COPA DO MUNDO: Para Lopes, seleção japonesa deve passar da fase de grupos

 

Para Wagner Lopes, seleção japonesa atual é mais experiente e mais organizada (foto: CREDITO: FERNANDO RIBEIRO/EC CRICIUMA)

Se depender do ex-jogador da Seleção Japonesa e hoje técnico do Criciúma (SC), a Seleção Japonesa tem tudo para, pelo menos, repetir sua melhor campanha em Copa das do Mundo. Até esta edição, foram quatro participações do Japão. Em duas – 2002 e 2010 – os japoneses alcançaram as oitavas de final.

No Brasil, os comandados de Alberto Zaccheroni, técnico italiano que dirige a seleção nipônica, estão no Grupo C. A estreia acontece no dia 14 de junho (sábado), às 22h (horário de Brasília), na Arena Pernambuco, em Recife, diante da Costa do Marfim. O Japão volta a campo no dia 19 (feriado de Corpus Christi), às 19h, na Arena das Dunas, em Natal (RN), contra a Grécia, e encerra sua participação na primeira fase no dia 24 (terça-feira), às 16h, contra a Colômbia.

“É uma chave difícil, mas dá para passar”, avalia Lopes, que se naturalizou cidadão japonês e defendeu a seleção daquele país na Copa do Mundo de 1998, na França.

“Diferentemente da minha época, quando tinha pouquíssimos jogadores com experiência internacional, hoje, dos 23 convocados, 12 atuam na Europa, sendo sete na Bundesliga, o Campeonato Alemão, um dos mais fortes do mundo”, compara Lopes, que atuou no futebol japonês por 17 anos (de 1987 a 2002), com passagens por diversos clubes, entre eles o Kashiwa Reysol, Bellmare Hiratsuka e Nagoya Grampus.

Para ele, depois de investir na contratação de estrangeiros para fortalecer a J-League, o Campeonato Profissional japonês, o país começou a exportar jogadores. “Com isso,  houve uma evolução muito grande, tanto tática como tecnicamente. A qualidade dos jogadores melhorou muito e, consequentemente, quem saiu ganhando foi a própria seleção japonesa, pois cada um que atua fora do país contribui com experiência e a seleção ficou mais organizada e os jogadores com mais confiança individual”, destaca Lopes, acrescentando que “estou bem otimista quanto ao desempenho do Japão neste Copa”.

Para ilustrar seu otimismo, Lopes se recorda da Copa das Confederações de 2013, quando o Japão perdeu por 4 a 3 para a Itália. “Foi nos detalhes. Hoje o Japão tem tudo para jogar em condições de igualdade com qualquer seleção do mundo”, afirma o ex-jogador, que garante não guardar mágoas do técnico Takeshi Okada, que comandou a seleção japonesa na Copa de 1998. Lopes havia sido titular nas Eliminatórias, mas na Copa Okada optou por deixá-lo no banco de reservas.

O Japão acabou eliminado na fase de grupos, com derrotas para Argentina, Croácia e Jamaica. “Contribui com o meu melhor. Não era de discutir ordens de técnicos. Eles escalam que acha que está melhor e nós temos que acatar”, diz Lopes, lembrando que aquela seleção não tinha tantos jogadores de grande expressão como agora.

 

Aposta – Do atual grupo que desembarca neste sábado no Brasil, Lopes aponta o atacante Yoichiro Kakitani, que atua no Cerezo Osaka, como jogador a ser observado, além, é claro, dos badalados  meias Keisuke Honda, do Milan (Itália), Shinji Kagawa, do Manchester United (Inglaterra), e os volantes Yasuhito Endo, do Gamba Osaka (Japão) e Makoto Hasebe, do Nuremberg (Alemanha).

“Gosto muito do futebol do Kakitani porque ele é muito técnico e um bom driblador, além de saber finalizar. É uma das maiores esperanças individuais”, conta Lopes, que afirma ter tentado tirar, sem sucesso, a carteirinha de treinador para atuar no futebol japonês. “Tinha que fazer um curso que levaria seis anos. Fiquei chateado e desapontado porque eles abriram um precedente. Não queria regalias, mas eles não levaram em consideração os 17 anos que passei lá. Fiquei chateado pela forma como eles conduziram o processo porque me pegaram para Cristo. Mas quero vencer como técnico aqui no Brasil. No futuro ninguém sabe o que vai acontecer”, diz Lopes, que será um dos homenageados do 58º Prêmio Paulista de Esportes, cuja cerimônia acontece nesta terça-feira (10), às 19h, na Câmara Municipal de São Paulo.

(Aldo Shiguti)

 

 

 

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