ELEIÇÕES 2014: Candidatos nikkeis veem eleitores ‘desmotivados’, mas chegam ‘animados’ e ‘confiantes’ na reta final

Neste domingo, 5, cerca de 143 milhões de brasileiros aptos a votar irão às urnas em 5.570 municípios para eleger seus representantes para os próximos quatro anos. Em todo país, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são cerca de 17 mil candidatos a deputado estadual e pouco mais de 7 mil concorrentes a uma das 513 cadeiras para a Câmara dos Deputados, além de 1028 candidatos a deputado distrital.

Candidatos nikkeis participaram de Encontro realizado pelo Bunkyo e Gaimusho no último dia 20 (foto: Aldo Shiguti)

Candidatos nikkeis participaram de Encontro realizado pelo Bunkyo e Gaimusho no último dia 20 (foto: Aldo Shiguti)

No Estado de São Paulo, são 2.127 candidatos a deputado estadual para 94 cadeiras à Assembleia Legislativa, o que representa quase 23 candidatos por vaga. Para a Câmara dos Deputados os 1.485 candidatos a deputado federal disputam 70 vagas, uma média de 21 candidatos por vaga.

Jooji Hato (foto: Jiro Mochizuki)

Jooji Hato (foto: Jiro Mochizuki)

A disputa é acirrada também entre os candidatos nipo-brasileiros. São 33 disputando uma cadeira para a Assembleia Legislativa paulista e outros 35 pleiteando uma vaga a deputado federal. Para ser aprovado neste concorrido “vestibular” – o das urnas – o trabalho tem sido intenso.

Nesta reta final da campanha, a luta chega a ser insana. Até esta sexta-feira (3), o candidato Mauricio Miyasaki (PSB) terá visitado cerca de dois mil comércios, principalmente na região Leste da capital paulista, onde fica sua base eleitoral. “Apesar de certa desmotivação dos eleitores, a resposta tem sido muito positiva”, afirma Miyasaki.

Miyasaki: corpo a corpo (foto: Jiro Mochizuki)

Miyasaki: corpo a corpo (foto: Jiro Mochizuki)

Para o deputado estadual Hélio Nishimoto (PSDB), que busca sua reeleição, a tarefa também tem sido árdua. “Até o último dia de campanha estaremos intensificando o corpo a corpo e divulgando nosso trabalho nas redes sociais”, explicou Nishimoto, afirmando que está “animado com a receptividade de amigos e novos conhecidos”.

Helio Nishimoto: novos amigos (foto: Jiro Mochizuki)

Helio Nishimoto: novos amigos (foto: Jiro Mochizuki)

“No meu caso, a dificuldade maior foi a de arrecadar recursos financeiros por causa das manifestações do ano passado, que acabaram manchando ainda mais a imagem dos políticos”, conta o deputado, acrescentando que “felizmente, conquistei muitos amigos nesses quatro anos de mandato e pude ampliar minha base eleitoral”.

Indiferentes – Quem também chega animado nesta reta final é o candidato a deputado federal do PV, William Woo. “Animado, mas ansioso”, reforça Woo, que volta ao cenário político após quatro anos ausente.

William Woo: palestras (foto: Jiro Mochizuki)

William Woo: palestras (foto: Jiro Mochizuki)

“Deixei o cargo de diretor de Projetos Especiais de um dos maiores grupos de eletrônica para ser postulante à Câmara dos Deputados, um desejo pessoal”, justifica Woo, afirmando que sentiu que os eleitores estão desmotivados “não só com a classe política, mas com as instituições de forma geral”.

“Nas outras campanhas, recebíamos manifestações mesmo que negativas. Desta vez, nem isso está ocorrendo”, diz William Woo, explicando que “antes era revolta, hoje os eleitores estão indiferentes, o que é pior”.

“Muita gente ainda nem se deu conta que neste domingo teremos eleições”, comenta o candidato, acrescentando que tem procurado reverter esse quadro com muita conversa. “Tenho me dedicado muito a palestras e quando tenho oportunidade tenho pregado o voto consciente. Tento passar para que no dia 5 de outubro as pessoas vão às urnas para votar e escolher seus representantes de forma consciente, que não votem em branco nem justifiquem pois esses sentimentos acabam produzindo efeitos indesejáveis”, diz Woo, destacando que os eleitores do interior estão mais interessados em buscar informações sobre os candidatos do que os eleitores da Grande São Paulo.

Redes sociais – O candidato a deputado federal Junji Abe (PSD) é outro que se diz animado. “Trabalhei sem parar usando todos os mecanismos que a campanha nos proporciona. Desde a distribuição de fôlderes e visitas em bairros a reuniões em indústrias”, explica Abe, acrescentando que nas últimas semanas também intensificou o corpo a corpo. “Foi cansativo, com certeza, mas fico feliz com a receptividade que tive não só em Mogi das Cruzes como também em outras regiões que costumo visitar, como o Vale do Ribeira”, destaca.

Jumji Abe: redes sociais (foto: Jiro Mochizuki)

Jumji Abe: redes sociais (foto: Jiro Mochizuki)

Para Junji Abe, a economia – “que mexeu no bolso dos brasileiros” – e a participação pífia do Brasil na Copa do Mundo – “que deixou os torcedores mal humorados” – influenciaram negativamente nesta eleição. “Tenho dito que não podemos votar com esse sentimento de revolta pois corremos o risco de elegermos pessoas erradas”, diz Junji Abe.

120 municípios – Em busca de seu terceiro mandato como deputado federal, o candidato Walter Ihoshi (PSD) afirma que pretende trabalhar “até o último dia de campanha com bastante confiança”.

Ihoshi: até o último dia (foto: Jiro Mochizuki)

Ihoshi: até o último dia (foto: Jiro Mochizuki)

“Depois de dois mandatos e muito trabalho, com muitos projetos realizados na Capital e no interior, chego nesta reta final bastante animado e confiante”, diz Ihoshi, explicando que “todas as campanhas são difíceis.

“No entanto, particularmente senti essa campanha diferente, com os eleitores mais reticentes em votar, principalmente nos candidatos a cargos proporcionais”, destaca Ihoshi, afirmando que outra dificuldade foi trabalhar com poucos recursos. “Procurei contornar a falta de recursos usando as redes sociais, uma ferramenta interessante para manter contato e divulgar projetos e que a cada eleição ganha mais importância”, justifica o deputado, que até o dia da eleição terá visitado cerca de 120 municípios paulistas – na terça-feira (30) ainda faltavam 20.

Em suas andanças, Ihoshi disse que o clima de desmotivação entre eleitores é “geral”, tanto na Capital como no interior. “Existe uma grande perspectiva de termos muitos votos em brancos e nulos nessa eleição”, conta Ihoshi, afirmando que a “desconfiança” é menor entre os eleitores nipo-brasileiros.

“A aceitação é maior entre os eleitores nikkeis até pela identidade e também pela proximidade que temos com eles, especialmente aqueles que fazem parte de kaikans e kenjinkais, que conhecem nosso trabalho”, explica Walter Ihoshi.

(Aldo Shiguti)

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