CULTURA: Vencedor do Prêmio Jabuti, Oscar Nakasato fala sobre seus planos

 

O escritor nikkei maringaense Oscar Nakasato, aos 47 anos de idade, foi contemplado com o premio Jabuti de melhor romance, “Nihonjin”.  A obra “Nihonjin” surgiu em 2002, quando Nakasato concluía sua tese de doutorado em Literatura Brasileira. Através do trabalho acadêmico, o pesquisador traçou um panorama de todos os livros de ficção da literatura brasileira que abordavam a questão do mito e resolveu explorar o tema em seu próprio romance. No dia 28 de novembro, o escritor receberá o troféu Jabuti na Sala São Paulo, na capital paulista. Sendo o terceiro paranaense em uma década a faturar o premio Jabuti com o melhor romance.

O dia-a-dia do escritor que faturou um dos prêmios mais importantes de literatura do País não teve alterações, a não ser o assédio da imprensa. Ele admite que nunca vá deixar de ser professor. “É o que mais gosto de fazer. Não sou um escritor que dá aulas para ganhar dinheiro. Sou um professor que escreve”, destaca.

 

Oscar Nakasato

Oscar Fussato Nakasato dá aula na Universidade Tecnologia Federal do Paraná, em Apucarana. O autor ensina Língua Portuguesa e Literatura para o Ensino Médio e, nos cursos superiores de Engenharia, Tecnologia e Licenciatura, se dedica às disciplinas de Produção de Texto e Comunicação Linguística. Com os jovens de 18 e 19 anos, o escritor de Apucarana se sente mais à vontade. Até mesmo porque, ele pode falar sobre literatura.

 

 

Confira a entrevista que o premiado autor Oscar Nakasato concedeu ao Jornal Nippak.

 

Jornal Nippak – Qual a importância de receber o Prêmio Jabuti?

Oscar Nakasato – É claro que me sinto lisonjeado com o prêmio, mas sei perfeitamente que a escolha de um prêmio literário é sempre subjetiva. O que mais importa é que a visibilidade que o prêmio proporciona fará com que mais pessoas leiam o romance.

JN – Como foi o início de Oscar Fussato Nakasato na literatura?

Oscar Nakasato – Comecei escrevendo contos, que já foram premiados em concursos literários e publicados. “Nihojin” é o meu primeiro romance.

JN – Por favor, fale-nos um pouco sobre a sua obra “Nihojin”. Como surgiu a ideia inicial para a criação desta obra?

Oscar Nakasato – A ideia surgiu quando pesquisava sobre personagens nipo-brasileiros para a minha tese de doutorado. Fiquei frustrado, pois constatei que a participação de imigrantes japoneses e seus descendentes na literatura brasileira são mínimos. Então aproveitei as pesquisas em livros de Sociologia e Antropologia que fiz para a minha tese e escrevi “Nihonjin”.

JN – O livro é uma espécie de declaração de amor à cultura japonesa? Ou não tem nada a ver com isso?

Oscar Nakasato – Sim, pode-se dizer que é uma declaração de amor, embora o livro seja, também, uma apreciação crítica da cultura japonesa. Eu vejo “Nihonjin” realmente como um romance escrito por um nipo-brasileiro, ou seja, sua carga emocional é de um descendente de japoneses. Sou neto de imigrantes e, como tal, identifico-me como um brasileiro que traz em sua personalidade e em sua formação cultural uma forte carga da ascendência japonesa, e penso que o romance transmite isso.

JN – É o seu primeiro prêmio?

Oscar Nakasato – Não, já recebi outros, entre eles o 1º Prêmio Benvirá de Literatura de 2011, que possibilitou a publicação de “Nihonjin” pela Editora Saraiva.

JN – Já lhe passou pela cabeça se candidatar à Academia?

Oscar Nakasato – Isso nunca me passou pela cabeça. Me parece algo tão distante.

JN – A cultura escrita está perdendo prestígio no mundo inteiro. Isso é ruim?

Oscar Nakasato – É péssimo. Eu sempre digo aos meus alunos que a leitura nos torna mais inteligente porque precisamos mobilizar muitos neurônios para traduzir, por exemplo, uma descrição em uma imagem. Eu gosto muito de cinema e televisão, mas vejo na literatura uma possibilidade maior do receptor se tornar uma espécie de co-autor da obra, pois exige sua efetiva participação. Mas talvez seja exatamente isso o que afasta as pessoas do livro.

JN – O que você fez para não desanimar?

Oscar Nakasato – Não faço nada, e então o desânimo, muitas vezes, realmente vem. Então penso nas minhas conquistas e procuro me convencer de que o desânimo é passageiro.

JN – É verdade que os leitores brasileiros estão se interessando mais pela literatura? O que você acha disso?

Oscar Nakasato – Infelizmente não consigo perceber isso. É um mistério, pois as editoras comemoram a cada ano o aumento da venda de livros, mas não vejo as pessoas lendo mais.

JN – Em relação ao mundo editorial, as editoras finalmente estão deixando um pouco de lado os escritores internacionais e se voltando para os nacionais. Em sua opinião, foi o interesse crescente dos leitores brasileiros pelos autores nacionais ou algo mais?

Oscar Nakasato – As editoras, realmente, fazem esforço em lançar e divulgar os autores brasileiros, mas a resposta do público não tem sido positiva, pois os estrangeiros seguem liderando as listas dos mais vendidos. O brasileiro ainda tem aquela fascinação pelo que vem de fora, como se tivesse um valor maior.

JN – Existem novos projetos em pauta?

Oscar Nakasato – Estou escrevendo um novo livro. O que posso adiantar é que novamente é um romance memorialista, mas, agora, com dois narradores.

JN – Você tem alguma fonte inspiradora?

Oscar Nakasato – Tenho várias fontes inspiradoras. A inspiração vem de uma música, de uma cena de rua, de uma lembrança, de uma leitura. A vida é uma grande fonte inspiradora.

(Luci Judice Yizima)

 

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