ELEIÇÕES 2012: Aurélio Nomura e George Hato apontam os desafios do prefeito eleito em SP

 

Seis milhões dos 31,7 milhões de eleitores aptos a votar no dia 8 de outubro – data em que houve segundo turno em 50 cidades brasileiras com mais de 200 mil eleitores –  faltaram às urnas, totalizando 19,11% de abstenção, índice que preocupa o TSE (Tribunal Superior Eleitoral. Somente na capital paulista, que elegeu o petista Fernando Haddad, 19,96% dos eleitores, ou 1.722.880 de pessoas deixaram de escolher o futuro prefeito da terceira maior cidade do mundo. Os votos brancos somaram 4,34% do total (299.224 votos) e os nulos chegaram a 500.578 (7,25% do total).

 

Presidenta Dilma Roussef e Prefeito Eleito Fernando Haddad (foto: Agência Brasil)

 

“É um fato que chama a atenção, pois Fernando Haddad foi eleito somente com os votos de um terço dos eleitores paulistanos”, destaca o vereador reeleito Aurélio Nomura (PSDB). “Se somarmos os votos do [José] Serra mais os votos dos eleitores que não compareceram, que votaram branco ou anularam, teremos mais de 5 milhões de votos”, conta Nomura, explicando que os paulistanos optaram por Haddad ao cargo majoritário em São Paulo, “mas definitivamente ele não é aquele candidato que todos esperavam”.

Para o tucano, a vitória do petista mostra que os eleitores apostaram “no novo”. “Até o próprio [Celso] Russomanno [PRB], que ficou em terceiro lugar no primeiro turno recebeu uma votação considerável. Temos outro exemplo na Marina [Silva, ex-senadora, ex-ministra do Meio Ambiente e ex-candidato à Presidência da República]. Isso mostra que os eleitores querem alternância. Mas não basta ter apenas uma cara nova, é preciso também ter propostas novas”, afirma Nomura, lembrando que “prova disso é renovação da Câmara Municipal para a próxima legislatura, em cerca de 40% – uma das maiores dos últimos tempos”.

Sobre a derrota de Serra, o vereador nikkei concorda, em parte, com a tese do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de que o que ocorreu com o PSDB em São Paulo foi “fadiga de material”. “Nos últimos dez anos, Serra se candidatou cinco vezes a cargos majoritários. Apesar de ser excepcional e competentíssimo, chegou num ponto que não dá mais. Seu nome não entusiasma mais o eleitorado, que está cansado e busca novas propostas”, diz Aurélio Nomura, acrescentando que “outro erro foi se aproximar do atual prefeito”. “Ele [Gilberto Kassab] está deixando o governo com uma taxa de reprovação muito alta. Automaticamente, estar próximo significa reconhecer os acertos, mas também os erros”, avalia Nomura, que prevê dificuldades para o prefeito eleito cumprir suas promessas de campanha.

Entre as propostas apresentadas por Haddad durante a campanha estão a implantação de mil novos leitos hospitalares, a construção de três novos hospitais e a criação do bilhete único mensal para o transporte público, além de melhoria da qualidade do ensino fundamental e a ampliação do atendimento à educação infantil.

“Hoje, 13% do orçamento da Prefeitura está comprometido para pagamento da dívida de São Paulo com a União. Boa parte do orçamento da Prefeitura nos próximo três anos está comprometido com contratos assinados pelo atual prefeito. Isso quer dizer que São Paulo vai precisar de 6 a 7 bilhões nos próximos três anos sendo que o investimento é entre 1 e 2 bilhões. Ou seja, a Prefeitura vai precisar de dinheiro novo. Onde ele vai buscar o restante?”, indaga Nomura, lembrando que “historicamente os investimentos em São Paulo deixam a desejar”.

O prefeito eleito tem dito que espera traçar parcerias com o governo federal para alcançar as metas apresentadas durante as eleições. Segundo ele, na próxima semana, será montado um grupo de trabalho para definir ações conjuntas em áreas como educação, saúde, habitação e transporte público.

“Proporcionalmente, São Bernardo do Campo recebe mais investimentos que a cidade de São Paulo. Será que o resto do país vai aceitar isso [que São Paulo receba mais investimentos]?”, questiona Nomura, que acredita que Haddad terá a maioria na Câmara Municipal, com mais de 40 vereadores, “incluindo pessoas ligadas ao Kassab”. “De oposição, só o PSDB, o PSOL e, talvez, o PPS”, disse Aurélio Nomura

 

Feirantes – Um dos partidos aliados será o PMDB, do vice-presidente da República Michel Temer e do candidato derrotado à Prefeitura, Gabriel Chalita. Entre os quatro vereadores eleitos está o médico George Hato, que considerou a vitória de Haddad “interessante”.

“Foi bom porque São Paulo precisava mudar. O atual prefeito está judiando muito dos feirantes e dos comerciantes”, justificou George, cujo partido declarou apoio ao candidato petista no segundo turno.

“Para minha estreia na vida pública ficar completa o ideal seria a vitória do Chalita, mas o apoio ao Haddad vai render bons frutos até porque, assim como o Chalita, o Haddad também tem ficha limpa”, conta George, que espera que uma das prioridades do prefeito eleito seja a área da saúde. “A situação está caótica. O Haddad vai dar um jeito nisso”, afirmou.

(Aldo Shiguti)

 

 

 

 

 

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