COMUNIDADE: ‘Unanimidade’, Reimei Yoshioka recebe título de Cidadão Paulistano

 

A Câmara Municipal de São Paulo realizou na noite desta segunda-feira (7) uma sessão solene para entrega do Título de Cidadão Paulistano ao professor e ex-presidente da Assistência Social Dom José Gaspar “Ikoi-no-Sono”, Reimei Yoshioka. A iniciativa foi do vereador Aurélio Nomura (PSDB).

 

O vereador Aurelio Nomura com o homenageado Renmei Yoshioka (foto: Jiro Mochizuki)

 

Estiveram presentes o cônsul interino Hiroaki Sano; o ex-desembargador Kazuo Watanabe; a professora do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, Rosa Ester Rossini; o ex-deputado estadual Hatiro Shimomoto e o professor Kokei Uehara, além de familiares do homenageado, entre eles a esposa, Hatuyo, os filhos, Leila, Hugo, Regis e Claudio, os netos Sabrina, Henry, Gustavo e Fernando e a irmã, Mayumi Mizikami.

 

Políticos, autoridades e lideranças da comunidade nikkei prestigiaram a sessão solene (foto: Jiro Mochizuki)

 

Filho de imigrantes japoneses que chegaram ao Brasil em 1928, vindos da região de Hokkaido, no extremo norte do Japão, onde dedicavam-se à pesca, Reimei Yoshioka nasceu em Mirandópolis (625 km da Capital), Bairro Três Alianças, um dos muitos núcleos de colonização japonesa a Oeste do Estado, formados para receber os imigrantes.

 

A professora Rosa Ester Rossini (foto: Jiro Mochizuki)

 

Curou três faculdades – entre elas a de Ciências Sociais –, além de completar sua vida acadêmica com mestrado e doutorado. Formado em Saúde Pública (USP/1959), Serviço Social (Faculdade Paulista de Serviço Social / 1964) e Letras e Ciências Humanas (USP/1986), mestrado e doutorado em Geografia Humana (USP/1994), foi no trabalho de assistência e na luta pela igualdade social que Yoshioka pautou sua vida profissional. Ainda na época de estudante, por exemplo, envolveu-se com as causas das minorias ao integrar o Movimento Universitário de Desfavelamento no período de 1961 e 1967.

 

Renmei com o ex-deputado Hatiro Shimomoto (foto: Jiro Mochizuki)

 

Iniciou sua carreira profissional na Coordenadoria de Saúde e Assistência Social (Coseas), da Universidade de São Paulo, mas a busca de novos desafios o levou a trabalhar nas Centrais Elétricas de São Paulo (Cesp), durante as obras da Usina Hidrelétrica de Urubupungá e, posteriormente, à cidade de Marabá (PA), primeiro como diretor do Campus Avançado da USP naquela cidade paraense e, depois, como coordenador da Equipe Técnica de Implantação da Nova Marabá.

Foi professor visitante da Universidade Província de Nara, no Japão, Departamento de Estudos Brasileiros da Faculdade de Estudos Internacionais de Cultura, de 1997 a 2001. Nesses quatro anos estudou profundamente os dekasseguis, tema que resultou em sua tese de doutoramento, intitulada “Por que Migramos do e para o Japão”, e no livro “Dekasseguis com os Pés no Chão” (em coautoria com o arquiteto e escritor Silvio Sano, colaborador do Jornal Nippak).

 

Amigos fizeram questão de prestigiar (foto: Jiro Mochizuki)

 

Além de presidente do Ikoi-no-Sono, cargo que ocupou de 2006 até março deste ano, Reimei Yoshioka presidiu a Federação Paulista de Beisebol e Softbol; foi vice-presidente do Bunkyo, presidente da OSIP Instituto de Solidariedade Educacional e Cultural (Isec); coordenador de Projetos e da Comissão Cultural da Associação para Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil e coordenador do Núcleo de Informação e Apoio a Trabalhadores Retornados do Exterior (projeto conveniado com o Ministério do Trabalho e Emprego). Em 2011 foi agraciado pelo governo japonês, por meio do Ministério de Relações Exteriores, com o diploma de “Gaimu Daijin Hyosho Jo”.

 

Dona Hatuyo, Reimei, Dona Maria do Carmo e o Vereador Aurélio Nomura (foto: Jiro Mochizuki)

 

Inusitado – Proponente da homenagem, Nomura destacou que Reimei Yoshioka é uma “unanimidade dentro da sociedade brasileira”. “Aliás, sua história mostra, de antemão, que trata-se de um título mais que merecido. Sua infância se assemelha com a de muitos imigrantes, que nunca esmoreceram apesar de todas as dificuldades. Ele trabalhou desde os 7 anos, mesmo sem ter calçados, e ainda assim galgou, passo a passo, sua ascensão profissional chegando ao cargo de professor”, justificou Nomura, afirmando que, “até pelos ensinamentos que recebeu de seus pais, o Reimei nunca deu as costas àqueles mais necessitados”. “Ao contrário, sempre buscou e trabalhou como voluntário para oferecer uma condição de vida melhor especialmente aos idosos”, disse o vereador, lembrando outra passagem do homenageado. “Ficamos sabendo que ele foi técnico de beisebol no Japão. Isso para mim é inusitado, nunca tinha ouvido falar. É a mesma coisa que um japonês ser professor de samba no Brasil”, disse.

 

Renmei recebe a homenagem ao lado de familiares (foto: Jiro Mochizuki)

 

 

Envaidecido – Ao Jornal Nippak, Reimei Yoshioka disse que o título representa “a coroação de um trabalho que desenvolvi sem pretensão nenhuma, visando apenas o voluntariado”. “Alguém vislumbrou isso como merecedor de um título, o que me deixa muito envaidecido e com mais responsabilidade daqui pra frente”.

(Aldo Shiguti)

 

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