COMUNIDADE: Renato Ishikawa destaca avanços e mira futuro: ‘Ainda há muito a ser feito’

“Compromisso assumido é compromisso cumprido”. Com o lançamento do livro “História do Hospital Santa Cruz – Sociedade Brasileira e Japonesa de Beneficência Santa Cruz” – realizado no último dia 29, no Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, no bairro da Liberdade, em São Paulo, o presidente da instituição, Renato Ishikawa, pôde, enfim, respirar aliviado. “Uma das principais metas desde que assumi a Presidência do Hospital Santa Cruz era consolidar sua história em livro. Portanto, nesta noite temos que comemorar pois cumpro o importante compromisso de publicar a história do Santa Cruz, que acaba de completar 77 anos de fundação”, disse Ishikawa, lembrando que o projeto “foi crescendo” com o tempo. “Parecia um grande mosaico, um quebra-cabeça”, explicou, referindo-se ao trabalho do casal de pesquisadores Monica e Roney Cytrynowicz, que se dedicou “de corpo e alma” para viabilizar a produção do livro.

 

Foto: Jiro Mochizuki

Foto: Jiro Mochizuki

 

Segundo ele, muitos documentos raros estavam em vias de desaparecer. E outros tantos não estavam catalogados. “No caminho, poderíamos perder a referência de pessoas que ajudaram a construir o Dojinkai, que posteriormente passaria a se chamar Hospital Santa Cruz”, conta Ishikawa, que citou como exemplo a participação do médico Shizuo Hosoe, primeiro profissional contratado oficialmente, em 1934.

Para ele, “é extremamente importante que consigamos deixar este registro para as futuras gerações para que no futuro possamos chegar, pelo menos, a ser uma referência no Brasil”, destacou, lembrando que a história do hospital “se confunde com a própria história da imigração japonesa no Brasil”.

“A trajetória da Sociedade Brasileira e Japonesa de Beneficência Santa Cruz, também conhecida como Dojinkai, fundada em 1926, e do Hospital Santa Cruz, inaugurado em 1939, são um marco da história da imigração japonesa, assim como da fundação e do desenvolvimento de uma comunidade nipo-brasileira em São Paulo e no país”, disse Ishikawa. No entanto,  até se consolidar como centro de referência de medicina, saúde e bem-estar, foi preciso trilhar um longo caminho.

A começar pela chegada dos primeiros imigrantes japoneses, em 1908,  que enfrentaram inúmeras dificuldades para se adaptar à nova terra. Muitos contraíram graves doenças e não tinham condições de serem tratados de forma adequada. Na época, o atendimento médico era precário e os imigrantes japoneses sofriam muito.

 

Renato Ishikawa: A história do Santa Cruz se confunde com a história da imigração japonesa”. Foto: Jiro Mochizuki

Renato Ishikawa: A história do Santa Cruz se confunde com a história da imigração japonesa”. Foto: Jiro Mochizuki

 

Passagens – O livro conta, por exemplo, como foi essencial a intervenção do então cônsul do Japão em São Paulo, Iwataro Uchiyama, em 1931, para criar a Associação Pró-Construção do Hospital para atender a comunidade japonesa, que também contou com importante apoio do Imperador Hiroito, que fez uma relevante doação para a viabilização do projeto de construção do Hospital.

O próprio Renato Ishikawa enfrentou dificuldades no início de sua gestão. Ele assumiu a presidência do Santa Cruz em 2012 em meio a uma crise que vinha se arrastando há alguns anos e que culminou com a renúncia do ex-presidente da instituição, Kenji Nakiri, em setembro de 2010, após uma série de denúncias de irregularidades apontadas pela Associação dos Médicos do Santa Cruz.

 

Paulo Yokota, Jorge Yamashita e Renato Ishikawa. Foto: Jiro Mochizuki

Paulo Yokota, Jorge Yamashita e Renato Ishikawa. Foto: Jiro Mochizuki

 

Avanços – “Hoje, o Santa Cruz já fez muitos avanços. Alcançamos o superávit econômico reduzindo de forma segura seu endividamento e investimos na modernização. Mas ainda temos muito que fazer. E a nossa próxima meta será ampliá-lo. Para isso temos que aumentar a capacidade de leitos e o centro cirúrgico para que possamos chegar num patamar que a comunidade nipo-brasileira merece. Esse é o nosso grande planejamento para daqui três ou quatro anos”, revelou Ishikawa ao Jornal Nippak.

Para o vereador Aurélio Nomura, líder da bancada do PSDB na Câmara Muncipal, “o hospital já é uma grande referência, mas a próxima etapa é transformá-lo em um dos grandes hospitais da cidade de São Paulo, nos mesmos moldes de um Sírio-Líbanes, Hospital Israelita Albert Einstein ou o Hospital Alemão Oswaldo Cruz”.

“Nesse sentido, o lançamento do livro é motivo de grande orgulho para nós pois resgata a história de sua fundação, que foi um marco não só para a comunidade como também para a cidade de São Paulo”, disse Nomura, lembrando que, “dentro da Medicina no Brasil, especialmente em São Paulo, nós temos descendentes de judeus, italianos e japoneses formando a nata da medicina”. “E é isso que nós queremos para o Santa Cruz, ou seja, que ele se transforme em referência na área de saúde”.

 

Ishikawa com o vereador Aurélio Nomura e diretores do hospital. Foto: Jiro Mochizuki

Ishikawa com o vereador Aurélio Nomura e diretores do hospital. Foto: Jiro Mochizuki

 

Pioneirismo – Ex-presidente do Hospital Santa Cruz e membro da Comissão Editorial, Paulo Yokota destaca que o Santa Cruz “é o único empreendimento verdadeiramente nipo-brasileiro, isto é, construído com a colaboração dos dois países”. “Nós usamos neste livro toda a documentação disponível tanto no Japão como no Brasil”, disse Yokota, lembrando que, “apesar de receber um grande financiamento do Japão, inclusive do imperador, o projeto arquitetônico é de um brasileiro”. “Essa preocupação se ajustava com o que estava acontecendo no mundo naquela época”, explicou, acrescentando que “fomos pioneiros na área da tuberculose, cirúrgica, de câncer e oftalmológica. Todos os grandes médicos brasileiros, como o professor Zerbini, passaram pelo Santa Cruz”.

Estiveram presentes ao lançamento o cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakame; a presidente do Bunkyo, Harumi Goya; a diretoria da Fundação Kunito Miyasaka e a diretoria do Hospital Santa Cruz, entre eles o superintendente Leonel Fernandes; o diretor técnico Júlio Yamano; o diretor clínico Américo Kitahara e a relações públicas Yuli Fujimura.

 

Renato Ishikawa com o cônsul, diretoria do Santa Cruz e convidados presentes no lançamento. Foto: Jiro Mochizuki

Renato Ishikawa com o cônsul, diretoria do Santa Cruz e convidados presentes no lançamento. Foto: Jiro Mochizuki

 

Patrocínio – O livro foi patrocinado por entidades e empresas parceiras do Hospital: CNL Empreendimentos Imobiliários, Construtora HOSS Ltda, Fundação Kunito Miyasaka, NEC Corporation e Sakura. Participaram da coordenação do projeto a comissão editorial, composta por Renato Ishikawa, Léo Ota, Akihiro Ikeda, Isidoro Yamanaka, Masato Ninomiya, Michi Yamanaka, Paulo Yokota, Sonia Ninomiya e Yuli Fujimura. O projeto e a realização ficaram por conta da Editora Narrativa Um – Projetos e Pesquisa de História.

 

 

 

 

ALDO SHIGUTI

ALDO SHIGUTI

Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
ALDO SHIGUTI

Últimos posts por ALDO SHIGUTI (exibir todos)

     

     

    Related Post

    ARQUITETURA BRASILEIRA IV – COMO O MATO QUE CRESCE... Curadoria: Nelson Brissac Onde: Instituto Tomie Ohtake (Rua Coropés 88, Pinheiros) De 28/05 a 12/07/2015 Horário: de 3ª a domingo das 11h às ...
    COMUNIDADE: Condecorados pelo governo japonês rec... Diversas entidades nipo-brasileiras, entre elas o Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Enkyo (Beneficência Nipo-...
    KARÊ RAISU E TEMPURÁ: OFICINA PRÁTICA DE OBENTÔ... Chef Claudio Kitamura Onde: Terraço da Associação Cultural Mie Kenjin (Av. Lins de Vasconcelos 3352, saída da estação Vila Mariana do metrô) Dia...
    SAUDE: Webconferência médica aborda relação da Doe...   Em 10 de fevereiro, das 20h às 21h, no auditório da Associação Paulista de Medicina (APM), acontece a webconferência entitulada “Doença ...

    Faça seu comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *