COMUNIDADE: Responsável pelo restauro do Pavilhão traz equipe ‘selecionada’

Depois de receber a visita de Suas Aletzas Imperiais, o príncipe Akishino e a princesa Kiko, o Pavilhão Japonês, localizado no Parque do Ibirapuera (zona Sul de São Paulo), fechou suas portas no último dia 23 para obras de restauro e reabrirá para visitação somente em janeiro de 2016.

 

Norio Nakashima (ao lado de Harumi Goya) com sua equipe de funcionários: responsabilidade (Foto: Aldo Shiguti)

Norio Nakashima (ao lado de Harumi Goya) com sua equipe de funcionários: responsabilidade (Foto: Aldo Shiguti)

 

A restauração deste importante monumento símbolo de amizade e intercâmbio entre japoneses e brasileiros está entre os projetos oficiais das comemorações dos 120 Anos do Tratado de Amizade Japão-Brasil.

O objetivo é dar continuidade aos trabalhos realizados em 2013 e as intervenções estão sendo realizadas novamente pela empresa japonesa Nakashima Komuten, comandada por Norio Nakashima, com longa tradição na construção e restauração de madeira (casas, pontes, palcos, templos, entre outros) – que doou a madeira e vem realizando as obras voluntariamente. Eles desembarcaram no dia 24 à noite e no dia seguinte já iniciaram o trabalho no Pavilhão.

A equipe é formada por seis especialistas, escolhidos “a dedo” pelo próprio Nakashima. São funcionários que contabilizam entre 5 e 30 anos de experiência, conhecidos como “miya daiko” (carpinteiros de templos e castelos). O único que já esteve no Brasil é Tomohiro Matsushita, de 43 anos, que em 2013 participou das obras de restauro e descupinização. Além dele, Tomonori Taguchi, também de 43 anos de idade, e Yukio Kesamaru, de 54 (o mais velho entre eles), são os mais experientes e já são considerados mestres carpinteiros. Masanari Hara, de 26 anos, Naoya Munesada, de 22, e Hiroki Hayakawa, de 23, tem entre 5 e 7 anos na empresa e fazem parte do grupo de novatos.

 

 

País tropical – Todos, porém, não só estão ansiosos pelo resultado como também se sentem honrados em fazer parte da equipe. Matsushita, por exemplo, sabe a importância que o Pavilhão Japonês representa para a comunidade nipo-brasileira e espera corresponder às expectativas. Para Taguchi, que cumpre sua primeira missão no exterior, disse que a imagem que tinha do Brasil era “bem diferente” da que encontrou. Kesamaru admite que só conhecia o Brasil o que a imprensa costuma passar.

“Ou seja, que se trata de um país tropical, onde tem samba e futebol”. “Também fiquei surpreso, pois não imaginava que o país fosse assim. Algumas coisas são até bem parecidas com o Japão, como a alimentação. Além disso, as pessoas aqui são bastante atenciosas”, contou ele, afirmando que pretende se empenhar “ao máximo”. Já os mais novos querem aproveitar a viagem para adquirirem experiência com os mais velhos. Como prêmio, antes de retornarem ao Japão os funcionários terão uma semana de descanso na Amazônia  por conta do “chefe”.

 

Norio Nakashima: “Sinto uma ponta de orgulho” (Foto: Aldo Shiguti)

Norio Nakashima: “Sinto uma ponta de orgulho” (Foto: Aldo Shiguti)

 

Visitas ilustres – Essa é a quarta vez que Norio Nakashima presta trabalho voluntário para o Bunkyo, entidade responsável pela administração do Pavilhão Japonês. A primeira intervenção ocorreu em 1988, ano das comemorações dos 80 anos da imigração japonesa no Brasil. Foi o próprio empresário que doou os materiais necessários e fez os trabalhos voluntariamente.

Dez anos depois, em 1998, o Pavilhão necessitava, 44 anos após sua construção, de substituir todo o telhado, que já apresentava uma série de problemas. Novamente, Nakashima executou os serviços voluntariamente.

Passados 15 anos, em 2013, Norio Nakashima atendeu a um novo chamado para cuidar do desgaste de alguns pilares e do ataque de cupins no Pavilhão. O trabalho de descupinização foi feito e algumas peças de madeira foram substituídas. Naquela ocasião, Norio disse que já tinha detectado a necessidade desta nova intervenção.

“Não é só um trabalho estético, mas uma reforma para que o Pavilhão dure mais 50 ou 100 anos”, explicou Nakashima, acrescentando que, “no geral, o Pavilhão encontra-se em estado aceitável”. “A deterioração vai ocorrer gradativamente como em qualquer outra construção, mas nada que impeça sua abertura para visitação”, disse ele, admitindo que sente uma pontinha de orgulho quando fica sabend que alguma autoridade japonesa esteve visitando o local.

A última visita ilustre foram Suas Altezas Imperiais, o príncipe Akishino e a princesa Kiko. Recentemente, o cantor Itsuki Hiroshi esteve lá, mas não chegou a entrar. “Digo que foram ver a minha obra”, destaca Nakashima, explicando que “chova ou faça sol”, a ordem é concluir as obras em quatro semanas.

 

A parte deteriorada do alicerce do Pavilhão Japonês... (Foto: Aldo Shiguti)

A parte deteriorada do alicerce do Pavilhão Japonês… (Foto: Aldo Shiguti)

 

Despesas – Agora, Nakashima, carinhosamente considerado o Guardião do Pavilhão Japonês, vai trocar o alicerce e restaurar a cobertura e o forro. Como nas etapas anteriores, ele novamente doou o material – cerca de 5 toneladas de madeira hinoki e sugi, que foram entregues no Parque Ibirapuera, no dia 17 de junho, para a restauração estrutural do Pavilhão Japonês.

Para manter as características originais do Pavilhão, além de mão de obra especializada, serão utilizadas madeiras de duas espécies de ciprestes nativos do Japão: o sugi para a restauração do telhado afetado pela ação de cupins, e o hinoki nas estruturas das bases dos pilares que estão desgastadas pelo clima brasileiro e pelo tempo.

Segundo a presidente do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Harumi Goya, foi aprovada uma verba de R$ 200 mil para a reforma. O valor, que virá da Comissão Nacional dos 120 Anos, abrange despesas com transporte da madeira do porto de Santos até o Ibirapuera, além da alimentação e estadia da equipe de Norio Nakashima em São Paulo. Ao Bunkyo, coube arcar com as despesas das sete passagens aéreas, que devem ser reembolsadas pela Comissão.

 

 

... e a parte já restaurada com a madeira que veio do Japão (Foto: Aldo Shiguti)

… e a parte já restaurada com a madeira que veio do Japão (Foto: Aldo Shiguti)

 

História – Construído em 1954 conjuntamente pelo governo japonês e pela comunidade nipo-brasileira, o Pavilhão Japonês foi doado à cidade de São Paulo, em 1954, na comemoração do IV Centenário de sua fundação.

O projeto, de autoria de Sutemi Horiguchi, PhD em Arquitetura pela Universidade de Tokyo; tem como principal característica o emprego de técnicas tradicionais japonesas, reunindo materiais trazidos especialmente do Japão, tais como as madeiras, pedras vulcânicas do jardim, lama de Kyoto que dá textura às paredes, entre outros.

Um dos raros pavilhões, fora do Japão, a manter suas características originais em perfeito estado de conservação – o outro se localiza nos Estados Unidos e é conhecido como “Shofuso”.

 

ALDO SHIGUTI

ALDO SHIGUTI

Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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