COMUNIDADE/BUNKYO: ‘2012 foi um ano aquém do esperado’, diz Kihatiro Kita

 

O Conselho Deliberativo do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social) realiza Reunião Ordinária neste domingo (8), nas Salas 13 e 14 da entidade, à Rua São Joaquim, 381, no bairro da Liberdade, em São Paulo. Na pauta, os conselheiros devem: a) Fixar as diretrizes básicas para o exercício de 2013; b) Discutir e aprovar o Plano de Atividades para o exercício de 2013; c) Discutir e a aprovar o Plano Orçamentário para o exercício de 2013. O tombamento do prédio do Bunkyo pela Prefeitura também consta da ordem do dia.

Nas entrelinhas, pode estar o futuro da entidade nos próximos anos. É que, em abril, deve tomar posse a nova diretoria. Por isso, as expectativas são muitas.

Para o presidente do Bunkyo, Kihatiro Kita, mais que tentar convencer os conselheiros a dar continuidade aos projetos iniciados em sua administração, a missão será, primeiro, sensibilizá-los para as dificuldades enfrentadas durante 2012, um ano que, para ele, definitivamente não deve deixar saudades.

Pelo menos foi o que constatou a reportagem do Jornal Nippak, que o entrevistou no último dia 30, em seu gabinete. “2012 ficou aquém das nossas expectativas”, admitiu Kita, explicando que “pelas circunstâncias, os projetos não avançaram”. Um deles – e aquele que é considerado a “menina dos olhos” – refere-se à implantação do Centro da Cultura Nipo-Brasileira Bunkyo-Kokushikan, no Centro Esportivo Kokushikan Daigaku, no município de São Roque.

 


Sem recursos, não conseguimos tirar o projeto do papel (foto: arquivo / Aldo Shiguti)

 

Pensado e projetado para os próximos anos, o projeto foi – e continua – sendo um prato cheio para os críticos. transformar o Kokushikan num parque ecológico que enfatize o intercâmbio entre o Brasil e o Japão – uma área de 581.758m², sendo que a mata nativa cobre 194.016m². No local, “um espaço para a comunidade nipo-brasileira continuar usufruindo”, estão previstas construções de praças temáticas dedicadas à cultura japonesa; meio ambiente e tecnologia; e uma terceira relacionada às artes, além de obras como um Pavilhão de Convenções e Exposições e um condomínio de moradias para pessoas da terceira idade, além de preservar o que já existe, como o campo de mallet golf e o ginásio de esportes.

Os conceitos básicos do projeto global concebido pelos arquitetos Marco Antonio Nocentini e Cecília Watanabe Nocentini foram aprovados na reunião do Conselho Deliberativo de dezembro de 2010.

Este ano, a ideia era aproveitar o 16º Festival das Cerejeiras (Sakura Matsuri), realizado em julho, para chamar a atenção de investidores para o projeto. O próprio presidente tratou de coordenar o evento e providenciou melhorias no local.

 

Para o Sakura Matsuri deste ano, Kita coordenou pessoalmente o evento e tratou de promover melhorias (foto: arquivo / Aldo Shiguti)

 

“O objetivo era melhorar o aspecto para o Sakura Matsuri, mas também fazia parte do projeto”, disse Kita, referindo-se as obras de terraplenagem, com alargamento das vias de acesso desde o portão principal até a entrada do ginásio de esportes, e o rebaixamento no entorno do ginásio com o objetivo de valorizar a construção – que, de acordo com o presidente, estava “escondido”, entre outras intervenções.

“Dentro das nossas limitações, em praticamente três meses de trabalho, foi o que deu para fazer. Foi o pontapé inicial párea mostrar que estávamos fazendo alguma coisa”, disse Kita, que só não esperava contar com as intempéries da natureza justamente no fim de semana do evento.

Contratempos – Para os dois dias da festa (21 e 22 de julho), estava programado o lançamento do Projeto Adote uma Árvore cuja ideia era vender cerca de mil árvores ao preço de mil reais cada uma. O objetivo era custear o Projeto Executivo que possibilitaria avançar outras etapas. “Mas para isto, precisávamos de parceiros, que em função do mau tempo acabaram não comparecendo”, lamenta Kita, lembrando que foram convidados empresários e conselheiros. Hoje, o projeto Adote uma Árvore encontra-se suspenso.

“Sem recursos, não conseguimos sequer tirar, ou melhor, colocar o projeto no papel”, justifica o presidente afirmando que ainda enfrentou uma série de contratempos, como a burocracia para obter o licenciamento junto aos órgãos públicos para o corte e poda de árvores e serviços de terraplanagem no local.

“É um projeto que depende de todos, mas que no momento existe apenas o conceito”, conta Kita, admitindo que, embora a implantação do Centro de Cultura Nipo-Brasileira Bunkyo-Kokushikan seja seu grande sonho, hoje “não está tão animado” com sua realização.

Além desse impasse, o Bunkyo também enfrentou problemas com obras no edifício-sede e n o Pavilhão Japonês, localizado no Parque do Ibirapuera (zona sul de São Paulo), e que há cerca de três encontra-se fechado para visitação pública “por precaução”.

 

Idéia era apresentar o Plano Executivo ainda este ano. (foto: arquivo / Aldo Shiguti)

 

Associado Benemérito – Para arrecadar recursos destinados à execução de obras “urgentes” e “inadiáveis”, o Bunkyo lançou, no final de março, a Campanha Associado Benemérito. Coordenado pelo vice-presidente Sadao Kayano, a campanha tinha como meta arrecadar recursos na ordem de R$ 1.200.00,00 que seriam destinados para obras no Bunkyo, Pavilhão Japonês e no Centro Esportivo Kokushikan Daigaku.

Na última sexta-feira, Kayano informou que até o momento a campanha arrecadou R$ 326.000,00 com possibilidade de atingir mais R$ 150 mil até março de 2013. Desse montante, revela o vice-presidente, cerca de R$ 100 mil foram utilizados no Bunkyo para “atender as exigências do Corpo de Bombeiros”. Segundo ele, foram instalados detectores de fumaça e luzes de emergência, sendo que na primeira fase foram colocadas 16 novas portas corta-fogo com dispositivo de eletroímãs. Falta, ainda, deixar a escada de emergência em condições de uso e retirar os armário de madeira das escadas. “A meta é fazer isso ainda nesta gestão do presidente Kita”, afirmou Kayano, que falou também sobre a situação do Pavilhão Japonês.

“Estamos ainda esperando recursos da Prefeitura através de uma emenda no valor de R$ 500 mil solicitada ao vereador Aurélio Nomura (PSDB). Acontece que essa verba tem que sair até o final deste ano, mesmo que as obras sejam iniciadas no próximo ano”, explica o vice-presidente, que destaca duas alternativas no caso de uma negativa. “Estamos conversando com a construtora japonesa Nakashima, a mesma que há 20 anos providenciou a troca do telhado do Pavilhão Japonês sem cobrar nada, além de um carpinteiro também japonês que atualmente está no país. Esperamos que até meados deste mês tenhamos uma definição”, antecipou Kayano.

Outra providência adotada por Kihatiro Kita foi nomear uma Comissão Especial para a Implantação do Espaço Cultural Bunkyo no local onde antes funcionava o Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo). O espaço, com aproximadamente 800 metros quadrados, encontra-se ocioso e dando prejuízo a entidade. Já foi feita uma tentativa de levar um sacolão para o local, ideia prontamente rechaçada.

Tombamento e Espaço Cultural – “Desta vez, cabe perfeitamente recursos através da Lei Rouanet”, acredita o presidente, que vislumbra a Sakura como uma forte aliada nesta empreitada. Se sair do papel, o Espaço Cultural Bunkyo terá salas para diversas atividades, restaurante, lanchonete e galeria para exposições.

Algumas das mudanças pretendidas, vai depender do processo de tombamento pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) do conjunto de imóveis situados no polígono formado pelas Ruas Galvão Bueno, Tamandaré, Antonio Prudente, Vergueiro e Avenida Liberdade e que inclui o prédio do Bunkyo.

Kita disse que, nesse caso, é indiferente a decisão do órgão. “Por um lado, gostaria que o prédio fosse eternamente preservado porque essa construção faz parte da história da imigração japonesa no Brasil. Por outro, ficaríamos amarrados, isto é, não teríamos liberdade para modernizá-lo e também ficaríamos impedidos para uma eventual venda”, conta Kita, lembrando que a entidade teve negado pelo Conpresp o pedido de exclusão de tombamento. “Vamos aguardar a decisão do órgão para entrarmos com um pedido de impugnação”, disse Kita, afirmando que o processo está agora sendo analiso pela Comissão Jurídica da entidade.

(Aldo Shiguti)

 

 

 

“O Jorge Yamashita é a pessoa certa para me suceder”, diz Kita

 

Faltando ainda praticamente cinco meses para as eleições no Bunkyo, o atual presidente, Kihatiro Kita, já começa a definir seu futuro e o da entidade. “Foi um privilégio ficar dois mandatos à frente do Bunkyo, a principal entidade representativa da comunidade nipo-brasileira”, disse Kita em entrevista ao Jornal Nippak. “Mas não é justo me comprometer com mais um mandato”, afirmou. Décimo primeiro presidente nos mais de 50 anos do Bunkyo, Kita foi eleito pela primeira vez em 2009. No mandato anterior ocupou a vice-presidência na gestão do professor Kokei Uehara.

“Sou grato e tenho uma grande dívida com a comunidade nikkei, desde quando presidia a Sociedade Beneficente Casa da Esperança Kibô-no-Iê e agora como presidente do Bunkyo. Me sinto bem e realizado, mas agora é hora de passar o bastão para frente”, disse Kita, que, pelo Estatuto Social, pode tentar mais uma reeleição – de acordo com o artigo 31, parágrafo 1º, “os membros da Diretoria terão o mandato de 02 anos, podendo acumular cargos e ser reeleitos por até duas vezes consecutivas para o mesmo cargo, observando-se o princípio da temporariedade e alternância dos mandatos”.

“Se pedirem para continuar, vou ficar envaidecido, mas hoje posso afirmar que minha vontade é não continuar no cargo”, admite Kita, que elegeu seu sucessor.

 

Para Jorge Yamashita, próximo presidente do Bunkyo deve ser dono de seu tempo. (Foto: Aldo Shiguti)

Segundo ele, a pessoa ideal responde pelo nome de Jorge Yamashita, atual primeiro vice-presidente da entidade. Matéria de capa da última edição do Jornal Nippak, Yamashita disse que “não tem o perfil ideal exigido para a função”. Na entrevista, Yamashita disse que os interessados à vaga devem ter “uma visão empresarial” e “ser dono do seu tempo”.

“O Jorge Yamashita vem sendo trabalhado para isso e se ele aceitar, dará continuidade aos projetos do Bunkyo. Não vejo outro candidato com as qualidades do Jorge Yamashita”, destacou Kita, afirmando que “por bem ou por mal, fiz minha parte”. “Espero continuar contribuindo em prol da comunidade, mas pretendo me dedicar mais aos meus projetos pessoais e profissionais”, explicou Kita, admitindo, porém, que “ninguém pode afirmar que desta água jamais beberei”.

(Aldo Shiguti)

 

 

 

Redação

Redação

nippak@nippak.com.br
Redação

Últimos posts por Redação (exibir todos)

Related Post

RECIFE: Semana da Cultura do Japão celebra os 120 ... Neste ano especial de celebração do intercâmbio Brasil-Japão, Recife (PE) realiza a I Semana de Cultura do Japão, organizada pelo Centro Cultural Geor...
SILVIA IN TOKYO: QUATRO PESSOAS MORREM DEVIDO AO C... OUTRAS 658 FORAM SOCORRIDAS COM SINTOMAS DE HIPERTERMIA NO DIA 13.   Calor em Shimbashi (Tokyo) no dia 13. Foto: Mainichi   A massa...
RIO DE JANEIRO: Recepção RJ ao Embaixador Satoru ... O novo embaixador extraordinário e plenipotenciário do Japão no Brasil, Satoru Satoh, foi recebido pelos presidentes das instituições japonesas em 3 d...
COPA DO MUNDO: Entidades nikkeis criam Comissão pa...   Em entrevista coletiva em que os organizadores tentaram seguir “os padrões internacionais” – com direito a apresentação em telão e a mesa de...

Faça seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *