ELEIÇÕES 2012: Resultado em SP traz ‘alívio’ para a comunidade, mas acende ‘sinal de alerta

 

Encerrada a apuração para vereador na capital paulista, a comunidade nipo-brasileira, enfim, respirou aliviada. “O resultado em São Paulo, de um modo geral, representa uma vitória da cidadania, da ética na política que proporcionou uma renovação de 40% na Câmara Municipal o que, de certa forma, evidencia um amadurecimento do eleitor”, analisa o jurista Kiyoshi Harada, que em setembro deste ano coordenou o Encontro com Candidatos ao Cargo de Vereador da Câmara Municipal, evento organizado pelo Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social) em parceria com a Associação Brasileira de Ex-Bolsistas do “Gaimusho Kenshu-sei”.

Mas ressalva: “Como tudo, a democracia traz algumas coisas boas e outras ruins. O Victor Kobayashi [que concorreu a uma vaga à Câmara Municipal pelo PSD], que era uma pessoa bem preparada, foi superado por outros que nem conhecemos direito seu programa, mas acabaram eleitos pelo solgan ou pela imagem. São coisas que fazem parte do jogo democrático”, avalia Harada, acrescentando que a reeleição de Aurélio Nomura (PSDB) “já era esperado”. “Foi uma afirmação que a ética na política vale a pena, afinal, ele foi reeleito pela quinta vez”, justificou Harada, para quem a comunidade nipo-brasileira ainda tem forças para eleger seus representantes, seja para a Câmara Municipal, Assembleia Legislativa ou Câmara dos Deputados.

 

Harada: Política é a arte que abre as portas para todas as atividades (foto: Jiro Mochizuki)

 

No caso da eleição para vereador, segundo ele, “houve uma dispersão, com outros candidatos tendo votações inexpressivas”. Para Harada, no entanto, “a comunidade tem que se empenhar mais”. “A imagem que nikkei não se envolve em política tem que acabar. Política é a arte que abre as portas para todas as atividades”, destaca Harada, que elogiou a postura adotada pelo Jornal Nippak. “A imprensa teve um papel muito positivo nessa eleição”, afirmou.

Quem também respirou aliviado foi o presidente do Bunkyo, Kihatiro Kita. “Ter três representantes na Câmara Municipal era o número que já estávamos esperando”, admite Kita, acrescentando que “na pior das hipóteses esperávamos igualar a atual bancada, com dois vereadores”. “Desastre total seria se não tivéssemos nenhum”, comenta Kita, destacando que “o ideal seria elegermos cinco representantes”. “Se souber trabalhar, a comunidade nikkei tem potencial para isso. O Ushitaro Kamia e o Victor Kobayashi, por exemplo, também tinham condições de se elegerem”, garante.

Entenda-se por “se souber trabalhar”, explica Kita, uma maior conscientização dos próprios eleitores nipo-brasileiros de que é importante eleger representantes. “Agora, é só esperar que os eleitos cumpram um bom papel de defender não só a comunidade nipo-brasileira, como toda a sociedade, melhorando a qualidade de vida dos paulistanos. Fazendo isso, eles já estarão honrando a raça oriental”, destaca Kita.

 

Kihatiro Kita o ideal seria elegermos cinco vereadores (foto: divulgação)

 

 

Alerta – Para o deputado federal suplente Walter Ihoshi (PSD-SP), “o resultado foi bom, mas poderia ter sido melhor”. “Eleger três entre cinco que tinham possibilidades reais mostra que as campanhas foram bem encaminhadas”, disse Ihoshi, que apoiou as candidaturas de Victor Kobayashi e Ushitaro Kamia, ambos do PSD. “Eles estavam bem, cada um em seu segmento”, lamentou Ihoshi, que concorda com a linha de raciocínio adotada por Harada que a comunidade “poderia ajudar mais se houvesse um grau de mobilização maior”.

 

Para Walter Ihoshi, acendeu o sinal de alerta (foto: divulgação)

 

O deputado, porém, faz questão de “isentar” a comunidade de “responsabilidades”. Para ele, hoje não se pode vencer uma eleição contando somente com votos dos eleitores nikkeis. “Precisamos da comunidade, mas não podemos depender só dela. O ideal é fazer um mix, ou seja, trabalhar também os votos fora, como fez o Aurélio Nomura, que teve o apoio de José Aníbal [deputado federal licenciado pelo PSDB-SP e atual secretário de Energia do Estado de São Paulo]. Trata-se de uma constatação realista”, afirma Ihoshi.

“As eleições estão cada vez mais difíceis. No meu caso, por exemplo, a segunda foi bem mais difícil que a primeira”, explica, garantindo que “o tempo de fazer campanha só com voluntários acabou”. “É preciso pensar em termos mais profissionais”, destaca Ihoshi, que já ligou o “sinal de alerta” para a próxima eleição. “Essa eleição acendeu o sinal amarelo e é preciso repensar a estratégia desde já”, afirmou.

(Aldo Shiguti)

 

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2 Comments

  1. Na eleição passada Aurelio Nomura foi “injustamente” preterido pelo partido mas, com paciência e com sabedoria soube chegar de suplência ao cargo. Nesta eleição, mais uma vez, suplantou-se a falta de organização das representações da comunidade nikkei que deveria liderar e definir – com sabedoria e sem falsa democracia – aqueles candidatos que previamente tenham condições de serem representantes – por um lado – pela experiência verdadeira e pela representatividade legitima (nao basta ter isto ou aquilo como rewferência, PRECISA SER. Isto muda o rumo das coisas desde o inicio.
    Eu que acompanhei mais de perto a campanha do Nomura (desde a eleição passada) acredito que a força de um secretário de Estado nao tenha sido definidor de vitoria do Aurelio Nomura.Pode ajudar sim, mas pode atrapalhar também, dependendo do nivel de rejeição que este ou aquele politico tenha.
    Conheço tanto o Aurélio, quanto o Vitor e o Kamia. São pessoas de meu relacionamento. Do Minami de Sao Bernardo de Campo nem se fala (é meu irmão) . Dos outros prefiro nao falar …

    Esta experiencia repete aquela eleição onde nem Paulo Kobayashi (federal) e nem Minami, Ihoshi, Nomura e nem tampouco Hanashiro chegaram a estadual e a comunidade, nao teve siquer um nikkei.

    Precisamos aperfeiçoar mecanismo para evitar aventureiros que chegam a ironizar as suas proprias candidaturas.

    Issao Minami

  2. Vejo um sinal de alerta para os deputados Walter Ihoshi e William Woo. Ihoshi apoiou Kamia e Kobayashi e Woo, Kobayashi. Nem Kamia e nem Kobayashi, apesar dos apoios, foram eleitos. Pode ser sinal de enfraquecimento dos nossos dois nobres deputados.

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