ELEIÇÕES 2016: ‘A comunidade contribui muito para a riqueza de SP’, diz Marta

Segunda colocada na corrida à Prefeitura de São Paulo, a candidata do PMDB, Marta Suplicy, disse que, se vencer as eleições, pretende ir ao Japão com o intuito de atrair investimentos para a cidade de São Paulo. “Como prefeita tive o prazer de fazer uma viagem ao Japão em companhia do senhor Hirofumi Ikesaki [presidente da Acal – Associação Cultural e Assistencial da Liberdade] e muito provavelmente devo fazer uma nova visita ao lado de empresários nipo-brasileiros”, disse Marta, afirmando que essa, porém, não é a única forma de promover parcerias. “Nós temos uma comunidade nikkei aqui em São Paulo que é muito forte financeiramente e que também pode nos ajudar”, disse Marta, acrescentando que “isso não está sendo aproveitado como deveria”. “Nós vamos nos aproximar mais desta comunidade que é muito importante para São Paulo”, destacou.

 

Marta pinta um dos olhos do daruma observada por Hirofumi Ikesaki, Victor Kobayashi e George Hato. Foto: Jiro Mochizuki

Marta pinta um dos olhos do daruma observada por Hirofumi Ikesaki, Victor Kobayashi e George Hato. Foto: Jiro Mochizuki

 

A declaração foi feita no último dia 14, durante visita da senadora ao bairro da Liberdade, onde fez campanha ao lado dos candidatos nikkeis à Câmara Muncipal, Victor Kobayashi (PSD) e George Hato (PMDB). Marta conversou com o presidente da Acal, cumprimentou eleitores, entrou nas lojas e fez duas paradas mais longas. A primeira na loja Ikesaki, onde cumpriu o ritual de pintar um dos olhos do daruma. A outra,  na pastelaria Yoka, na Rua dos Estudantes, onde bebeu água e saboreou um pastel. A candidata encerrou sua visita ao Bairro Oriental após conceder uma entrevista coletiva aos jornalistas que cobrem o dia a dia dos “prefeituráveis” ali mesmo, na rua.

Antes de inciar sua caminhada, no entanto, Marta concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal Nippak no Restaurante Banri, na Rua Galvão Bueno. Segundo ela, a visita ao tradicional Bairro Oriental, “um dos mais importantes de São Paulo, além de estar no centro da cidade”, deve-se, em parte, ao seu carinho pela comunidade nipo-brasileira. E também para ouvir as reivindicações de moradores e comerciantes da região.

 

A candidata experimentou pastel durante a visita ao Bairro Oriental. Foto: Jiro Mochizuki

A candidata experimentou pastel durante a visita ao Bairro Oriental. Foto: Jiro Mochizuki

 

Moradores de rua – Para ela, a questão da segurança – uma de suas prioridades – também é uma preocupação constatada nas ruas, principalmente no centro. “Conversando com a comunidade, a questão da segurança aflora e nós vamos responder a esse anseio. Pretendemos criar a Guarda Presente, com mais de mil guardas municipais”, revelou a candidata, explicando que a prioridade será o centro. “Depois vamos expandir sua atuação para as regiões mais violentas, além de hospitais e portas de UBS [Unidades Básicas de Saúde]”, disse Marta, que também explicou como pretende lidar com outras duas reclamações dos comerciantes e moradores do bairro: os moradores de rua e o comércio ambulante.

 

Desafios – “Diria que na cidade de São Paulo nós temos três grandes desafios: a falta de segurança, a sujeira e os moradores de rua. Em relação ao comércio ambulante já tive uma longa experiência com eles. Você tem que conversar e ver o que é possível negociar. Quem tem TPU [Termo de Permissão de Uso] permanecerá e aqueles que não tiverem autorização serão retirados, como fiz da outra vez. Agora, o mais importante é o respeito, ou seja, saber negociar para chegar a um bom entendimento”, observou a candidata, que alfinetou a gestão do petista Haddad na condução da questão dos moradores de rua.

“Tenho lido as entrevistas da atual administração, mas do lado de fora é difícil saber exatamente o que está acontecendo nos abrigos. Dizem que têm muitos abrigos e que as pessoas não vão. Nós vamos acolher as pessoas de forma humana, mas não vamos deixar barracas nas ruas, isso nós não vamos”, disse Marta, que considera esta questão “um grande desafio”. “É preciso lidar com o problema de forma digna, dando cidadania e respeitando os direitos das pessoas. Sabemos que muitos deles têm transtornos mentais e outros são dependentes químicos, que para eles já temos um encaminhamento, diferente do Braços Abertos [programa implementado pela Prefeitura em 2014 na região da Luz]. Nós não podemos retirá-los das ruas, mas podemos criar outros espaços e impedir que instalem barraquinhas”, explicou Marta, afirmando que “o primeiro foco será o centro”.

 

Compromisso – “O centro é a alma e o coração de uma cidade. Em qualquer lugar do mundo, o centro é o primeiro lugar que as pessoas procuram e hoje o centro de São Paulo espanta as pessoas. Isso quando elas são aconselhadas a não visitarem o centro de tão feio e degradado que está”, disse a senadora, que para isso espera contar com apoio do candidato a vice-prefeito, Andrea Matarazzo (PSD).

“O Matarazzo tem uma experiência grande como administrador (já foi subprefeito da Sé) e temos uma visão muito compartilhada do que tem que ser feito. Ele vai se dedicar integralmente a esta questão com o compromisso de em seis meses termos um centro digno de São Paulo”, disse Marta, que também pretende usar sua própria experiência acumulada nos Ministérios do Turismo e da Cultura.

“Foram experiências que me ajudaram muito nesses últimos anos. Isso me abriu uma visão diferente – e olha que eu já tinha uma cabeça bem viajada e cosmopolita – mas quando você ocupa estes cargos, percebe outras avenidas de possibilidades, de convênios de ações que nem foram tão implementadas nem tão procuradas”, revelou, lembrando que, “quando prefeita, peguei uma época muito mais difícil”.

“Como costumo brincar, a Prefeitura estava devastada por um bando de gafanhotos, parecia que não tinha sobrado nada em pé”, explicou Marta, afirmando que, como ministra do Turismo, teve oportunidade de visitar grandes feiras e eventos internacionais. “Vi como armar feiras em apenas um dia. Aqui demora dois ou três. Uma cidade como São Paulo não pode ficar sem grandes eventos e aí a comunidade japonesa tem essa possibilidade muito diferenciada porque, como é uma cultura que as pessoas se sentem atraídas, tem como se impor. E nós podemos potencializar muitos eventos em conjunto com a comunidade japonesa”, observou Marta, que comparou a visita ao bairro da Liberdade à mesma sensação de uma viagem.

 

Integração – “As pessoas gostam de vir aqui não só porque remete ao Oriente, mas também pelas compras e por ser dinâmico. É um bairro que contribui muito para a cidade, mas também tive oportunidade de visitar outras festas japonesas [Marta esteve no Festival do Japão, realizado em julho no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center, e no Okinawa Festival, na Vila Carrão] e achei todas muito bonitas. Isso é importante não só porque traz a cultura do país de origem para São Paulo como também é uma forma de se prestar uma homenagem aos seus ancestrais. Acho que a riqueza da cidade de São Paulo tem muito a ver por ser uma cidade cosmopolita, uma cidade onde todos são acolhidos. Aqui tem libaneses, italianos (como eu), alemães, nordestinos, portugueses… É isso que faz a cidade de São Paulo ter essa característica. E a comunidade japonesa contribui muito para isso em todas as áreas porque hoje são cidadãos totalmente integrados à socidade brasileira”.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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