COMUNIDADE: Reimei Yoshioka é condecorado pelo governo japonês

O professor Reimei Yoshioka foi o Condecorado da Primavera deste ano pelo governo japonês. Ele foi agraciado com a medalha Ordem do Sol Nascente, Raios de Ouro com Prata. Trata-se da mais alta honraria concedida pelo país nipônico. A cerimônia de outorga foi realizada no dia 24 de junho na residência oficial do cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae, no bairro do Morumbi (zona Sul de São Paulo), em uma cerimônia restrita que reuniu cerca de 20 pessoas entre convidados, amigos e familiares.

 

Cerimônia oficial da outorga da honraria foi realizada na residência oficial do cônsul Takahiro Nakamae (Foto: Jiro Mochizuki)

Cerimônia oficial da outorga da honraria foi realizada na residência oficial do cônsul Takahiro Nakamae (Foto: Jiro Mochizuki)

 

À noite, no Salão Nobre do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – o condecorado e seus familiares participaram de uma cerimônia organizada por 35 entidades nipo-brasileiras, entre elas a Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo (Enkyo), Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil (Kenren), Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, Aliança Cultural Brasil-Japão, Assistência Social Dom José Gaspar Ikoi-no-Sono, Sociedade Beneficente Casa da Esperança Kibo-no-Iê, Associação Pró-Excepcionais Kodomo-no-Sono e a  Associação Harmonia de Educação e Cultura, além do Bunkyo.

Estiveram presentes a esposa, Hatuyo, os filhos Leila, Regis e Claudio (o mais velho, Hugo, não pôde comparecer por estar em Brasília), os netos Gustavo e Fernando, e a irmã mais velha, Mayumi, além de amigos que marcaram sua trajetória, como o professor Kokei Uehara (ex-presidente do Bunkyo) e o ex-desembargador Kazuo Watanabe, entre outros.

 

À noite, as entidades nikkeis organizaram uma recepção no Bunkyo (Foto: Jiro Mochizuki)

À noite, as entidades nikkeis organizaram uma recepção no Bunkyo (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Em seu discurso, a presidente do Bunkyo, Harumi Goya, lembrou que a trajetória do condecorado “não foi diferente da maioria dos descendentes de sua época, cuja história está marcada pelo sacrifício dos pais e filhos mais velhos para que os mais novos pudessem conquistar melhores condições na sociedade”. “O professor Reimei conduziu essa missão com toda dedicação e desempenhou relevante papel como profissional na área do serviço social. É muito importante destacar que, a despeito dessa vida atribulada, fez questão de nunca se distanciar de suas raízes nikkeis e sempre praticar as lições transmitidas pelas gerações pioneiras”, destacou Harumi, que citou ainda a “intensa relação da família Yoshioka com o beisebol”.

“Além de jogador, treinador e juiz, Reimei também ocupou a presidência da Federação Paulista de Beisebol e Softbol.  E, ainda hoje, seus filhos e netos preservam este legado esportivo familiar”, disse a presidente do Bunkyo, acrescentando que “no intercâmbio Brasil-Japão, o professor Reimei exerceu um papel significativo não só como professor em universidades japonesas, como atuou em questões cruciais envolvendo o movimento dekassegui, de trabalhadores brasileiros no Japão”. Harumi concluiu sua fala destacando a “ feliz coincidência pelo fato do reconhecimento acontecer exatamente no momento em que comemoramos os 120 anos do Tratado de Amizade Brasil-Japão”.

 

Harumi Goya, dona Hatuyo e os netos Fernando e Gustavo (Foto: Jiro Mochizuki)

Harumi Goya, dona Hatuyo e os netos Fernando e Gustavo (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Sorte – “Sou uma pessoa de sorte”. Assim Reimei Yoshioka iniciou seu discurso de agradecimento. Sorte,  porque, na infância seus pais decidiram enviá-lo para a cidade já que aquele menino que sofria de bronquite não renderia muita coisa na lavoura. E foi assim que ele saiu da 3ª Aliança, em Mirandópolis, onde nasceu.

A primeira parada foi em Araçatuba. No caminho, acalentou o sonho de se formar professor e retornar para sua cidade natal. Já na capital paulista, os sonhos deram lugar à necessidade de fazer um curso superior. Foi assim que ingressou no Serviço Social da Faculdade Paulista de Serviço Social e posteriormente  fez mestrado e doutorado em Geografia Humana na USP. “Trabalhei durante 28 anos como assistente social, intercalando com o serviços voluntários”, contou Yoshioka, que foi professor-visitante da Universidade de Tenri, na Província de Nara, Japão, no Departamento de Estudos Brasileiros, de 1997 a 2001.

Nesses quatro anos, estudou a problemática dos trabalhadores brasileiros no Japão, sobretudo com relação à Educação. O tema resultou em sua tese de doutoramento intitulada “Por que Migramos do e para o Japão”, e no livro “Dekasseguis com os Pés no Chão” (em coautoria com Silvio Sam).

 

O condecorado com o cônsul geral do Japão em São Paulo, autoridades e familiares (Foto: Jiro Mochizuki)

O condecorado com o cônsul geral do Japão em São Paulo, autoridades e familiares (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Compromisso – Em 2003, de volta ao Brasil, foi convidado pelo professor Kokei Uehara para integrar a diretoria do Bunkyo na qualidade de vice-presidente. “Com o professor Kokei, participei ativamente das comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil”, lembrou Yoshioka, que trabalhou ainda como coordenador do Núcleo de Informação e Apoio a Trabalhadores Retornados do Exterior (Niatre) – projeto conveniado com o Ministério do Trabalho e Emprego – e em 2011 foi agraciado pelo governo japonês, por meio do Ministério de Relações Exteriores, com o diploma de “Gaimu Daijin Hyosho Jo”.

De março de 2006 até março de 2013 o professor Yoshioka foi presidente da Assistência Social D. José Gaspar (Ikoi-no-Sono), entidade criada em junho de 1942, que presta assistência às pessoas da terceira idade. Em abril de 2014, recebeu o título de Cidadão Paulistano na Câmara Municipal de São Paulo, numa iniciativa do vereador Aurélio Nomura (PSDB).

“Acho que a indicação para receber esta condecoração foi uma somatória destas atividades aliada a indicação de amigos. Por isso, compartilho essa homenagem com todos vocês e assumo publicamente o compromisso de ter como obrigação continuar ajudando as atividades da comunidade nipo-brasileira”, destacou Reimei Yoshioka.

(Aldo Shiguti)

 

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