ECONOMIA: Ministro Masami Uyeda fala sobre Agricultura Familiar no Brasil em Paris

 

Em viagem a Paris em janeiro, de férias com a família o ministro Masami Uyeda, visita à amiga e Secretária Geral do Comitê Europeu de Direito Rural, Letícia Bourjes. Por solicitação da secretária Bourjes, Uyeda ministra palestra sobre Agricultura Familiar no Brasil na Academia da Agricultura da França em uma sessão especial de 45 minutos para um grupo seleto..

 

Ministro Massami Uyeda (foto: Luci Judice Yizima)

 

O ministro Masami Uyeda fala como o convite surgiu e a importância da agricultura familiar no Brasil. “Em dezembro a Letícia me telefonou conversando sobre vários assuntos abordou se eu poderia ministra palestra na minha estada na França, só que em janeiro na França é férias nas universidades, porém em sessão especial faria para a alta cúpula do Comitê Francês”, diz. “Proferi palestra para um grupo seleto falando sobre a ‘Agricultura Familiar no Brasil e suas peculiaridades’, na Academia de Agricultura da França, uma das mais tradicionais academias da Europa”, comenta o ministro Uyeda.

De acordo com o ministro Masami houve várias perguntas sobre o assunto. Todos queriam saber qual a área de atuação do ministro na Agricultura Familiar no Brasil. Ele então falou que defendeu uma tese jurídica, onde reputava a atenção que se deve dar à agricultura, e especialmente a agricultura familiar. “A meu ver e o meu entendimento é um assunto que não é levado muito a sério, devido a abundancia das terras férteis brasileiras”. O ministro destaca ainda que, “o Brasil desde o seu descobrimento tem uma vocação a agricultura, isto foi reconhecido por Pero Vaz de Caminha em sua carta a Coroa portuguesa ao relatar que ‘aqui é terra vasta e fértil que se plantando tudo dá’”.

Para o ministro Uyeda esta afirmação de Caminha, deve ser interpretada como sendo uma dádiva da natureza, é uma terra abençoada, porque o Brasil tem muito sol, produz de três a quatro safras por ano. Ele afirma que a frase de Caminha foi distorcida, banalizada, por que advém de uma ideia de uma cultura de abundancia. Pois o Brasil felizmente nunca passou por um horror da guerra ou nunca teve fase de fome crônica como em outras regiões. Enfim morrer de fome ninguém morre no Brasil, pois o país possui meios de sobrevivência como frutas, raízes, hortaliças e legumes.

Por outro lado, o ministro explica aos franceses o resultado da forma preconceituosa sobre a cultura da agricultura no Brasil foi desenvolvida. Pois arar a terra era coisa de escravos, eles eram destinados a fazer o trabalho pesado na lavoura. Após a abolição dos escravos, os imigrantes começaram a fazer as tarefas que eram desenvolvidas pelos escravos.

De acordo com o ministro as atividades dos lavradores nunca tiveram o seu real valor, pois até hoje persiste esse preconceito e a desvalorização dos chamados “caipiras”, homens do campo. No conceito do ministro os caipiras têm uma sabedoria particular, e diz que este fenômeno põe o Brasil na desatenção para a agricultura. Apesar da economia brasileira está fundamentada praticamente no setor agrícola, desde a época dos grandes ciclos como o da cana-de-açúcar, café que movimentaram a economia, e mais recentemente massiva da soja e milho. O agribusiness que é derivado dos grãos é responsável e representam cerca de 40% do PIB brasileiro, que é advento das culturas desse commodities vendidas para o exterior.

“Porém a agricultura familiar, aquela pequena agricultura que fornece o alimento em nossas mesas, como as verduras, hortaliças, essa classe é meio renegada, não há uma consciência de que deve dar a importância merecida”, explica.  “Na realidade, na constituição brasileira é muito perfeita neste aspecto, ela reserva um destaque importante para a agricultura, ressaltando a existência de uma política agrícola. De todas as atividades que o ser humano pratica na sociedade, nós temos então as grandes fontes de produção na agricultura, na indústria, no comércio e nos serviços. Porém a atividade agrícola tem assento garantido na constituição brasileira. Ela está contemplada pela constituição brasileira para ser reconhecida e alavancada pelo centro de poder da União, do estado e do município. Todos eles devem dar atenção, observar e fornecer uma política e meios de aprendizagem, de desenvolvimento, pesquisas, proteção ao crédito rural e o seguro da produção, porém tudo isso na prática é esquecido”, adverte o ministro Uyeda.

O ministro lamenta também que não há muitos projetos para a agricultura familiar ou para o pequeno agricultor. Mas admite que o agronegócios por outro lado sobram projetos. Isso porque o agronegócios é sustentado por grandes empresas, e as grandes produções são voltadas para o exterior. Em contato com os magistrados estrangeiros, o ministro Masami ouviu depoimentos de muitos agricultores japoneses, ingleses e escoceses tinham orgulho em dizer que eram agricultores. No Brasil a situação muda de figura, pois muitos agricultores mudam de ramo pelas dificuldades que encontram nas políticas públicas.

 

(Luci Judice Yizima)

 

 

 

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