COMUNIDADE: Província de Hiroshima quer intensificar relações com o Brasil

O Centro Cultural Hiroshima do Brasil comemorou 60 anos de fundação em grande estilo.

 

O governador da província de Hiroshima, Hidehiko Yuzaki, Yasuyuki Hirasaki e Hiromu Ohnishi (Foto: Jiro Mochizuki)

O governador da província de Hiroshima, Hidehiko Yuzaki, Yasuyuki Hirasaki e Hiromu Ohnishi (Foto: Jiro Mochizuki)

 

A cerimônia, realizada no último dia 25, no Grande Auditório do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), contou com a presença de uma comitiva da próvíncia de Hiroshima formada por 65 pessoas, entre elas o governador Hidehiko Yuzaki, o prefeito de Hiroshima, Kazumi Matsui, o presidente da Assembleia Legislativa da Província de Hiroshima, Naomi Hirata e o presidente da Câmara Municipal de Hiroshima, Masanori Nagata, além de um grupo de artistas do Teatro Kagura.

Também prestigiaram a cerimônia o cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae, o secretário da Cultura do Estado de São Paulo, Marcelo Mattos Araújo; o deputado federal Walter Ihoshi (PSD-SP); os deputados estaduais Jooji Hato (PMDB) e Hélio Nishimoto (PSDB) e o vereador Aurélio Nomura (PSDB), que na sexta-feira (23) recepcionou Kazumi Matsui e Masaroni Nagata na Câmara Municipal de São Paulo. Participaram ainda o médico, ex-deputado estadual e ex-senador Jorge Yanai; o comandante Militar do Sudeste, general de Exército Mauro Cesar Lourena Cid e os generais Angelo Kawakami Okamura e Ryuzo Ikeda, além do presidente do Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), Mikihisa Motohashi e do vice-presidente do Bunkyo, Jorge Yamashita.

 

Comitiva inaugurou exposição no Memorial da América Latina (Foto: divulgação)

Comitiva inaugurou exposição no Memorial da América Latina (Foto: divulgação)

 

Um dia antes, no sábado, a comitiva japonesa participou da inauguração da exposição “70 Anos do Lançamento da Bomba Atômica em Hiroshima”, que permanece aberta ao público até o dia 7 de novembro no Memorial da América Latina.

Segundo o presidente do Hiroshima Kenjinkai, Yasuyuki Hirasaki, foi a primeira vez que uma delegação tão numerosa esteve no país. “Isso demonstra o interesse mútuo na preservação e divulgação da cultura e costumes de Hiroshima”, explicou Hirasaki , acrescentando que uma das prioridades é revigorar o programa de bolsa de estudos. “Aproveitamos a vinda do governador e conversamos sobre o assunto. Nosso objetivo é intensificar as relações com a província-mãe, não só na área educacional como também cultural e comercial”, disse Hirasaki, que em seu discurso enfatizou a participação do Hiroshima Kenjinkai no tradicional Festival do Japão realizado anualmente pelo Kenren, onde se destaca pelo preparo do okonomiyaki.

 

Hélio Nishimoto, Walter Ihoshi, Yasuyuki Hirasaki e Jooji Hato (Foto: Jiro Mochizuki)

Hélio Nishimoto, Walter Ihoshi, Yasuyuki Hirasaki e Jooji Hato (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Beisebol – Natural de Hiroshima, o cônsul Takahiro Nakamae destacou que, para os japoneses, o aniversário de 60 anos é uma celebração muito importante na vida de uma pessoa – ao se comemorar 60 anos de idade, é celebrado o Kanreki, que significa “voltar no calendário”, referindo-se ao fato de que os 60 anos marca o início da velhice e de uma “segunda infância”.

“Coincidentemente, em 2015 comemoramos também os 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão e para mim é um honra participar desta cerimônia”, disse Nakamae, lembrando que, em 1908, a bordo do navio Kasato Maru, entre os 781 imigrantes japoneses, 42 eram da província de Hiroshima. “Desde então, cerca de 14 mil hiroshimanos vieram para o Brasil”, disse ele, que ainda brincou com o público ao comentar que o brasileiro Oscar Nakaoshi, de 24 anos, é a mais recente aquisição do time de beisebol profissional do Japão, Hiroshima Carp, a mesma equipe onde autou o também brasileiro Henrique Tamaki. “Queria que vocês transmitissem à equipe que estamos torcendo muito para que o Hiroshima seja campeão”, disse Nakamae,  dirigindo-se à comitiva japonesa.

O presidente do Kenren, Mikihisa Motohashi, destacou as atividades realizadas pelo Centro Cultural Hiroshima com o objetivo de fortalecer os laços de amizade entre as famílias e celebrar a paz, como o Tooro Nagashi.

 

O ex-senador Jorge Yanai ao lado do vereador Aurélio Nomura (Foto: Jiro Mochizuki)

O ex-senador Jorge Yanai ao lado do vereador Aurélio Nomura (Foto: Divulgação)

 

Hiroshima nunca mais – Já o secretário Marcelo Araújo, que na ocasião representou o governador Geraldo Alckmin (PSDB), saudou a comitiva em nome do “povo paulista” e frisou o “imenso orgulho” do Estado de São Paulo por abrigar a maior comunidade japonesa fora do Japão.

O apelo pela paz também esteve presente nos discursos. Como no de Walter Ihoshi, que afirmou que “hoje Hiroshima é uma referência para a paz mundial”. “Eventos como esses servem justamente para que possamos nos inspirar no exemplo de trabalho e dedicação que esses imigrantes nos deixaram”, contou.

Para o deputado estadual Hélio Nishimoto, cujo avô paterno também veio de Hiroshima, o Brasil tem muito que aprender com a província. “Hiroshima se reergueu depois da tragédia e hoje mostra ao mundo seu poder de superação”, explicou Nishimoto. Segundo ele, o setor automotivo pode ser uma área de interesse comercial para intensificar as relações entre Hiroshima e o país. “Há rumores que a Mazda, cuja sede fica em Hiroshima, pode vir para o Brasil”, revelou.

Para seu colega, Jooji Hato, a visita de uma comitiva de Hiroshima ganha uma importância ainda maior “quando constatamos que vários chefes de nações estão loucos para apertar os botões e acionar as armas nucleares”. “Essa visita serve de alerta para lembrar que a construção de usinas não devem servir de alternativa para a humanidade. Chernobyl não serviu e Fukushima é outro exemplo. Embora estejamos longe do centro nervoso dos países que detém o controle das aramas nucleares, por ser um país pacifista, o Brasil pode ajudar, e muito, o mundo a dizer Hiroshima e Nagasaki nunca mais”, explicou Hato, lembrando que, quando vereador, instituiu o Dia Mundial da Paz na cidade de São Paulo em homenagem às vítimas das bomas de Hiroshima e Nagasaki.

 

Homenageados com mais de 80 anos de idade (Foto: divulgação)

Homenageados com mais de 80 anos de idade (Foto: divulgação)

 

Herança – O até hoje primeiro e único senador nikkei do país (entre maio e setembro de 2010), Jorge Yanai, disse que fez questão de vir de Sinop (MT), onde mora, para prestigiar a festa. “Minha mãe é de Hiroshima e acho que a grande herança que recebemos de nossos pais é valorizar a disciplina e a educação e nos esforçarmos para nos tornarmos homens de bem e que possam contribuir para o desenvolvimento do país que acolheu nossos antepassados e onde nascemos”, destacou Yanai, que atualmente é primeiro suplente do senador Wellington Fagundes (PR-MT).

Depois dos discursos, a primeira parte da programação foi encerrada com homenagens e trocas de presentes. Após o almoço, teve início a programação artística.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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