CRISE NO BRASIL: Deputados nikkeis se dividem entre euforia e cautela; vice já cogita visitar o Japão

Conforme antecipou o Jornal Nippak em sua última edição, os três parlamentares nipo-brasileiros que compõem a “bancada nikkei” na Câmara dos Deputados votaram a favor da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Nonagésimo oitavo deputado a ser chamado na histórica votação do último dia 17, Luiz Nishimori (PR-PR) utilizou os dez segundos a que cada deputado tinha direito afirmando que “sou um deputado municipalista e do agronegócio, portanto, em nome do Paraná e pelo desenvolvimento e progresso do Brasil voto sim”.

 

Deputados nikkeis comemoram ‘vitória’; Temer já cogita ir ao Japão. Foto: divulgação.

Deputados nikkeis comemoram ‘vitória’; Temer já cogita ir ao Japão. Foto: divulgação.

 

Nesta segunda-feira (18), um dia após a votação, já em São Paulo – onde cumpriria agenda pessoal – o parlamentar paranaense visitou a redação do Jornal Nippak para dar uma “satisfação a toda comunidade nipo-brasileira”. Confidenciou que queria ter falado mais, “inclusive algo da comunidade”.

“Mas, o mais importante é que tanto eu como o Takayama e a Keiko, além do Walter Ihoshi e do William Woo [ambos suplentes], com quem tive oportunidade de estar no dia da votação em Brasília, somos a favor que a Dilma saia”, garante Nishimori, explicando que “os nikkeis tem uma linha de conduta e a atuação de Dilma como presidente não teve uma maturidade política”. “Ela caiu principalmente pelo mau desempenho na área econômica”, destacou Nishimori.

Luiz Nishimori: “Dilma cometeu muitas falhas com a comunidade”. Foto: arquivo pessoal.

Luiz Nishimori: “Dilma cometeu muitas falhas com a comunidade”. Foto: arquivo pessoal.

“O povo está insatisfeito e cobra uma posição de seus representantes, que somos nós. Votei a favor porque ela cometeu crime de responsabilidade fiscal e também porque usou dinheiro do orçamento sem consultar o Congresso. Essas duas razões, por si só, já seriam suficientes para pedir seu afastamento”, justificou Nishimori, admitindo que “sofri muito para votar pois o meu partido queria fechar questão contra o impeachment”.

“Corri risco de perder o cargo de presidente do PR no Paraná, mas no final, dos 40 deputados da nossa bancada, 26 acabaram votando a favor contra 14 que votaram contra. Para nós foi uma vitória”, lembrou o parlamentar, afirmando que “o Estado do Paraná foi decisivo para a abertura do processo de impeachment”.

“Dos 30 deputados federais, apenas 4 votaram contra. Isso porque o Paraná é um Estado importante no setor produtivo, principalmente na agricultura, e todos estão muito insatisfeitos com a atual política econômica do governo, especialmente depois que o governo federal parou de repassar verbas para os municípios. É lógico que isso influenciou porque estávamos sofrendo uma pressão muito grande por parte dos nossos eleitores, mas eu já tinha me manifestado a favor do impeachment há muito tempo pois também sou do agronegócio”, destacou o parlamentar, que criticou também o “pouco caso” com que a atual mandatária tratou os assuntos relacionados com a comunidade nipo-brasileira e com o Japão. “Um desastre”, definiu.

“Ela cometeu falhas graves com o Japão. Primeiro ao cancelar duas viagens que faria ao Japão [em 2013 e no final do ano passado], o que gerou um mal-estar muito grande. Depois, quando fez Suas Altezas Imperais, o príncipe Akishino e a princesa Kiko, esperarem por cerca de 20 minutos no Palácio do Planalto”, contou Nishimori, revelando que pouco antes da votação na Câmara dos Deputados teve oportunidade de se reunir com o “ainda” vice, Michel Temer, para conversar sobre “vários assuntos”. Um deles foi justamente sobre “etiqueta japonesa”.

“O Temer já estava sabendo o que tinha acontecido, mas foi muito simpático. Disse que não conhece o Japão e pediu para agendar uma visita”, disse Nishimori, antecipando ao Jornal Nippak que, durante a visita que fará em maio ao Japão, como chefe de mais uma Missão Ecônomica e de Amizade, deve levar uma carta comunicando as autoridades japonesas sobre o interesse de Temer em visitar o país.

 

“Sou deputado municipalista e do agronegócio, portanto, em nome do Paraná e pelo desenvolvimento e progresso do Brasil, voto sim”

(Luiz Nishimori, PR-PR)

 

 

Isso porque Nishimori não tem dúvida que o Senado seguirá o exemplo da Câmara dos Deputados e aprovará o processo de admissibilidade do impeachment da presidente e a afastará por seis meses até o julgamento final.

“Não vejo a possibilidade de como o governo pode reverter essa situação desfavorável. Enquanto ela não entende nada de política nem de administração, o Temer é experiente, um ‘macaco velho’, como costumamos dizer”, conta Nishimori, acrescentando que “ele só dependerá dele mesmo para melhorar os índices de rejeição que carrega”.

“Acredito que ele se sairá bem, como o Itamar Franco. Quando assumiu, o Itamar era um desconhecido. Cabe a nós, como cidadãos brasileiros, torcer para que o próximo governo que entrar tenha sucesso. Pelo menos contará com nosso apoio”, disse Nishimori, destacando que, no momento, uma das preocupações é quanto a realização dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. “Temos que ajudar no que for possível para o país não fazer feio”, garantiu.

 

Takayama: “Este governo caminha para uma ditadura de esquerda”. Foto: divulgação

Takayama: “Este governo caminha para uma ditadura de esquerda”. Foto: divulgação

 

Comunismo – Menos eufórico, Hidekazu Takayama, também do Paraná, disse ao Jornal Nippak que votou a favor da admissibilidade do processo de impeachment porque “percebo que este governo está caminhando para uma ditadura de esquerda que nos bastidores chamamos de comunismo bolavariano. Isto está trazendo uma sangria econômica terrível para o país. O Brasil não é um país rico que pode se dar ao luxo de estar financiando obras em Cuba, metrô na Venezuela e estrada de ferro na Argentina, além de conceder perdão da dívida dos países africanos. Está havendo uma espécie de ‘cortesia’ com chapéu alheio”, criticou Takayama, explicando que “fui a favor convicto”. “O impeachment não é golpe. Tanto que um dos autores do pedido, o jurista Miguel Reale Júnior, uma lenda viva jurídica, justifica que as pedaladas fiscais são um crime contra o país à medida em que ela não consultou o Congresso. A Dilma não tem condições de ficar à frente do país”, disse o parlamentar, que pertence à bancada evangélica da Câmara.

 

“Contra a ladroeira, contra a imposição e a esquerda que este partido quer transformar este Brasil numa ditadura de esquerda, meu voto é sim, pelo impeachment, pelo Sérgio Moro, pelos evangélicos, pelo meu Brasil, pela minha família, sim”

(Hidekazu Takayama, PSC-PR)

 

Apesar de não compartilhar do mesmo otimismo de Nishimori sobre o encaminhamento que o Senado dará ao processo, Takayama acredita que as manifestações populares devem continuar até a votação no plenário, provavelmente até o dia 11 de maio. “Os protestos serão o diferencial porque o processo ainda tem um longo caminho a percorrer e o Senado tem muitos meandros”, explica Takayama, destacando, no entanto que “acredito que os senadores não serão doidos de barrar o pedido”.

 

A deputada Keiko Ota espera que o Senado “siga o exemplo da Câmara dos Deputados”. Foto: Chico Ferreira.

A deputada Keiko Ota espera que o Senado “siga o exemplo da Câmara dos Deputados”. Foto: Chico Ferreira.

 

 

Clamor – Keiko Ota também está na torcida para que o Senado “faça a sua parte”. “Espero que os senadores sigam o exemplo dos deputados, que atenderam o clamor da população”. “Todos abraçaram a causa. Votei convicta porque sabia que era a vontade da maioria dos brasileiros”, disse Keiko, afirmando que “na hora lembrei do meu filho [Ives Ota, morto em 1997, então com oito anos de idade]”. “Conseguimos melhorar a imagem daquele Congresso e no Senado não será diferente. Todos estão sentindo na pele a pressão popular. É preciso colocar um fim nesse clima de pessimismo. É preciso colocar um fim nesse governo que colocou o país à deriva com mais de 10 milhões de desempregados”, observou Keiko, acrescentando que “temos muito que fazer”.

 

“Em nome do meu querido filho, Ives Ota, em nome de todas as mulheres brasileiras, em nome de milhares de mães que perderam seus filhos na violência, que clamam por paz, justiça e direitos humanos, para todos declaro meu voto sim”

(Keiko Ota, PSB-SP)

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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    One Comment

    1. bando de hipocritas, quando a Dilma tava la em cima, puxavam o saco dela, agora, tao chutando chachorra morta.

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