ELEIÇÕES 2016/OPINIÃO: A importância da escolha acertada nas eleições que se aproximam

Jurista Kiyoshi Harada

 

Estamos a poucos dias das eleições que irão escolher os Vereadores da Câmara Municipal da maior cidade da América Latina.

Para explicar meu voto é preciso fazer um exame crítico da realidade nacional.

 

“Estamos vivendo a pior crise político-institucional do país”. Foto: Arquivo Pessoal

“Estamos vivendo a pior crise político-institucional do país”. Foto: Arquivo Pessoal

 

Nós estamos vivendo a pior crise político-institucional do País, com gravíssimo reflexo na economia que entrou em parafuso, causando o desemprego de 12 milhões de cidadãos ditos comuns, ou de segunda categoria que, juntamente com seus dependentes estão vivendo abaixo da linha da miséria. Enquanto isso, os chamados cidadãos especiais ou de primeira categoria vivem como nababos, esbanjando dinheiro, que não é ganho com sangue, suor e lágrimas, mas, aquele surrupiado dos cofres públicos ou das estatais transformadas em paraísos dos larápios da República. Estão roubando e saqueando tudo que se vê pela frente, sequer respeitando os símbolos nacionais. São compostos por profissionais da política que pulam de galho em galho sempre segurando o tacão do poder, aboletados que estão nos órgãos da administração direta ou indireta e quando fora dela, presidindo institutos que rendem palestras milionárias. Eles fundaram feudos que tomaram conta da nação. Só que não há um xogum para conduzir os senhores feudais; cada um faz o que bem entende dentro do seu feudo. São os males do feudalismo contemporâneo. Maioria dos senhores feudais estão encasquetados como membros de Poder; outros são os ricaços que gravitam em torno deles. Quando eles morrem ou se aposentam vem a surpresa para o cidadão comum: deixaram  herdeiros que continuam na ação de seus antepassados, exercitando um estranho sacerdócio que não exige fé, nem juras de trabalhos e sacrifícios. Apenas, sombra e água fresca!

Esses cidadãos de primeira classe têm tudo que os cidadãos comuns não têm. Eles têm segurança pessoal à custa Estado; não morrem nas filas de hospitais públicos; não precisar andar a procura de remédios de que necessitam nas chamadas farmácias populares; empreendem viagens fantásticas ao exterior em aviões privativos ou em voos de primeira classe, hospedando-se em hotéis cinco estrelas, comendo e bebendo do bom e do melhor, tudo com cartões coorporativos custeados pelos cidadãos comuns; não sofrem em vagões de transportes indignos até para animais, pois dispõem de carros oficiais para transportá-los aos luxuosos gabinetes de “trabalho” extensivos a familiares para fazer compras em supermercados, ou para levar os filhos para estudar nas melhores escolas do País. Às vezes, o uso abusivo de carros oficiais passa dos limites do razoável. Certa feita um jornal estampou a figura de uma luluzinha sentada no banco traseiro de um carro oficial preto, provavelmente  a caminho de um pet shop para fazer um penteado ou uma massagem relaxante, ou então, para retirar as pulgas e piolhos a fim de se compatibilizar com o novo status. Não acreditei no que vi; fiquei um tempão contemplando a foto até me convencer de que se tratava de fato de uma luluzinha da espécie canina.

Esses cidadãos de primeira classe não descansam um dia sequer. Estão sempre trabalhando para o bem da sociedade. Já fizeram mais de 90 emendas à Constituição cidadã  de 1988 procurando cada qual amoldá-la a seus interesses pessoais. Falam da necessidade de cumprir a lei orçamentária, mas aprovam a DRU que desmonta 30% do orçamento aprovado para gastar quando, onde e como quiser, sem as amarras da lei orçamentária. Gastam mais do que as possibilidades das receitas, mas os legisladores visionários elaboram uma proposta de emenda que proíbe a expansão das despesas nos próximos 20 anos. Aprovam as metas fiscais embutidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias após intensos debates, mas,  no final de cada exercício alteram as metas nela fixadas, para se ajustar aos rombos causados no decorrer do exercício que nenhum órgão de fiscalização e controle da execução orçamentária está operando com eficiência para impedir esses desvios. Tudo que fazem é constatar e anunciar ruidosamente o estrago feito. Controle preventivo, nem pensar! Dá muito trabalho e exige agilidade para executar o serviço no seu devido tempo. Melhor deixar para calendas. Assim, as contas são apreciadas após 5 ou 10 anos.

Dentro desse quadro político-administrativo caótico, do quadro econômico gravíssimo em que as indústrias estão fechando por falta de oxigênio, um desses empresários integrantes da primeira classe, que vive à sombra dos profissionais da política, vale dizer, à custa dos cidadãos comuns,  declarou recentemente para a indignação de todos que “não elevar os impostos é uma traição contra o País”. Pimenta nos olhos dos outros não arde, diz a sabedoria popular.

Essa altura os leitores dirão:  então tudo está perdido? Não tem mais solução?  Claro que temos soluções. A esperança é a última que morre. Eu digo que a esperança nunca morre. Do contrário, eu não estaria escrevendo este texto, nem fazendo palestras e concedendo entrevista sobre a política nacional. Digo e repito que todos nós temos o sagrado direito de sonhar, mais do que isso, fazer tornar realidade esses sonhos legítimos que representam a esperança e aspiração da ordeira classe trabalhadora integrada por cidadãos ditos comuns.

Hoje, estamos falando de eleições locais, de Prefeitos e Vereadores e não de Governadores ou de Presidente da República. Mas, o Município é a base da sociedade. É o poder público que está na linha de frente no combate dos males de todas as espécies. É o poder que dá sustentação aos três pilares   que sustentam uma sociedade  democrática: educação, saúde e transporte. São os Municípios que mantêm as creches e escolas do ensino fundamental que definem  a sorte dos demais graus de ensino; são os municípios que propiciam transportes coletivos ainda que claudicantes na atualidade; são os municípios que mantêm unidades de saúde, sendo o SUS mero órgão repassador de parcelas de recursos cabentes aos Municípios. O outro pilar é a segurança pública, onde os municípios não tem o poder de intervir: resultado, os bandidos tomaram conta das ruas e o princípio da autoridade foi para o brejo.

Então meus amigos e caros leitores, se conseguirmos multiplicar o número de políticos do quilate  do saudoso Diogo Nomura, com um passado limpo, honrado, repleto de trabalhos incansáveis no atendimento direto à população, bem como, com um número infindável de propostas legislativas convoladas em lei,  nas áreas da saúde, da educação, dos transportes e também  na área de preservação do meio ambiente, tema que conheceu e dominou como poucos estaremos, com certeza, contribuindo para o desenvolvimento social, minimizando a separação odiosa entre cidadãos de segunda categoria e cidadãos da primeira categoria. Afinal, somos todos cidadãos brasileiros.

Somente o engajamento permanente na política, de  homens  da envergadura e da formação ético-moral do saudoso Deputado Diogo Nomura, que deixou seu legado para seu filho, hoje vereador em São Paulo, será possível construir uma sociedade melhor e mais  justa, extirpando de vez  a corrupção enraizada neste  País e  que repousa em um tripé inseparável: a psicopatia generalizada; a quebra do referencial ético, e a incompetência administrativa como regra para ocupar as posições relevantes na administração pública. É hora de fazer alguma coisa para mudar essa cultura da corrupção que impede de o Brasil ocupar a merecida posição de destaque no cenário internacional.

 

 

 

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