COMUNIDADE: Uces concretiza projeto ‘Um Milhão’ e parte para os ‘Três Milhões

Em meio à crise que o país atravessa, pelo menos uma entidade da comunidade nipo-brasileira não tem do que reclamar. Trata-se da Uces (União Cultural e Esportiva Sudoeste), que acaba de efetivar o projeto “Um Milhão”, um desafio proposto pelo empresário japonês radicado no Brasil, Tetsuhito Amano. Como o nome sugere, a ideia era fazer com que a Uces criasse uma reserva de um milhão de reais em um prazo de três anos. O “Fundão da Sudoeste” – como passou a ser conhecido – consistia em fazer com que a entidade guardasse R$ 240 mil até 2015, sendo R$ 80 mil por ano. Ao empresário caberia entrar com R$ 360 mil (R$ 120 mil por ano) mais a diferença necessária para se chegar à quantia estipulada, incluindo aí os rendimentos obtidos nesses três anos.

 

Toshiaki Yamamura, Eliza Untem, Akio Ogawa e Silvio Furukawa (da esuqerda pára a direita) (Foto: Aldo Shiguti)

Toshiaki Yamamura, Eliza Untem, Akio Ogawa e Silvio Furukawa (da esuqerda pára a direita) (Foto: Aldo Shiguti)

 

O projeto foi apresentado pela primeira vez no final de 2011 e ganhou força no ano seguinte, quando finalmente foi aprovado e passou a entrar em vigor. Segundo o presidente da entidade, Toshiaki Yamamura – que visitou a redação do Jornal Nippak acompanhado pelo presidente do Conselho Deliberativo, Silvio Furukawa, da diretora financeira, Eliza Akiko Untem e do diretor de Comunicação, Akio Ogawa – , as 25 associações filiadas à Uces foram divididas em três categorias, com valores diferenciados.

 

Divisão – Na faixa “A”, com 10 associações, cada uma teria que contribuir anualmente com R$ 6 mil. Na “B”, seis associações pagariam R$ 3 mil e na “C”, a cota era de R$ 1.500,00 para cada uma das nove associações. “Isso já contando com eventuais atrasos e dificuldades de uma outra associação”, explica Yamamura, lembrando que de 2009 a 2011, o mesmo Amano já fizera uma doação de R$ 30 mil para a entidade.

Ainda, de acordo com o trato, durante esse período a Uces não poderia fazer nenhuma movimentação na conta, exceto, é claro, para depositar.

“No primeiro ano, arrecadamos um valor próximo ao que foi estipulado. No segundo, a quantia caiu um pouco até fecharmos o terceiro ano com um total de R$ 440 mil”, disse Yamamura, acrescentando que, no último dia 5, Amano depositou “mais que o combinado”, ou seja, R$ 560 mil.

 

3 milhões – Para quem imagina que agora a entidade vai “nadar em rios de dinheiro”, o próprio Yamamura faz questão de avisar: “Concretizado essa etapa, já estamos dando início à segunda, de guardar R$ 3 milhões em 10 anos”.

Nessa nova etapa, as associações filiadas à Uces não precisarão contribuir como na primeira. “Pelos nossos levantamentos, se não mexermos no dinheiro, em 10 anos teremos os R$ 3 milhões”, explica Yamamura. Desta vez, a tarefa é juntar mais R$ 200 mil ao um milhão de reais já arrecadados. A missão será “facilitada” porque, dos R$ 200 mil, Amano se comprometeu a entrar com R$ 100 mil. E não é só. Durante os 10 anos que durar esse novo acordo, o empresário anunciou que também vai colaborar com R$ 5 mil mensalmente, totalizando R$ 60 mil/ano.

Não bastasse, ciente das dificuldades das associações nikkeis, Amano vai colaborar com mais R$ 10 mil anualmente nos primeiros cinco anos e nos últimos cinco o valor saltará para R$ 15 mil. Isso à parte, para a Uces “usar como quiser”.

Yamamura antecipou que a ideia é eleger uma Comissão Permanente encarregada de gerir a aplicação. Ao final desses 10 anos, ele conta que a proposta é usar uma parte em educação e investir também na terceira idade, além de deixar uma reserva para emergência.

 

Capitalização – Para o diretor de Comunicação da Uces, o mais importante desse desafio “foi criar um espírito de poupança para que as entidades aprendessem a economizar”. “Isso mostrou que é possível guardarmos e motivou até mesmos as pequenas associações, que estavam paralisando suas atividades e graças a essa união conseguiram se revitalizar”, explica Ogawa, acrescentando que “somos responsáveis pelo único projeto de capitalização da comunidade nipo-brasileira”.

 

Confiança – Para Yamamura, o sucesso da empreitada é resultado de um “respeito mútuo”. “Fomos pegos de surpresa. No íncio, era impossível imaginar que alcançaríamos esse resultado, aliás, nem nós sabíamos qual era o objetivo do Amano. Hoje, sabemos que isso tem uma importância educacional até porque ele não deu isso de bandeja. Ou seja, nós cumprimos uma meta que foi estipulada”, destaca Yamamura, afirmando “nuna pedimos nada”. “Ele quis ajudar de forma espontânea”, conta, recordando que, numa reuniões da Uces em que Amano estava presente, o empresário ficou sabendo que a associação era deficitária e foi então que propôs ajudar.

‘Aceitamos e deu certo”, comemora Yamaura, acrescentando que “nos primeiros meses fomos testados”. “Mas como mostramos transparência desde o início, ele deu um voto de confiança, assim como nós confiamos na sua palavra. Estamos cientes que sse dinheiro não será para nós, mas será muito útil para as próximas gerações”, explica Yamamura.

 

ALDO SHIGUTI

ALDO SHIGUTI

Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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