COMUNIDADE/BUNKYO: ‘Não tenho receios. É uma honra ser indicada para disputar a presidência’, diz Harumi Goya

Depois de muita expectativa, enfim, o grupo da situação chegou a um acordo e indicou a atual primeira vice-presidente, Harumi Goya, como candidata à sucessão de Kihatiro Kita à presidência do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social.

 

Harumi Goya: “As pessoas me cobravam muito dizendo que minha hora chegou” (Foto: Jiro Mochizuki)

Harumi Goya: “As pessoas me cobravam muito dizendo que minha hora chegou” (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Conforme apurou e informou o Jornal Nippak ainda na segunda-feira (23), o nome de Harumi foi pré-definido na quinta-feira (19) durante reunião que contou com a presença do presidente Kita; do segundo vice-presidente, Jorge Yamashita; do 6º vice-presidente, Sadao Kayano; dos assessores da Presidência Tomio Katsuragawa e Marcelo Hideshima, do secretário geral Roberto Nishio e de Kazuo Watanabe, membro do Conselho Deliberativo. Harumi teria sido informada da decisão no sábado e sua indicação referendada no domingo (22), durante encontro com o presidente do Conselho Deliberativo, Kiyoshi Harada no Restaurante VIP – uma das atrações do 9º Bunka Matsuri. A eleição que definirá a nova diretoria do Bunkyo acontece no dia 25 de abril.

Em entrevista ao Jornal Nippak na tarde desta terça-feira (24), Harumi Goya disse que ficou “muito honrada” com a indicação para concorrer a eleição à presidência do Bunkyo. “Não pensei que esse momento, de uma mulher ser indicada para a presidência do Bunkyo, fosse chegar tão rápido”, admitiu Goya, afirmando que “me sinto psicologicamente mais preparada agora”.

 

Preocupação – Segundo ela, “é um desafio muito grande ser a primeira mulher a concorrer ao cargo”. “O peso e a responsabilidade aumentam ainda mais por ser um ano especial, quando se comemoram os 60 anos de fundação do Bunkyo, os 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão e os 100 anos de instalação do Consulado Geral do Japão em São Paulo”, conta Harumi, garantindo, porém, que não está “receosa”.

 

“Não esperava que esse momento chegasse tão cedo”, diz Harumi (Foto: Jiro Mochizuki)

“Não esperava que esse momento chegasse tão cedo”, diz Harumi (Foto: Jiro Mochizuki)

 

 

Conselhos – “Ao contrário, estou muito animada com a responsabilidade”, diz ela, explicando que “a única preocupação era convencer o marido, Milton”. Ex-conselheira fiscal da ABJICA – Associação dos Bolsistas da Jica entre 2014 e 2016, Harumi Goya disse que não sofreu tanta resistência dentro de casa. “Ele apenas me perguntou se era isso que eu queria e que respeitaria e apoiaria qualquer que fosse minha decisão”, observou Harumi, lembrando que, caso seja eleita, o cargo mudará sua rotina já que exigirá sua presença em atividades especialmente nos fins de semana.

“Já fui diretora de um departamento estadual, mas o cargo não afetava tanto”, conta Harumi, revelando que também consultou o professor Kokei Uehara, que dirigiu o Bunkyo entre 2003 e 2008 e atualmente é o presidente honorário da entidade. “Ele ficou muito feliz, deu muitos conselhos e me incentivou bastante”, disse ela, destacando, aliás, que está recebendo muitos apoios. “Muitas pessoas me falavam que era o momento de eu me candidatar pois acham que reúno todas as condições para o cargo. Mas sempre pensei que a candidatura não deveria partir de mim, mas de terceiros, como aconteceu e estou muito feliz”, afirmou Harumi, destacando que, se sair vitoriosa no pleito, não administrará o Bunkyo sozinha. “Já estou conversando com as pessoas  para montar uma equipe que me ajudará nessa tarefa”, avisou, acrescentando que “a única pessoa imprescindível” era o atual segundo vice-presidente, Jorge Yamashita, que aceitou o convite para compor sua equipe.

 

Melhor opção –  Para o presidente Kita, que havia convocado uma reunião na terça (17), “após a impossibilidade” de Jorge Yamashita aceitar a incumbência, “o nome de Harumi Goya se desenhava naturalmente como a melhor opção”. “Ela possui todos os requisitos necessários para o cargo, além de estar bem preparada e ser uma liderança”, explica Kita, afirmando que um dos desafios foi fazer com que Jorge Yamashita aceitasse compor a chapa da diretoria. “A participação dele [Jorge Yamashita] é fundamental quem quer que seja o candidato. Sua presença na equipe será importante para que o Bunkyo continue avançando”, disse Kita.

Um dos que vibraram com a possibilidade de uma mulher comandar a principal entidade representativa da comunidade nipo-brasileira foi o atual presidente honorário do Bunkyo, professor Kokei Uehara, que dirigiu o Bunkyo entre 2003 e 2008.

Décimo presidente da entidade, a gestão do professor – como é carinhosamente chamado – ficou marcada não só pelo fato de ser o primeiro presidente de ascendência okinawana – assim como Harumi Goya – mas, principalmente, por ser um dos responsáveis pela participação “em massa” de jovens e mulheres em sua equipe – Harumi foi a segunda tesoureira em sua gestão.

 

Angela Merkel – “Caso se confirme, vamos todos trabalhar para o bem da comunidade nipo-brasileira”, disse o professor em entrevista ao Jornal Nippak. Segundo ele, “o que sonhei há dez anos está acontecendo”. “Lembro de uma palestra de um vice-reitor de uma universidade japonesa que disse que, se as mulheres participassem mais das empresas, o mundo seria melhor”, conta Kokei Uehara, afirmando que foi-se o tempo em que as mulheres só ficavam em casa.

“Hoje, as mulheres têm tantas condições de assumirem responsabilidades como os homens”, explica o professor, lembrando que “o mundo está cheio de exemplos de mulheres competentes”. “Na Alemanha, por exemplo, tem a chanceler Angela Merkel, uma mulher inteligentíssima”, destacou o professor, explicando que já lecionou para mais de sete mil alunos, não só na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. “Fui também um dos fundadores da Faculdade de Tecnologia de São Paulo”, conta.

(Aldo Shiguti)

 


 

 

Shimomoto reivindica ‘segunda ou terceira vice-presidência’

 

Cotado como forte candidato da situação à sucessão de Kihatiro Kita no comando do Bunkyo, o presidente do Conselho Superior de Apoio e Orientação da entidade, Hatiro Shimomoto, disse que pretende buscar uma composição apesar de não ser informado e não ter participado do processo de escolha que culminou na indicação da primeira vice-presidente, Harumi Goya.

 

O ex-deputado Shimomoto (foto: Aldo Shiguti)

O ex-deputado Shimomoto (foto: Aldo Shiguti)

 

“Fui convidado para um jantar, mas não sabia que se tratava de uma escolha. Então fui viajar com minha esposa”, explicou Shimomoto, acrescentando que “sou um homem de bom senso, com a mente livre e aberta”.

“Estou aberto ao diálogo, não sou e nunca fui ditador”, disse o ex-deputado, afirmando que pretende pleitar uma “segunda ou terceira vice-presidência”, além de reivindicar uma participação maior do “pessoal do interior, que esperava que eu saísse como candidato”.

“Nessas alturas, não vou disputar a presidência pois seria muito desgastante e minha família, especialmente minha esposa, não quer. Mas já liguei para a Harumi Goya e para o [Kiyoshi, presidente do Conselho Deliberativo] para dar meu parabéns”, disse Shimomoto.

(Aldo Shiguti)

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