DOCUMENTÁRIO: ‘Queria fazer um documentário sobre Tomie como mulher, como mãe e como pessoa’, diz Tizuka

Considerada uma das maiores cineastas brasileira dos últimos tempos, pela sua obra, pelo seu pensamento, Tizuka Yamasaki fez um documentário sobre a “Diva” das artes plásticas, Tomie Ohtake. Tudo começou aos 97 anos, finalizou aos 99 anos e só aos 101 anos de idade de Tomie está sendo exibido. As filmagens duraram 3 anos, com passagens nas docas, na extremidade do emissário submarino, no Parque Municipal Roberto Mário Santini (Praia de José Menino), onde está a obra da artista, uma gigante escultura vermelha, em Santos. Também tem passagens na Galeria Deco, no ateliê na residência da grande dama Ohtake.

 

Tizuka Yamasaki, Tomie Ohtake e André Sturm (diretor do MIS) na apresentação do documentário (foto: Luci Judice Yizima)

Tizuka Yamasaki, Tomie Ohtake e André Sturm (diretor do MIS) na apresentação do documentário (foto: Luci Judice Yizima)

 

Em entrevista ao Jornal Nippak, a cineasta Tizuka Yamasaki conta o que motivou a fazer o documentário sobre a artista plástica Tomie Ohtake. “Em 2008, durante as comemorações do Centenário da Imigração Japonesa, depois da finalização dos dois longas, pensei o que poderia fazer agora?”, indaga. “Então pensei a única coisa que me interessaria fazer era sobre Tomie, não para fazer um documentário da sua vida profissional, por que isso já existe, mas queria falar sobre ela como mulher, o seu dia a dia no ateliê, como mãe e como Tomie pessoa. Foquei no lado pessoal da Tomie, que é o que o grande público desconhece”, destaca Yamasaki.

 

Ricardo Ohtake e Tizuka Yamasaki (foto: Luci Judice Yizima)

Ricardo Ohtake e Tizuka Yamasaki (foto: Luci Judice Yizima)

 

“Particularmente eu tenho admiração muito grande por ela. Os filmes sempre mostraram uma Tomie austera. Ela não é nada austera. É uma mulher generosa, com senso de humor surpreendente. Ela é surpreendente de qualquer forma, talentosa, uma qualidade de ser humano, com a idade avançada e ainda está na ativa, lúcida e criando, é maravilhosa! É uma artista admirável, que só tem a nos ensinar. E colar ao lado de uma pessoa desse porte, você acaba aprendendo muito. Se eu pudesse, passaria o tempo todo ao lado de pessoas que admiro. Queria mostrar esse lado rico que são as entrelinhas, as piadas, as manifestações de afeto”, admira Tizuka.

“A Tomie é muito ligada, presta atenção em tudo. Ela só começou a pintar depois que os meninos estavam adultos. Apesar dos seus 101 anos de idade, Tomie esbanja lucidez, contou toda sua história desde a saída do Japão até a chegada ao porto de Santos. Ela conta que saiu do Japão porque queria pintar, quando desembarcou do navio avistou o sol radiante e uma paisagem exuberante do mar”, conclui Tizuka.

 

A cineasta com Ruy Ohtake (foto: Luci Judice Yizima)

A cineasta com Ruy Ohtake (foto: Luci Judice Yizima)

 

Para pincelar a vida de Tomie, Tizuka explorou e mesclou como cenários ambientes do dia a dia da artista, com tomadas externas no Porto de Santos onde tudo começou e de alguma maneira tem um envolvimento afetivo com artista. O documentário é o encontro das artistas em uma conversa informal e afetiva, num tradicional almoço em família e com presença de amigos. Onde Tizuka narra às atividades de Tomie, e o lado afetivo da artista.

Durante a entrevista Tizuka fez questão de uma pausa para pedir as pessoas doarem medula óssea, fazendo uma campanha para a Fabiana Ikeda, a nikkei que aguarda na fila por um transplante de medula e cuja história foi publicada na edição de novembro do ano passado do Jornal Nippak. A cineasta é amiga da família Ikeda e  Fabiana fez parte do elenco do filme Gaijin – Caminhos da Liberdade, quando tinha penas dois anos de idade – era filha da protagonista do filme.

(Luci Júdice Yizima)

 

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