ELEIÇÕES 2012: Nomura e Kamia preveem dificuldades; Hato e Kobayashi confiam no sobrenome

 

Começou, enfim, a corrida eleitoral. Oficialmente, a campanha para quem conseguiu passar pelo primeiro teste – as convenções partidárias que definiram os candidatos a prefeito, vice e vereador nas eleições municipais de 7 de outubro – teve início no dia 6 de julho. De acordo com o calendário, os Juízos Eleitorais tem até o dia 5 de agosto para julgar todos os pedidos originários de registro, inclusive os impugnados. Somente na capital paulista, os 8.619.230 aptos a votar devem escolher o sucessor de Gilberto Kassab (PSD) entre 12 candidatos. A disputa também promete ser acirrada entre os 1.192 candidatos a vereador que concorrem a uma das 55 vagas que serão abertas na Câmara Municipal de São Paulo, a maior casa legislativa do país. Entre eles, 30 postulantes têm sobrenome japonês. Dois, Aurélio Nomura (PSDB) e Ushitaro Kamia (PSD) buscam a reeleição. Na relação, há nomes bastante conhecidos, como o de Victor Kobayashi (PSD) e Masataka Ota (PSB), e outros que estão surgindo agora no cenário político, como George Hato (PMDB).

 

candidatos a vereador em São Paulo (foto: divulgação)

 

Aurélio Nomura, Victor Kobayashi e George Hato têm em comum, além da vocação para a política, sobrenomes tradicionais. Filho do deputado estadual Jooji Hato (PMDB) – um dos políticos mais experientes de São Paulo – George Hato, que também elegeu a Medicina – assim como o pai – como profissão, não só confia como aposta na transferência de votos.

“Dizem que um político consegue transferir algo em torno de 20% de seus votos para outro, é lógico que eu vou brigar para ter o máximo”, explica George, lembrando que seu pai  obteve 40 mil votos em 2008 e cerca de 70 mil em 2010.

“Tenho trabalhado também meu próprio público, formado por jovens, esportistas, skatistas e pessoas que são contra a violência”, conta George, que critica a quantidade de candidatos nikkeis. “Como sempre, a comunidade nipo-brasileira tem muitos candidatos e isso acaba pulverizando os votos”, reclama o peemedebista, para quem “todos os 110 candidatos” da coligação São Paulo em 1º Lugar (PMDB, PSC, PTC e PSL), “não tem rejeição”. “Isso me dá chance de emplacar porque a briga fica dentro do partido”, acredita George Hato.

 

George Hato acompanha Michel Temer durante visita ao Festival do Japão (foto: Aldo Shiguti)

 

Para o vereador Aurélio Nomura (PSDB), que busca a reeleição, a conta é mais complicada. Dos 30 candidatos tucanos que integram a coligação Avança São Paulo – formada ainda por PSD, PR, DEM e PV, “pelo menos 10 têm grandes chances de se eleger”.

“Precisamos ter muitos, mas muitos votos. Na verdade, eu acho que cada vez a gente tem mais dificuldades, principalmente na vereança. Para se ter uma ideia, estão se falando em linha de corte na faixa dos 35 mil votos”, calcula Nomura, que na eleição de 2008, ainda no PV, obteve 19.375 votos que o colocaram como primeiro suplente do partido.

Para atingir a cota, Aurélio Nomura explica que precisará diversificar suas ações políticas “não só em um determinado segmento”. “As ações terão que ser em vários segmentos e em várias regiões”, diz Nomura, afirmando que “esta será uma das eleições mais difíceis que já participei”.

 

Aurélio Nomura ao lado de Geraldo Alckimin e José Serra no Festival do Japão (foto: Aldo Shiguti)

 

 

Número excessivo – Nesse caso, segundo ele, para garantir uma margem segura, vale dar expediente fora do horário.“Venho trabalhando aos sábados, domingos e feriados”, garante o tucano, acrescentando que já estava esperando um cenário como esse. “Ampliamos nossa área de atuação, mas a situação está pior do que imaginava”, admite Nomura, destacando que a comunidade nipo-brasileira tem “quatro ou cinco” candidatos como chances de serem eleitos, sendo “três na mesma coligação”. “Está muito cedo para se fazer uma avaliação, mas a campanha de cada um é que vai decidir. Mas esperamos eleger o maior número de representantes possível”, afirma Nomura.

Quem também prevê uma eleição muito desgastante é o vereador Ushitaro Kamia (PSD), que também busca a reeleição. Para Kamia, além do número excessivo de candidatos, de uma forma geral, “a própria legislação eleitoral, que está muito rígida, dificulta o nosso trabalho”.

“Pelo que estamos sentindo, esta eleição promete ser bem mais difícil que as anteriores. No fundo, o fato de a legislação eleitoral colocar uma série de impedimentos e restrições até que é bom, pois já funciona como uma pré-seleção”, argumenta Kamia, que minimiza a relação de candidatos nikkeis. “Todos têm o direito de concorrer, cabe a própria comunidade avaliar e fazer a sua seleção”, conta Kamia, que acha arriscado fazer um prognóstico pelo fato de integrar um partido que disputa as eleições pela primeira vez.

 

Serra, Kassab e Kamia com representantes da comunidade okinawana (foto: Aldo Shiguti)

 

Assim como Aurélio Nomura, o vereador Ushitaro Kamia também trabalha com uma lista de corte acima dos 35 mil votos. Para ele, com 40 mil será possível garantir a reeleição. “Na eleição passada, teve vereador que entrou com 25 mil votos”, lembra Kamia, calculando que, dos 29.915 votos recebidos na última eleição, cerca de 60% vieram de eleitores nikkeis.

 

Copa do Mundo – Filho do professor e deputado Paulo Kobayashi (1945-2005), Victor Kobayashi demonstra confiança e tranqüilidade para encarar as urnas pela terceira vez. Em 2008, em sua estreia na política, obteve cerca de 15 mil votos para vereador, o que o colocou na condição de suplente – em 2011 assumiu o mandato por 31 dias. Em 2010, concorreu a uma vaga para a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e conseguiu 49.671 votos.

Desta vez, “me considero mais capacitado para postular uma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo e representar não só a comunidade nikkei como também os eleitores de uma forma geral junto às entidades e órgãos governamentais”.

“Todo o meu trabalho está se consolidando através de resultados positivos perante a sociedade brasileira”, diz Kobayashi, explicando que, “como fundador do Instituto Paulo Kobayashi, não parei de trabalhar, mesmo sem mandato”.

 

Victor Kobayashi acompanha Serra no Tanabata Matsuri (foto: divulgação)

 

Para Kobayashi, o fato de não ser “candidato Copa do Mundo”, é motivo de segurança. “Em quatro anos, consegui fazer o que muitos vereadores não conseguiram pois muitos projetos se tornaram realidade”, diz Kobayashi, que explica a mudança de partido – do PSDB para o PSD.

“Não mudei de partido por mudar. Assim como meu pai fez história ajudando a construir o PSDB também estou fazendo história ao participar da construção de um novo partido”, assegura Kobayashi.

 

 (Aldo Shiguti)

 

 

Veja a lista de candidatos

 

 

 

 

 

 

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