ELEIÇÕES 2012/SÃO PAULO: Para candidatos nikkeis à Câmara Municipal de SP, campanha será mais curta e cara

 

A praticamente dois meses das eleições que definirão prefeitos, vices e vereadores em 5.568 municípios brasileiros, a campanha parece ainda não ter esquentado. Pelo menos para os candidatos a uma das 55 vagas à Câmara Municipal de São Paulo. Culpa, em parte, pelos Jogos Olímpicos de Londres. E também pelo “desinteresse nato” dos brasileiros quando o assunto é política.

Para os nikkeis que já contabilizam passagem pela maior casa legislativa municipal do país, a campanha deste ano será realmente mais curta, e também mais cara. “Este ano, a falta de definição do Tribunal Regional Eleitoral em relação à documentação dos candidatos também atrapalhou um pouco”, conta o vereador Ushitaro Kamia (PSD), que busca a reeleição.

 

Lixo eleitoral (foto: divulgação)

 

Para ele, a campanha começará, “para valer”, a partir da segunda quinzena de agosto,quando toda a situação for regularizada. “Será uma campanha bem mais curta, de pouco mais de um mês”, prevê Kamia, que estima também um gasto entre 80 e 90% maior do que em relação a 2008.

E, para piorar, Kamia explica que os recursos se tornaram escassos com o escândalo do Mensalão. Neste cenário, conta, o candidato precisa usar a criatividade e apelar para os 3 “s”: santinho, saliva e sola de sapato. “E suor também, porque estamos andando muito”, observa.

“Não só na região central como também na periferia”, completa o também candidato à reeleição, Aurélio Nomura, do PSDB. “A maioria dos candidatos está sem dinheiro porque a questão do Mensalão inibiu as empresas de fazerem doações. Com a falta de recursos não podemos terceirizar nossa campanha, ou seja, temos que estar presente em todos os lugares. É amassar barro mesmo”, diz Nomura, explicando que “a campanha deste ano está até 50% mais cara”. “Estamos gastando mais para fazer uma campanha mais baixa porque muitos candidatos inflacionaram”, alega Nomura, que também espera que o horário eleitoral gratuito “chame a atenção dos eleitores”. “Tem muita gente que ainda não sabe que daqui a dois meses teremos uma eleição municipal”, contao vereador, que vê uma disputa atípica também para o cargo majoritário.

 

Campanha eleitora toma toda a praça pública (foto: divulgação)

 

“Nas eleições passadas havia uma polarização. Nesta eleição temos uma situação diferente, com muitos candidatos fortes à Prefeitura”, justifica o tucano, que se diz “frustrado” com a candidatura do petista Fernando Haddad. “Já era para ele (Haddad) estar com dois dígitos”, observa Nomura, referindo-se a última pesquisa de intenção de voto sobre a Prefeitura de São Paulo que coloca o candidato do PT com 6%, atrás de José Serra (PSDB), com 26% das intenções de voto, Celso Russomanno (PRB), com 25% e Soninha (PPS), com 7%.

Em contrapartida, Nomura destaca que se esperava uma queda dacandidatura Russomanno. “No entanto, ele vem mantendo”, explica ele, acrescentando que o candidato da coligação Avança São Paulo, José Serra, “tem tido uma acolhida excepcional”.

 

Diferencial – Victor Kobayashi, que concorre pelo PSD, concorda, mas ressalva: “Tenho um eleitorado mais focado, que já está em clima de eleição”, destaca ele, para depois explicar. “Meu grande diferencial em relação aos outros candidatos é que continuo desenvolvendo ações sociais mesmo quando não tem eleição”, conta Kobayashi, lembrando que em 2005 fundou o Instituto Paulo Kobayashi (IPK), uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). “Tivemos eleições em 2008 e em 2010, mas continuamos desenvolvendo projetos sociais em 2009 e em 2011, ou seja, a gente não para”, garante Kobayashi, que destaca também que tem “colado” sua campanha com a do candidato ao cargo majoritário. “No último fim de semana, estive com o Serra na Festa da Nossa Senhora de Achiropita e na Festa da Cerejeira do Parque do Carmo. Além disso tenho levado nosso candidato nos principais eventos da comunidade nikkei e a receptividade tem sido muito positiva”, assegura Kobayashi, para quem o horário eleitoral gratuito “influenciará ainda mais o clima”. “Mas a nossa campanha já começou”, destaca.

 

(Aldo Shiguti)

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