COPA DAS CONFEDERAÇÕES: Japoneses em Brasília: entre dois amores

Mulheres da colônia japonesa do Distrito Federal manifestam orgulho de suas origens e tradições, mas admitem torcer para a Seleção Brasileira no duelo contra a equipe asiática, em 15 de junho

 

Por Renato Alves – Correio Braziliense

 

Japonesa também gosta de futebol. Sílvia Emiko Sato Inatomi, de 53 anos, é uma. Flamenguista, tentou comprar ingressos para o jogo de abertura da Copa das Confederações, no Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, em 15 de junho. Pretendia levar toda a família para torcer pelo Brasil contra o time da terra natal dos pais, pioneiros da capital brasileira. Não conseguiu. Mas uma parte de sua família tem tíquete. Érica, 28, irá ao jogo, com o marido, Éder, da mesma idade. Resta a Sílvia, agora, tentar entradas para a partida inaugural do Brasileirão 2013, entre Flamengo e Santos, também na novíssima arena candanga, em 25 de maio.

 

Mieko Sato e Sílvia Sato: respeito pelas origens, mas paixão brasileira no futebol (foto: divulgação/Correio Brasiliense)

Nascido em Iwate, o pai de Sílvia, Massaji Sato, chegou a Brasília em 1956, com 18 famílias japonesas. Todas se estabeleceram no Riacho Fundo, que primeiro ganhou o nome de Colônia Agrícola Kanegae, em homenagem a uma dessas famílias pioneiras que aceitaram o desafio do presidente Juscelino Kubitschek de plantar hortaliças em uma terra árida, onde nada crescia até então. Como mostrou o Correio na primeira reportagem desta série, publicada no domingo, os japoneses vieram e ajudaram a fazer do Distrito Federal a unidade da Federação com melhor produtividade no campo.

Apesar de morar na área rural, na chácara herdada do pai, que teve dois filhos em Brasília, Sílvia seguiu outro caminho. Estudou e virou educadora. Hoje, ela dirige a Escola Classe Kanegae. Construído para abrigar filhos de japoneses, na Colônia Agrícola Riacho Fundo, o colégio chegou a ser desativado por falta de alunos, quando os descendentes nipos cresceram. Atualmente, só tem a diretora como nissei. Sílvia comanda 120 alunos. A maioria, filhos de pequenos produtores rurais da região. “Tenho orgulho dessa escola. Estudei aqui, como os meus quatro filhos”, conta Sílvia. Ela não poupa atenção e carinho aos estudantes.

Saudade


A diretora fala com saudade do tempo em que a Colônia Agrícola Riacho Fundo era formada apenas por chácaras, de 25 hectares cada, ocupadas em sua maioria por japoneses e descendentes. “Éramos uma comunidade muito unida, que preservava a nossa cultura. Havia inúmeras festas na sede da nossa associação, que fica na escola. Mas já vão uns 29 anos sem um encontro. Fazemos reuniões apenas para discutirmos o nosso sistema de irrigação”, diz. “Antes do templo (budista, no fim da Asa Sul), tinha um barracão, onde havia muito mais festas e passavam filmes japoneses regularmente. Hoje, o templo tem mais brasileiros que japoneses”, completa Sílvia, casada com outro nissei, Haroldo Inatomi, de 55 anos, torcedor do Santos.

 

Fonte: Correio Brasiliense

 

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