COMUNIDADE: Pesquisa do Centro de Estudos revela importância dos Bunkyos

Com o objetivo é tentar entender a presença do nikkei na sociedade brasileira, “pluricultural por excelência, através do exame in loco das atividades desempenhadas por esse grupo (sociais, culturais, econômicas) e o efeito que elas produzem na sociedade que o circunda”, o Centro de Estudos Nipo-Brasileiros (Jinmonken) iniciou, há pouco mais de um ano, uma pesquisa de de campo sobre a “comunidade nikkei” no Brasil. O alvo são os cerca de 450 Bunkyos e Kaikans espalhados pelo território brasileiro. Segundo a coordenadora da pesquisa e diretora do Jinmoken, Tamiko Hosokawa, até agora cerca de 160 associações, de norte a sul do país, receberam a visita dos pesquisadores. Sempre em dois, os pesquisadores entrevistam diretores das associações visitadas e também colhem opiniões de moradores das cidades, sendo cinco nikkeis e outros cinco não nikkeis.

 

Akio Ogawa e Tamiko Hosokawa: pesquisa deve ficar pronta entre junho e julho de 2018. Foto: Aldo Shiguti

 

A ideia é concluir o trabalho entre junho e julho de 2018 como contribuição para as comemorações dos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil. Depois de pronta, o levantamento ficará disponível para consulta na Nikkeypedia, a enciclopédia online da cultura nipônica. A ideia é fornecer subsídios que possam provocar discussões sobre quais as possibilidades da comunidade nikkei no futuro, “considerando-se o sentido social da sua existência e da participação dos não-nikkeis nas atividades da comunidade”.

“Pelo que podemos deduzir até o momento, os Bunkyos e Kaikans são mais importantes do que pensávamos, principalmente nos municípios de pequeno porte, cuja influência japonesa se torna ainda mais significativa”, explica Akio Ogawa, idealizador e administrador dos portais Nikkeypedia e Nikkeyweb.

Segundo ele, a presença japonesa em cidades consideradas “pequenas” pode ser constatada pelas construções, como toriis e monumentos. “Trata-se de um reconhecimento das Prefeituras locais à cultura japonesa”, destaca Ogawa, lembrando que a pesquisa foi motivada por “comentários que davam conta que a comunidade nikkei iria acabar”. “O que não concordamos de forma alguma. Ao contrário, tem muitos kaikans surgindo, como em Chapecó, em Santa Catarina, por exemplo, onde os dirigentes não são nascidos lá, ou em São Carlos, no interior paulista, formado por universitários”, conta Ogawa, acrescentando que a pesquisa abrange apenas centros de difusão de cultura japonesa. “Não consideramos templos nem kenjinkais, até porque os objetivos são diferentes”, observa Ogawa, destacando que a contribuição japonesa vai muito além de toriis e monumentos.

 

Sobrevivência – “Seja na culinária ou em valores como honestidade e trabalho nós, nikkeis, nunca fomos tão queridos pela sociedade brasileira”, diz Ogawa, acrescentando que, apesar de serem transmitidos pelos kaikans pouco sabem de sua rela importância. Um dos méritos da pesquisa, conta Tamiko, é despertar nos próprios kaikans a importância que eles tem. “É até engraçado porque muitos kaikans não dão a devida importância para aquilo que fazem. E aí é um problema de falta de comunicação. É do temperamento japonês não divulgar seu trabalho e se isso não ocorre, as pessoas não ficam sabendo. Nesse sentido é preciso nos abrasileirarmos mais”, explica Ogawa, afirmando que a “identidade nikkei vai sobreviver mesmo sem a fisionomia”. “Por isso, o governo japonês precisa olhar com mais carinho para os jovens e ampliar o intercâmbio”, diz Ogawa, lembrando que a pesquisa conta com o patrocínio da Japan Foundation.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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