ECONOMIA: Restaurantes japoneses enfrentam crise com explosão do preço do salmão

Todo mundo sabe que o carro-chefe dos restaurantes japoneses é o ‘salmão’, com festivais de sushis, sashimis e combinados. Mas o que ninguém imaginava é a alta acelerada do quilo do peixe que passou de R$ 24 em janeiro para R$ 40 em abril. O empresário José Miguel Hallage, sócio da rede de restaurantes japoneses Djapa, com unidade em Arujá, Mogi das Cruzes e proprietário do Djapa, em Moema na capital paulista, revela que restaurantes podem ter desabastecimento, fechamento de casas e aumento de preço ao consumidor.

 

Foto: divulgação.

Em abril, o preço do quilo de Salmão passou de R$24 a R$ 40, em média. Foto: Luci Judice Yizima.

 

Em entrevista ao Jornal Nippak, José Miguel Hallage explica como o seu estabelecimento está driblando a explosão do preço do salmão sem afetar o bolso do consumidor e a qualidade dos pratos. “Com à economia combalida, está levando os restaurantes japoneses a uma crise sem precedentes”, diz. “Para evitar transferir o custo ao cliente, uma das saídas é oferecer mais opções de outros pratos que não usem salmão. O Djapa conta com uma variedade de 35 pratos japoneses em sistema de rodízio, semelhantes ao das churrascarias, sistema inédito em São Paulo. Trazemos os pratos até a mesa do cliente e isso facilita que ele aceite outros pratos”, aposta o empresário na criatividade e eficiência.

José Miguel Hallage. Foto: Luci Judice Yizima.

José Miguel Hallage. Foto: Luci Judice Yizima.

De acordo com Hallage, a eficiência passa pelo corte de custos operacionais, troca de fornecedores, e até treinamento interno para evitar desperdício de ingredientes. A ordem é que os sushimen busque o máximo de aproveitamento do peixe. Segundo ele, para se ter uma ideia da gravidade da situação, o quilo do peixe era vendido em janeiro a R$ 24, em média. Em abril, o preço do quilo estava sendo cotado a R$ 40, em média. A explosão do preço se deve ao ‘surto’ de algas marinhas no Chile, principal fornecedor do pescado ao Brasil, 25 milhões de peixes (40mil toneladas) morreram, segundo o Sernapesca (Serviço Nacional de Pesca e Aquicultura Chileno). O desastre foi influenciado pelo fenômeno climático El Ninõ. Por ano, o Brasil importa do Chile 75,7 mil toneladas do peixe. “Estamos fazendo o possível para não transferir a conta para o consumidor, mas está ficando mais difícil”, destaca o comerciante.

 

Tradição – O salmão é o carro-chefe dos restaurantes japoneses em geral – e dos rodízios em particular, onde o consumo por cliente é à vontade. Só o Djapa em Moema compra 4 toneladas de salmão por mês. O aumento do preço do salmão representa R$ 64.000,00 a mais nos custos do restaurante. Mesmo assim, o empresário não vê margem para repassar o custo ao cliente. O preço do rodízio no Djapa custa R$ 85 no jantar e aos finais de semana e R$ 55 no almoço em versão reduzida. Hallage diz que para não ficar no prejuízo, teria aumentar, no mínimo 10% o valor do rodízio.

Caso a situação não se normalize nos próximos dois meses, Hallage acredita que os restaurantes japoneses podem passar por situações ‘muito difíceis’, inclusive muitos fechando as portas. Alguns restaurantes já estão ficando sem peixe. “Além do desabastecimento, pode ser que muita gente não sobreviva se os preços do salmão continuarem neste patamar”, conclui Hallage.

 

LUCI JUDICE YIZIMA

LUCI JUDICE YIZIMA

Jornalista e Fotógrafa
lucijornalismo@hotmail.com
LUCI JUDICE YIZIMA

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