ELEIÇÕES NO BUNKYO: Harumi Goya assume novo mandato e espera maior participação de jovens e ‘ex-jovens’

Um clima de tranquilidade marcou a 152ª Reunião do Conselho Deliberativo do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – que elegeu  a nova Diretoria Executiva, Diretoria do Conselho Deliberativo e o Conselho Fiscal da entidade para a gestão 2017-2019. Realizado no último dia 29 com a participação de 81 conselheiros – sendo 25 por procuração – a chapa da situação “Integração e Progresso”, encabeçada por Harumi Goya, foi reeleita por aclamação, sem nenhuma manifestação em contrário. Na ocasião, também foi aprovado o relatório de atividades e demonstrações financeiras.

 

Kiyoshi Harada, que se depediu do Conselho Deliberativo, e Harumi Goya, eleita para mais um mandato. Foto: Aldo Shiguti

 

A reunião marcou a despedida do jurista Kiyoshi Harada como presidente do Cosnelho Deliberativo. Após três mandatos, ele passou o cargo para Jorge Yamashita. Em seu discurso, Harada agradeceu “a todos os conselheiros que emprestaram sua inestimável colaboração ao longo desses seis anos”.

“Tenho a convicção que demos um passo adiante no cumprimento de um dos objetivos tradicionais do Bunkyo, que é o de fomentar o intercâmbio sociocultural entre o Brasil e o Japão”, disse Harada, que destacou, como exemplo, o lançamento da obra coletiva “Intercâmbio Cultural Brasil-Japão”, escrita por 57 renomados autores paulistanos, contendo 32 capítulos. Segundo Harada, a publicação trouxe “inegavelmente uma visibilidade maior em termos de confronto de duas culturas dos dois países, contribuindo enormemente para o aprofundamento dos laços de amizade que unem Brasil e Japão, dois países de hábitos e costumes completamente diferentes, senão opostos: individualismo de um lado, e o coletivismo de outro”.

“Em outras palavras, abriu-se um caminho virtual de ida dos brasileiros ao país de nossos antepassados que aqui aportaram no inicío do século passado. Abriu-se uma rota virtual permamente por onde são levadas as bagagens culturais do povo brasileiro àquele distante do país do extremo oriente”, explicou ele, lembrando que “nem todos os projetos de nossa iniciativa mereceram concordância dos senhores conselheiros, o que é usual em uma sociedade aberta, pelo que esse fato deve ser aceito com humildade e naturalidade”.

 

Ética – Harada, no entanto, afirmou que “temos a convicção plena de que em todos os momentos agimos com ética, dentro dos padrões tradicionais da cultura japonesa, que tanto diginificam o povo japonês”. “Sem ética, uma pessoa, por mais inteligente, erudita, competente e operosa que seja, somente conseguirá construir um mundo sem sentido, um mundo vazio, desprovido de calor humano, um mundo onde a pessoa somente age para si mesma para satisfação de seu ego, desconsiderando a presença de outros. Em outras palavras, pessoa que agem sem ética não passa de um aventureiro que, ao contrário do trabalhador, tem como lema ‘colher todos os frutos possíveis sem plantar a árvore’”, disse Harada que, em entrevista ao Jornal Nippak, informou que “é comum numa sociedade aberta, você não conseguir emplacar todos os seus projetos porque quando se age com ética não se procura como meta a vitória, o triunfo”.

“Isso é coisa de individualismo, quem age com ética, pensa no coletivo, em não alcançar a vitória mas em remover os obstáculos e construir um mundo com sentido, se possível e na medida da possibilidade, sem forças a barra”.

 

Tatemai – “Esse é o agir do povo japonês, que mira, antes de mais nada, o interesse da coletividade. O japonês tem duas palavras mágicas que bem ilustram o que quero dizer, que é tatemai, uma linguagem social para o público externo, e honne, que é uma linguagem interna, usada no recinto familiar ou no grupo de amigos mais íntimos. Isso evita o confronto, a quebra do wa, a tanquilidade, a paz.

Por isso que o povo japonês não é tão barulhento, está sempre convivendo com a paz”, disse Harada, afirmando que, por outro lado, a falta de ética, “que é uma cultura arraigada na cultura do brasileiro está conduzindo este país a um destastre total”.

“Cada indivíduo está agindo com egoísmo, ignorando as pessoas que o cercam. E como a maioria da população naõ tem ética os governantes também não tem o menor senso ético. E por conseguinte, o Estado, que é dirigido por eles, não tem ética. Então, o Estado perdulário, sem ética, não consegue construir um espaço público de igualdade para diminuir este absurdo abismo que separa um punhado de ricos que ganham milhões por mês contra uma multidão de miseráveis que vivem à margem da pobreza e que não conseguem ter uma participaçao ativa nesa sociedade”, explicou Harada, que exaltou também o êxito da Comissão Jurídica, que obteve uma decisão em quatro ações direta de inconstitucionalidade do artigo 55 que exigia gratuidade e relatório, além do certificia do Cebas –  Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social na Área de Educação”

“Isso foi julgado insconstituicional. Além disso foi julgado também um recurso extraordinário em grau de repercussão geral, ou seja, nenhum tribunal do país poderá decidir em sentido contrário”. “Então, o Bunkyo, que foi autuado pelo descumprimento do artigo 55 da lei 8215, à medida que este artigo 55 foi considerado insconstitucional no tempo em que estava em vigor, o auto de infração deve cair. Isto é, deveremos ganhar todos os embargos”, afirmou.

 

Jorge Yamashita comandará no novo Conselho Deliberativo. Foto: Aldo Shiguti

 

Peça-chave – No lugar de Harada, quem assume é Jorge Yamashita, que até gestão passada era o primeiro vice-presidente da Diretoria. Conselheiro mais bem votado nas últimas eleições, Yamashita foi uma das principais peças no “quebra-cabeça” montado por Harumi Goya. Alçado em eleições passadas à condição de pré-candidato a presidente do Bunkyo, Yamashita sempre declinou alegando “não ter o perfil adequado”.

Aceitar o convite para suceder Kiyoshi Harada também não foi tarefa das mais fáceis. “Continuo achando que, esmo para a Presidência do Conselho Deliberativo, existem outras pessoas com as características mais adequadas. Mas mais do que nunca estou contando com a ajuda de colegas para realizar o trabalho”, disse ele, admitindo que aceitar o convite “sempre foi difícil e sempre  será”. “Mas dentro das atuais circunstâncias, estamos trabalhando. Tem outas formas de contribuirmos, continuo participando, mas esta não seria a única forma. Cada um pode desempenhar melhor seu papel quando esse papel é adequado ao perfil de cada um”, justificou Yamashita.

 

Ex-jovens – Em seu discurso de posse, já como presidente reeleita do Bunkyo, Harumi Goya lembrou que entrou no Bunkyo convidada pelo professor Kokei Uehara, que presidiu a entidade de 2003 até 2009, e a Comissão de Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa.

Destacou que procurou pautar sua atuação inspirada em duas frases ditas pelo professor Uehara. “Uma delas diz – ‘um sonho sonhado por um é apenas um sonho. Um sonho sonhado por todos se torna realidade’. A outra ensina que, ‘para mudar a mentalidade de uma comunidade, é preciso 10 anos’”.

Agora, neste segundo mandato, Harumi disse que pretende “buscar a concretização dos desafios contidos nessas frases”. “Para esta gestão montamos uma diretoria visando reunir jovens experientes e aqueles que podemos chamar de “ex-jovens”, ou seja, apesar dos cabelos grisalhos, o espírito ainda permanece jovem. Todos, jovens voluntários, assumem com energia renovada para fortalecer a alma desta entidade.A minha expectativa é a de fazer brotar as sementes do legado desta diretoria, representadas pela ascensão da liderança dos jovens experientes aos altos postos do Bunkyo”, comentou.

 

Reunião do Conselho Deliberativo contou com a presença de 56 conselheiros. Foto: Aldo Shiguti

 

Desafios – Ao Jornal Nippak, Harumi disse que neste mandato espera uma maior participação dos jovens. “Na diretoria anterior faltou uma conversa mais detalhada e acabei deixando de fora a participação dos jovens. Desta vez conversamos antes e eles vieram com um projeto e muito animados. Essa energia e esses ventos novos são muito saudáveis para nós. Essa força, aliada aos nossos eventos, vai contribuir para dar a sustentabilidade ao Bunkyo em termos de receita para suprir onde ainda estamos deficitários”, justificou Harumi, explicando que, entre os “inúmeros desafios a serem enfrentados por esta nova diretoria está a finalização, ainda este ano, das obras do Espaço Cultural Bunkyo”.

“Em seguida, a de dedicar-se à realização da primeira fase do Plano Diretor de Sustentabilidade do Centro Esportivo Kokushikan Daigaku, em São Roque”, disse ela, acrescentando que “em 2018, também estaremos voltados à comemoração dos 110 anos da imigração japonesa no Brasil”. “Mais uma vez, graças à dedicação de todos, esperamos celebrar condignamente este marco representativo em direção ao segundo centenário da presença dos imigrantes japoneses neste país”, observou Harumi, acrescentando que pretende trabalhar em parceria com a Japan House São Paulo, inaugurada no último dia 30 com a presneça do vice-ministro japonês, Taro Aso, e do presidente Michel Temer.

“Acho que a Japan House vai aumentar os esforços para que muito mais gente se interesse pela cultura japonesa. Sinto que nós, que trabalhamos na preservação e divulgação da cultura japonesa, herdamos muitas coisas dos imigrantes que a trouxeram e a Japan House está em contato direto com o Japão atual. Através da Japan House podemos incorporar também o Japão mais moderno, o Japão de hoje e assim trabalharmos juntos para a divulgação de uma cultura japonesa mais completa”.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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