CRIME NO JAPÃO: Brasileiro contratado pela Yakuza admite crime: “Foi cruel e bárbaro”

O brasileiro acusado de um homicídio cometido no Japão, Marcelo Chrystian Gomes Fukuda, de 35 anos, mostrou o remorso do crime, admitindo os fatos relatados pela juíza Lizandra Maria Lapenna Peçanha, no interrogatório realizado no último dia 25, na sala do Fórum Criminal Ministro Mário Guimarães, na Barra Funda (zona Oeste de São Paulo). Ele disse que as acusações contra ele são verdadeiras.

 

Tatuagem característica da máfia japonesa Yakusa, em Cristiano Ito, conhecido como Javali (Foto: divulgação)

Tatuagem característica da máfia japonesa Yakusa, em Cristiano Ito, conhecido como Javali (Foto: divulgação)

 

Marcelo Fukuda é acusado de ter assassinado o japonês Yoshitaka Kawakami, em 2001, em Tóquio. Com a voz grave e falando rápido, disse que “foi cruel e bárbaro, me arrependo [do que fiz]”. “Tudo na minha vida após o crime não deu certo”, respondeu quando questionado pela a juíza Lizandra Maria, que presidiu a sessão, e pelo promotor José Carlos Cosenzo.

Marcelo Fukuda, da terceira geração de descendência japonesa e que tinha morado no Japão por cerca de 1 ano e meio antes do homicídio, junto com o outro réu Cristiano Ito, que cometeu o crime com Marcelo, começou a pormenorizar o acontecimento antes e depois da morte da vítima. Na madrugada do dia 4 de junho, de 2001, segundo ele, o sujeito cujo nome é Denis  – uma das testemunhas arroladas no processo –, que era familiar com os réus, passou na casa deles para irem à discoteca que costumavam ir. Após a chegada ao local, os dois (Marcelo Fukuda e Cristiano Ito) foram apresentados por Denis ao homem desconhecido. “Foi o homem grande e parecia forte. Disse que tem serviço a ser feito em troca de algum dinheiro”. Os dois receberam a metade dos “honorários”, que era 500 mil ienes na hora e foram à residência da vítima com o carro  e a arma passados pelo sujeito.

Chegando ao destino, depois de aguardar até receber a orientação do homem dentro do carro, os dois invadiram a casa da vítima. O primeiro tiro foi disparado pelo Cristiano, do lado de fora da casa. Em seguida, após entrar, Marcelo deu o segundo tiro na vítima. A esposa, Naomi Kawakami, teria sido espancada por Cristiano. Marcelo Fukuda e Cristiano Ito fugiram, deixando o local de carro dirigido por Denis.

No dia seguinte, Fukuda não foi ao serviço e acabou sendo demitido. Com a segunda metade do pagamento, após cerca de duas semanas, ele regressou ao Brasil com Cristiano. As passagens teriam sido compradas por Fukuda. No Brasil, ele morou em Campinas, trabalhando como auxiliar geral da limpeza e era casado na época.

Cristiano Ito, cujo apelido era Javali, não compareceu ao Fórum devido à “falha na comunicação”, segundo Wanderley da Silva Junior, advogado do réu. Junior alega que seu cliente tinha sido transferido para a penitenciária de Andradina, interior do Estado de São Paulo, mas fato não tinha sido informado a juíza. O interrogatório dele está marcado em 11 de agosto.

 

Mandante – Segundo a agência japonesa de notícia, Kyodo News, o mandante do crime foi Ikebe Tetsuo, irmão gêmeo de Yoshitaka, que já foi condenado à prisão perpétua. Foi anunciado pela mídia japonesa que ele contratou a Yakuza, a famosa e temida associação criminosa japonesa. Fukuda afirmou, na audiência, que não conhecia o sujeito que teria encomendado o crime. Ele também negou fazer parte da Yakuza. “Nunca pertenci a Yakuza, nem o Cristiano, que eu saiba. A tatuagem dele não tem vínculo ao símbolo da Yakuza, que são Samurai, carpa, dragão, etc.” O motivo pelo qual o levou a executar o japonês foi, segundo ele, “o dinheiro, infelizmente”.

“Fiquei impressionado [pelo confesso], porque achava que ele iria negar o crime”, diz o promotor Cosenzo. “Sou promotor há 30 anos, mas é a primeira vez que o réu relatou um acontecimento tão detalhadamente”. Após a oitiva do Cristiano e outras testemunhas, a juíza proferirá a sua decisão se haverá o tribunal do Júri. “Para Ito, não tem como escapar, pois, o outro admitiu o crime e relatou-o com detalhe”, disse Cosenzo, acrescentando que há os autos elaborados pela polícia japonesa, o qual ele elogiou com sua minúcia. Segundo ele, o Ministério Público solicitou a condenação a 20 e 30 anos de prisão, respectivamente, como a pena de homicídio e tentativa de homicídio.

O governo japonês delegou o direito ao Judiciário brasileiro por representação, para que os acusados sejam processados e julgados no Brasil de acordo com a lei brasileira, em fevereiro de 2010, uma vez que não existe tratado de extradição entre os dois países. Acusados pelo Ministério Público em maio de 2011, os dois criminosos foram presos por um grupo de agentes da Interpol/SP em outubro do mesmo ano.

 

Outros envolvidos – Segundo a informação do Estado de São Paulo, Marcelo e Javali “agindo de comum acordo com outros envolvidos (são citados mais sete nomes). No interrogatório, Fukuda lembrou de dois sujeitos cujos apelidos foram “pedrinho” e “cachorro”, dizendo que não os conheciam bem. Citou o nome do Denis, explicando-o como “intermediador total”, que está preso no Japão após o longo período depois do crime, segundo ele.

 

(Shiho Tanaka, especial para o Jornal Nippak)

 

 

 

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One Comment

  1. Kenzou maruyama says:

    Esse cara nunca foi yakuza , eu trabalho pra yamaguchi a 22anos nunca matei ninguem, esse cara vai ser eliminado por nos assim que sair da cadeia, outra coisa essa tatoo ridicula nao corresponde a nos , nem a outra que conheçamos. Antes de publicar porcarias deveriam conhecer a verdade da irmandade.

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