COMUNIDADE/POLÍTICA: Participantes do 3º Encontro com Candidatos consideram evento ‘produtivo’

O público que compareceu no último dia 20 ao Pequeno Auditório do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social) para prestigiar o 3º Encontro com Candidatos aos Cargos de Deputado Estadual e Deputado Federal deve ter saído com a sensação de ter assistido a um evento, no mínimo, esclarecedor.

 

Apesar de pequeno, público que assistiu ao primeiro bloco fez perguntas pertinentes aos candidatos (foto: Jiro Mochizuki)

Apesar de pequeno, público que assistiu ao primeiro bloco fez perguntas pertinentes aos candidatos (foto: Jiro Mochizuki)

 

Realizado em conjunto pelo Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – e pela Associação de Ex-Bolsistas do Gaimusho – entidades representativas da comunidade nipo-brasileira – com o objetivo de despertar a cidadania e estimular os membros da comunidade nipo-brasileira a participar do processo de escolha dos mais preparados para o exercício da representação popular, a terceira edição do Encontro contou com a participação de oito candidatos a deputado estadual e sete a deputado federal.

 

Sadao Nakai, Roberto Sekiya, Patrícia Tani e Hélio Nishimoto (foto: Aldo Shiguti)

Sadao Nakai, Roberto Sekiya, Patrícia Tani e Hélio Nishimoto (foto: Aldo Shiguti)

 

A lamentar apenas a ausência da deputada federal Keiko Ota (PSB-SP). Segundo o coordenador geral do evento, o jurista Kiyoshi Harada, “recebemos o comunicado que ela não participaria em cima da hora, o que nos impossibilitou de convidarmos outra pessoa para ocupar o seu lugar”.

 

Jooji Hato, Kowa Iha, Marilda Watanabe e Maurício Miyazaki (foto: Aldo Shiguti)

Jooji Hato, Kowa Iha, Marilda Watanabe e Maurício Miyazaki (foto: Aldo Shiguti)

 

Para ele, o evento superou as expectativas, “tanto pela afluência do grande público, como pelo aumento quantitativo e qualitativo das perguntas formuladas pelos participantes do Encontro, revelando estar em dia com os graves problemas que afligem a nossa sociedade e que estão a merecer maior empenho de nossos representantes nas Casas Legislativas”. Segundo Harada, “cada um, a sua maneira, revelou aptidão para o exercício das atribuições do cargo”.

 

Pedro Mori, Thabata Yamauchi, William Woo e Junji Abe (foto: Aldo Shiguti)

Pedro Mori, Thabata Yamauchi, William Woo e Junji Abe (foto: Aldo Shiguti)

 

Tanto no primeiro como no segundo blocos, os candidatos responderam as perguntas feitas pela Mesa, pelo público e pelos jornalistas. No primeiro, com a participação dos candidatos a deputado estadual, a experiência pesou a favor dos atuais deputados Hélio Nishimoto (PSDB) e Jooji Hato (PMDB). O destaque positivo ficou por conta do desempenho do candidato Sadao Nakai, do PSDB. Presidente da Câmara Municipal de Santos, na Baixada Santista, Sadao Nakai focou seus comentários na região que ele pretende representar.

 

Jooji Hato, Kowa Iha, Marilda Watanabe e Maurício Miyazaki (foto: Aldo Shiguti)

Jooji Hato, Kowa Iha, Marilda Watanabe e Maurício Miyazaki (foto: Aldo Shiguti)

 

O candidato falou sobre os problemas que ainda precisam ser solucionados, como mobilidade, habitação, e saneamento e defendeu “investimentos que auxiliem na distribuição do desenvolvimento econômico entre os municípios”.

Candidato pela primeira vez à uma vaga na Assembleia paulista, Nakai agradeceu a oportunidade de “estar próximo a um centro de difusão da cultura japonesa, como é o Bunkyo”. “Para mim o Encontro foi bastante positivo pois estou distante da influência dos votos nikkeis e eventos como esse abrem mais uma ferramenta de diálogo com a comunidade”, explicou ele, lembrando que acumula seis anos de vida pública.

 

Contundente – Ainda participaram desse bloco os candidatos Mauricio Miyazaki (PSB), Roberto Sekiya (PSB), Marilda Watanabe (PV), Kowa Iha (PSDB) e Patrícia Tani (PSDC). Professora Universitária, Marilda Watanabe disse que pretende “trabalhar forte na educação”. Para ela, o encontro foi “bastante produtivo”. “Infelizmente, faltou apenas uma maior participação do público”, lamentou.

Quem também gostou da oportunidade foi a candidata Patrícia Tani, que passou nove anos trabalhando no Japão como dekassegui. Aliás, ajudar os dekasseguis é uma de suas bandeiras. “Conheço pessoas que perderam todo o dinheiro que economizaram no Japão”, disse Patrícia, explicando que tem um projeto para ajudar os brasileiros que estão retornando do Japão.

 

Moral e Cívica – Já Mauricio Miyazaki conta que, se eleito, seu maior sonho é resgatar a matéria Educação Moral e Cívica, disciplina que se tornou obrigatória em 1969 e foi extinta com o fim do regime militar. Questionado sobre a relação da matéria com a ditadura, o candidato disse que “a formação do caráter do cidadão brasileiro não tem a ver com o regime militar”. Para ele, “tudo é baseado na Educação”.

Kowa Iha também elegeu a Educação como uma de suas bandeiras. Para ele, a Comissão Organizadora acertou ao mesclar candidatos experientes com “marinheiros de primeira viagem”. “Quem não é conhecido pode expor suas ideias. Acho que acabei até sendo contundente demais”, disse Kowa, referindo-se à tonalidade de voz – sempre alta.

 

Polêmicos – Bastante seguro, Hélio Nishimoto disse que “disputar o voto de eleitores nikkeis é como convencer o eleitor comum”. “A imagem construída por nossos ancestrais é algo a ser trabalhado a nosso favor e serve para alavancar esse eleitorado. Mas, ao mesmo tempo, é uma responsabilidade a mais”, destacou Nishimoto, que lembrou sua trajetória desde 2009, quando, suplente, assumiu uma cadeira na Assembleia. “Um momento muito especial para mim foi quando intermediei verbas para o Kenren – Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil. Era um sonho representar a comunidade nikkei e aquilo serviu como porta de entrada uma vez que a comunidade passou a enxergar em mim a oportunidade de ser seu representante na Assembleia”. “Um dos momentos mais marcantes foi quando intermediei verbas para o Kenren. Era um sonho representar a comunidade e partir desta parceria a comunidade começou a enxergar em mim o seu representante na Assembleia, disse Nishimoto.

 

Helio Nishimoto (foto: Jiro Mochizuki)

Helio Nishimoto: parceiro. (foto: Jiro Mochizuki)

 

Também “veterano”, Jooji Hato defende a criação de leis “que mexem com a sociedade”, como a lei que proíbe o funcionamento de bares após uma hora da madrugada e a que proíbe a comercialização de mercadorias e prestação de serviços em cruzamentos de vias no Município de São Paulo.

Indagado pelo Jornal Nippak sobre a importância de se eleger representantes nikkeis para a Assembleia, Jooji Hato disse que “é importante votar em candidatos que tenham competência e não sejam preguiçosos”. “Já ganhei oito eleições vou ganhar a nona porque tenho projetos polêmicos”, afirmou.

 

Jooji Hato: leis polêmicas (foto: Jiro Mochizuki)

Jooji Hato: leis polêmicas (foto: Jiro Mochizuki)

 

Ausência – O segundo bloco contou com a participação dos candidatos a uma vaga na Câmara dos Deputados Walter Ihoshi (PSD), Junji Abe (PSD), William Woo (PV), Amélia Naomi (PT), Pedro Mori (PSB), Thabata Yamauchi (PRB) e Alex Hato (PMDB). A exemplo do bloco anterior, também entre os federais a experiência acabou favorecendo os candidatos William Woo, Walter Ihoshi, Junji Abe e Amélia Naomi.Todos, porem, mostraram desenvoltura e conhecimento de causa. A exceção ficou por conta da candidata Keiko Ota, que preferiu não comparecer e também não justificou os motivos de sua ausência, segundo Harada.

Para William Woo, “o encontro foi muito bom, pois trouxe bastante informações para nosso eleitorado”. “Afinal, todos nós (candidatos) buscamos esse eleitorado. Vimos que os sete participantes do encontro para deputado federal têm um compromisso forte com a ética, honestidade, valores da família e respeito aos mais velhos. Tudo isso são valores dos nossos imigrantes que vieram há mais de 105 anos para o Brasil e que estão enraizados até hoje em nós, descendentes de japoneses”, destacou Woo, explicando que tem “valores éticos muito fortes” e que cresceu sob uma educação “muito rígida”.

 

William Woo: valores éticos (foto: Jiro Mochizuki)

William Woo: valores éticos (foto: Jiro Mochizuki)

 

Alex Hato disse que pretende atuar na área específica da “prevenção”. Respondendo a uma questão feita pelo público de como evitar desperdício na área da saúde, o candidato disse que, “para economizar, é preciso trabalhar a prevenção”. Filho do deputado estadual Jooji Hato, Alex gostou de sua atuação. “Foi um evento interessante, pois a comunidade pode conhecer as propostas dos candidatos e cobrar depois”, disse.

 

Redes sociais – Já Pedro Mori disse que os três minutos para responder as perguntas foram insuficientes para concluir seu raciocínio. “Queria falar sobre sustentabilidade, segurança publica, dentre outros assuntos. Contudo, acho que esse debate é uma boa iniciativa e tem que ser freqüente, pois é importante criar mecanismos para debatermos questões relacionadas à política, mesmo fora da época de eleições”, justificou Mori, acrescentando que “trata-se de um debate de ideias importante não só para a comunidade nipo-brasileira, mas para a sociedade em geral”. “Um exercício da democracia”, concluiu Mori, autor do projeto de lei que inclui no calendário turístico do Estado de São Paulo o “Festival do Japão”.

Vereadora desde 1988 e filiada ao PT desde 1982, Amélia Naomi causou boa impressão. Disse que pretende trabalhar em prol das causas sociais e levar investimentos para o Vale do Paraíba. Casada com o atual prefeito de São José dos Campos, Carlos José de Almeida (PT), Amélia destacou suas conquistas como presidente da Câmara Municipal e frisou que o Vale do Paraíba “necessita de um olhar específico”.

 

Amélia: causas sociais (foto: Jiro Mochizuki)

Amélia: causas sociais (foto: Jiro Mochizuki)

 

Redes sociais – Junji Abe iniciou sua participação falando sobre a trajetória vitoriosa dos imigrantes e sobre a participação popular nas atividades parlamentares. “Na realidade, a sociedade brasileira como um todo já participa diretamente dos nossos trabalhos. Para se ter ideia, mais de 60% dos 47 projetos que produzi foram elaborados a partir de sugestões das pessoas, apresentadas por e-mail ou pelas redes sociais de que participo, no Twitter ou pela página no Facebook”, disse Junji.

 

Jumji Abe: redes sociais (foto: Jiro Mochizuki)

Jumji Abe: redes sociais (foto: Jiro Mochizuki)

 

Para ele, “em se tratando de um primeiro debate, esse formato pode ser melhorado, com a participação de mais candidatos e dividido em três ou quatro dias, não tão próximo das eleições”. “Desta forma, terá uma grande repercussão e oferecerá oportunidade para todos que pleiteiam uma vaga para deputado. As entidades maiores, como o Bunkyo, podem sediar dois seminários por ano, envolvendo a comunidade com temas específicos, casos da responsabilidade cívica e cidadania. Assim, vejo uma maneira de atrair os jovens para expor suas idéias”.

 

Medicamentos – Outro que teve performance elogiada foi o candidato à reeleição Walter Ihoshi. Em busca de seu terceiro mandato, Ihoshi falou sua atuação nas várias Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e cobrou seriedade na investigação sobre a Petrobrás. Disse que seus dois primeiros mandatos foram muito próximos à comunidade nipo-brasileira e que procurou representá-la de “forma exemplar”. Como vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo desde 2003, destacou os projetos que “nasceram dentro da associação”, como o Microempreendedor Individual e o Cadastro Positivo, que favorece os bons pagadores.

 

Ihoshi: redução de impostos (foto: Jiro Mochizuki)

Ihoshi: redução de impostos (foto: Jiro Mochizuki)

 

Indagado pelo Jornal Nippak sobre sua cruzada para reduzir as cargas tributárias dos medicamentos, Ihoshi lembrou que os impostos no Brasil atingem 34% contra 6% da média mundial. “Como idealizador e presidente da Frente Parlamentar para a Desoneração dos Medicamentos, no início deste ano entreguei ao presidente do Senado, Renan Calheiros, um documento com 2,7 milhões de assinaturas, em apoio à diminuição tributária sobre os medicamentos”, disse Ihoshi, acrescentando que no Estado de São Paulo conseguiu uma primeira vitória com a redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de 18% para 7%. “Isso depois de três ou quatro reuniões com o secretário da Fazenda do Estado, Andréa Calabi. Nossa meta agora é reduzir os tributos de todos Os medicamentos”, afirmou Ihoshi.

 

(Aldo Shiguti, com colaboração de Rodrigo Meikaru)

 

Redação

Redação

nippak@nippak.com.br
Redação

Últimos posts por Redação (exibir todos)

Related Post

ENTRETENIMENTO: 11º Anime Friends espera receber m...   Chega a sua 11ª edição, o maior evento de cultura pop e entretenimento da América Latina, o Anime Friends. Com mais de 100 atrações, durante...
INDAIATUBA: Dia da Comunidade Japonesa é celebrado... A celebração do Dia da Comunidade Japonesa em Indaiatuba acontece nesse próximo domingo (dia 21 de junho) na Sala Acrísio de Camargo do Ciaei (Centro ...
COMUNIDADE: Parque da Água Branca recebe 1ª edição...   Tosa Matsuri. Você sabe o que significa? Pode ser o antigo nome da província de Kochi. Mas nos dias 18 e 19 de agosto (sábado e domingo), no...
SHIGUEYUKI YOSHIKUNI: Projeto de Lei (5048/2013) p...   O deputado federal Junji Abe (PSD-SP) apresentou um projeto de Lei (5048/2013) para livrar os idosos dos custos e da burocracia na entrega d...

One Comment

  1. Parabéns para Bunkyo e Associação de Ex-Bolsistas de Monbusho pela realização do 3º Encontro com Candidatos aos Cargos de Deputado Estadual e Deputado Federal, e ao Jornal Nippak pela publicação.
    Que os valorosos Convidados consigam ser eleitos, e suas gestões sejam fecundas e bem sucedidas!!!

Faça seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *