum entre as duas culturas confrontadas, quer em função da globalização econômica e seus reflexos na área cultural, quer em função da gradativa absorção da cultura japonesa pela sociedade brasileira em várias das áreas enfocadas neste livro”.

“Isso acontece, por exemplo,  no campo dos esportes, notadamente,  no das artes marciais, da alimentação e dos desenhos animados. O esporte nacional do Japão, o sumô, que é praticado em nível profissional, arraigou-se no seio da sociedade brasileira, apresentando uma peculiaridade inexistente no país de origem: a presença de equipe feminina de sumô composta  de não nikkeis. Em contrapartida, o futebol, que é um esporte nacional do Brasil praticado em nível profissional, floresceu no Japão e hoje é um dos esportes mais importantes daquele país das cerejeiras graças à ação de jogadores brasileiros lá radicados”, explica.

 

Confronto de culturas – A ideia de escrever uma obra coletiva, justifica, surgiu pela necessidade de confrontar as culturas dos dois países em seu aspecto mais amplo, a fim de alcançar o vasto campo do conhecimento que vai desde a construção de um Estado moderno em ambos os países até os intercâmbios nos campos científico-tecnológico e cultural propriamente dito.

Por isso a obra coletiva aborda temas como esporte, culinária, literatura, cinema, teatro, ética, etiqueta, comércio, indústria, transporte, energia, preservação do meio ambiente, escultura, saúde, alguns ramos científicos, segurança pública etc. em seus 31 capítulos, sendo que o capítulo final, o de nº 32 contém oito temas monográficos concernentes à cultura brasileira ou à cultura japonesa.

 

Tuyoci Ohara com o coordenador da obra, Kiyoshi Harada. Foto: Aldo Shiguti

Tuyoci Ohara com o coordenador da obra, Kiyoshi Harada. Foto: Aldo Shiguti

 

Projeção – Para o advogado Tuyoci Ohara, que também participa da coletânea, a ideia principal do livro é “projetar o nome do Bunkyo para fora”. Harada argumenta que, “enquanto o Bunkyo continuar servindo de palco somente para apresentações de bom odori e demonstrações de cerimônia de chá e exposições de ikebana, não conseguirá aumentar seu quadro de associados, em especial o público jovem.

“As novas gerações precisam se sentirem atraídas por novidade para participarem e o Bunkyo precisa demonstrar criatividade, caso contrário vamos merecer realmente o que dizem à boca pequena, que o Bunkyo é o Bunkyo da Liberdade ou que o Bunkyo é o Bunkyo de São Paulo”, diz Harada, afirmando que a entidade “perdeu uma “ótima oportunidade de fincar o pé direito fora da comunidade durante as comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil ao constituir uma associação específica e não tomar a frente dos festejos.

“Era a hora de mostrar liderança”, conta, afirmando que até agora a entidade não definiu qual sua relação com as demais associações, “se de irmão para irmão ou de pai para filho”. “Pode até ser de irmão para irmão, mas para isso é necessário a figura de um irmão mais velho. Mas na minha opinião deve ser uma relação de pai para filho”, destaca.

 

Michel Temer – “Como assinalado pelo Excelentíssimo Senhor Presidente da República, presidente Michel Temer, ‘a presente coletânea de artigos, ao favorecer a compreensão mútua, constitui mais um avanço para o reforço do já sólido relacionamento entre o Brasil e o Japão’. E no dizer da presidente Harumi Goya ‘este é um livro editado num momento especial na conjuntura das relações Brasil-Japão, que soma as celebrações, em 2015, dos 120 anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação, 100 anos da instalação do Consulado Geral do Japão em São Paulo e 60 anos de fundação do Bunkyo’, assinala Harada, antecipando que a obra deve ganhar um segundo lançamento, em local ainda a ser definido.

 

ALDO SHIGUTI

ALDO SHIGUTI

Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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    Lançamento de “Intercâmbio Cultural Brasil-Japão”

    Quando: Dia 17 de novembro, a partir das 19 horas

    Onde: Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil (Rua São Joaquim, 381, 9º andar,)

    Taxa de adesão: R$ 80,00 (incluindo um exemplar do livro embalado em uma sacola específica). Posteriormente poderá ser adquirido na Secretaria do Bunkyo ao custo de R$120,00.

    Será servido um coquetel aos presentes

    Informações pelo telefone: 11/3208-1755

     


     

    Autores da obra coletiva:

    1 – Abram Szajman

    2 – Akira Saito

    3 – Alice Reiko Haga

    4 – Aline Valio Tavares

    5 – Armando Kihara

    6 – Aurélio Nomura

    7 – Carlos Kendi Fukuhara

    8 – Carlos Takahashi

    9 – Edson Simões

    10 – Eduardo Goo Nakashima

    11 – Elza Tsuzuki

    12 – Érika Tamura

    13 – Fabiane Louise Taytie

    14 – Flávio Jun Kamyia

    15 – Guilherme Guimarães Coam

    16 – Harumi Arashiro  Goya

    17 – Ives Gandra da Silva Martins

    18 – João Carlos Meirelles

    19 – Kiyoshi Harada

    20 – Kyoko Nakagawa

    21 – Lídia Reiko Yamashita

    22 – Lili Kawamura

    23 – ashimoto, Hashimoto,,Líria Yuri Sato

    24 – Luiz Gonzaga Bertelli

    25 – Luiz Kobayashi

    26 – Madoka Hayashi

    27 – Marcelo Kiyoshi Harada

    28 – Marcos Kazuo Yamaguchi

    29 – Marcus Vinícius Kiyoshi Onodera

    30 – Mari Kanegae

    31 – Maria Garcia

    32 – Marly Mieko Yamauchi

    33 – Masato Ninomiya

    34 – Massami Uyeda

    35 – Mirza Pellicciotta

    36 – Neide Hissae Nagae

    37 – Nelson Fukai

    38 – Orlando Sato

    39 – Paulo Cesar Garcez Marins

    40 – Paulo Skaf

    41 – Rafael Sato

    42 – Raimundo Uezono

    43 – Renato Shimmi

    44 – Ricardo Nishimura

    45 – Roberto Yoshihiro Nishio

    46 – Rosana Chiavassa

    47 – Shin Koike

    48 – Shirlei Lica Ichisato Hashimoto

    49 – Shozo Motoyama

    50 – Sydney Sanches

    51 – Takahiro Nakamae

    52 – Takao Miyagui

    53 – Toshio Ichikawa

    54 – Tuyoci Ohara

    55 – Walter Ihoshi

    56 – William Takahiro Higuchi

    57-Yasuyuki Nagai

     

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