COMUNIDADE: Pesquisa tenta descobrir ‘o que pensam os jovens nikkeis sobre o Japão e sua cultura’

 

O que pensam os jovens nikkeis sobre o Japão e sua cultura? E sobre as entidades nipo-brasileiras? Para tentar descobrir estas e outras respostas que há tempos afligem entidades, associações e lideranças da comunidade nipo-brasileira, o Consulado Geral do Japãoem São Paulosolicitou uma pesquisa ao Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), que está realizada em parceria com as principais entidades nikkeis:  Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo), Aliança Cultural Brasil-Japão e Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil.

 

Comissão de Jovens (foto: divulgação)

 

O material começou a ser distribuído no final de janeiro. A previsão é encerrar a pesquisa no dia 10 de março. Segundo uma das coordenadoras da pesquisa, a jornalista Célia Abe Oi, o Bunkyo distribuiu cerca de 4 mil impressos, que foram enviados para as chamadas “go-daitans”e entidades como a Abeuni (Aliança Beneficente Universitária Nikkei), Câmara Júnior Brasil-Japão e Asebex (Associação Brasileira de Ex-Bolsistas no Japão), além das 20 Regionais da entidade na Grande São Paulo.

O objetivo é colher informações de 1500 jovens descendentes de japoneses – entre 18 e 35 anos – residentes no Estado de São Paulo. Desse total, 200 serão qualitativos, ou seja, serão aprofundadas para elaboração do relatório final, que deverá ser entregue até o dia 31 de março.

Além de ser um levantamento que há muito não se fazia na comunidade nikkei, Célia Oi chama a atenção para uma novidade. “Na primeira semana de fevereiro, começamos a aplicar o questionário também via digitar utilizando o site do Bunkyo”, conta a jornalista, explicando que a entidade contratou um profissional para desenvolver um software especial para garantir a maior segurança possível dos dados.

“No primeiro dia, cerca de 100 pessoas acessaram o site e responderam o questionário”, comemora Oi, destacando que, no caso dos formulários respondidos através do site, a pesquisa valerá também para quem estiverem outros Estados. “Creio que, via digital, podemos extrapolar o círculo das entidades nikkeis”, arrisca a jornalista, que destaca a importância da pesquisa.

“Trata-se de um primeiro mapeamento que poderá servir para outros mais amplos e abrangentes”, afirma Oi, que não esconde uma certa ansiedade pelo resultado. “Nesse questionário, temos itens muito interessantes como, por exemplo, um que trata diretamente sobre mutirracialidade. Isto é, queremos saber se esse jovem é mestiço. Reconhecer o mestiço como descendente pode refletir no futuro da nossa comunidade”, diz ela, acrescentando que “é um número que pode ser bastante revelador para as lideranças nipo-brasileiras quando se fala em preservação da comunidade”.

Oi também destaca a questão do casamento. “Nela, o entrevistado deve responder se é casado com descendente de japoneses ou não. Mas há outras bastante interessantes como a que pede para a pessoa definir seu sentimento em relação a ser descendente de japoneses, se para ela é muito bom ser identificada com o povo daquele país, se é bom, se é indiferente ou se ela não gosta”, observa a jornalista, explicando que o lvantamento procurou abranger as várias faixas etárias de uma pessoa. “Entre 18 e 22 anos, é a época dos estudos; dos 23 aos 30 é a fase da afirmação e dos 30 aos 35 é quando ela está se consolidando na vida”.

Para Oi, ainda é cedo prever se o resultado poderá (re)definir uma possível mudança de ação das entidades e associações em relação a participação dos jovens. “Mas certamente será um avanço”, diz.

Mais informações sobre a pesquisa podem ser obtidas no site: www.bunkyo.org.br.

(Aldo Shiguti)

 

 

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One Comment

  1. Felicitando a iniciativa da pesquisa, desejamos que os resultados sejam muito profícuos!!!

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