ENTREVISTA: HARUMI GOYA: ‘Celebração dos 110 anos é também momento para ressaltar nosso sentimento de gratidão’

harumi: “transição deve ser consolidada no dia a dia”. Foto: divulgação

Em seu segundo mandato à frente da principal entidade representativa da comunidade nipo-brasileira, Harumi Arashiro Goya se diz esperançosa. Esperançosa em relação a uma maior participação dos jovens no Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – entidade que ela preside. Segundo Harumi, a transição entre os mais experientes e as novas gerações é um trabalho que deve ser consolidado no dia a dia. Harumi também diz ter confiança no sucesso das comemorações dos 110 Anos da Imigração Japonesa e espera que um dos legados desta festa, que contará também com o apoio da Prefeitura da Cidade de São Paulo em algumas ações, seja a melhoria da infraestrutura do Centro Esportivo Kokushikan Daigaku, em São Roque. Para a presidente do Bunkyo, 2017 não foi fácil para a entidade “como não foi fácil para a maioria dos brasileiros. “Vivemos uma crise que misturou política, ética, moral, economia e desemprego. Esperamos que essa dificuldade seja uma espécie de ‘purificação’ para melhoria das condições deste país”, explicou Harumi.

Confira os principais trechos concedidos da entrevista exclusiva ao Jornal Nippak:

 

 

ALDO SHIGUTI

ALDO SHIGUTI

Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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    Jornal Nippak: Como presidente do Bunkyo, como a senhora avalia o ano de 2017 para a comunidade nipo-brasileira?

    Harumi Goya: Não foi fácil, como não o foi para todos os brasileiros. Vivemos uma crise que misturou política, ética, moral, economia e desemprego. Esperamos que essa dificuldade seja uma espécie de “purificação” para melhoria das condições deste país.

    Para a comunidade nipo-brasileira, o ano foi de muito esforço de todos. Sabemos que, novamente, começou a crescer o número de trabalhadores nikkeis no Japão. E há grande expectativa para a adoção do visto de trabalho aos yonseis, descendentes da quarta geração.

    O Bunkyo sentiu os reflexos dessa crise econômica, mas, graças ao esforço e generosidade de um grupo de abnegados, depois de quase uma década de incansável trabalho, concluímos uma parte importante da regularização do Edifício Bunkyo em relação às normas de segurança. Finalmente conquistamos o AVCB – Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros.

    Além disso, as obras do Espaço Cultural Bunkyo, no subsolo de nossa sede, estão em fase de finalização. Depois de vistoriadas e aprovadas, os fiscais do Ministério da Cultura relacionados à Lei Rouanet (lei de incentivo cultural) decidiram prorrogar o prazo de captação de recursos que estaria encerrando agora em dezembro. Com isso, temos mais um ano para buscar recursos para finalizar essas obras. Acredito que, nos próximos meses, o Espaço Gastronômico que faz parte deste conjunto estará pronto e em condições de uso para cursos e eventos.

     

    Osamu Matsuo, Jorge Yamashita e Harumi com o cônsul Noguchi. Foto: divulgação

     

    JN: Em matéria de cultura japonesa, sem dúvida que a abertura do Japan House foi a grande novidade. Falou-se muito que este novo centro cultural, financiado pelo governo japonês, iria concorrer com o Bunkyo. Como foi essa convivência? Podemos dizer que foi um momento de repensar o próprio papel do Bunkyo?

    H.G.: O Japan House elevou o patamar de divulgação da cultura japonesa neste país apresentando a modernidade, a contemporaneidade do Japão. Posso assegurar que, até o momento, nossa convivência tem sido a melhor possível.

    Sobre a necessidade de se repensar o papel do Bunkyo, concordo quando levamos em consideração que precisamos buscar com urgência o caminho da sustentabilidade, gerando nossos próprios recursos para a manutenção e prática das ações culturais.

    3 – Não tivemos ainda a oportunidade de falar sobre a sua participação na Convenção dos Nikkeis e Japoneses no Exterior realizada no último mês de outubro. O que poderia destacar de interessante deste encontro internacional que se realiza há mais de 50 anos em Tóquio?

    Ao participar pela segunda vez deste evento internacional, me senti mais à vontade para estabelecer uma conversação mais efetiva com todos. No ano anterior, estive muito tensa – além de proferir uma das palestras de abertura, não conhecia a maioria dos organizadores e participantes. Desta vez, num dos painéis, aproveitei a oportunidade para falar da comemoração dos 110 Anos.

    A convenção contou com representantes de 19 países e trouxe como tema a Olimpíada e Paralimpíada de Tóquio em 2020, destacando o esporte e novos relacionamentos. Destacou ainda a abertura do Japan House em São Paulo como um novo formato de intercâmbio com o Japão, uma referência a ser construída em Los Angeles (EUA) e Londres (Inglaterra).

    E no clima de importantes comemorações em 2018, foi decidido que a próxima edição do evento será em junho, no Havaí, celebrando os 150 anos da imigração japonesa ao local.

     

    A presidente do Bunkyo com a cônsul adjunto hitomi Sekiguchi. Foto: divulgação

     

    JN: Para 2018, quando se comemora os 110 anos da imigração japonesa no Brasil, o que podemos esperar? O que temos de concreto para esta importante celebração?

    H.G.: Durante 2017, em conjunto com as cinco entidades parceiras (Bunkyo, Enkyo, Kenren, Aliança Cultural Brasil-Japão e Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil), formamos a Comissão para Comemoração dos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil. A presidência, como é de praxe, ficou com o Bunkyo e a presidência do Comitê Executivo, depois de muitas idas-e-vindas, finalmente foi aceita pelo senhor Yoshiharu Kikuchi, mas somente após deixar a presidência do Enkyo em dezembro de 2016.

    Assim, desde o segundo semestre, a Comissão tem trabalhado para a captação de recursos e planejamento das bases para as comemorações oficiais.

    A cerimônia de abertura dos 110 Anos será no dia 7 de janeiro, no Hotel Tivoli, juntamente com a celebração do Ano Novo. Além da promoção conjunta das cinco entidades parceiras e apoio do Consulado Geral do Japão e do Hotel Tivoli Mofarrej, o evento contará com a participação da Associação de Ikebana do Brasil e do Centro de Chado Urasenke.

    Já a cerimônia oficial será no dia 21 de julho de 2018, durante o Festival do Japão. O presidente Kikuchi fez duas viagens ao Japão para convidar as autoridades japonesas, envolvendo também os governos das províncias que, em 2018, estarão comemorando o aniversário de fundação de seus kenjinkais no Brasil. E, também, esteve em busca de recursos financeiros.

    Nesse sentido, temos realizado inúmeras visitas a empresas e personalidades nikkeis para convidá-los a contribuir com o Livro de Ouro. Fomos brindados com a doação de dois carros: o Toyota Prius, um carro híbrido que funciona com sistema elétrico e a gasolina, e um Honda Civic do ano; além de uma moto Honda e um gerador elétrico Honda. A Fast Shop também nos doou uma câmera digital Cannon, uma Smart TV Panasonic, um Smartphone Sony e um micro-ondas Panasonic.

    O Sorteio Filantrópico, devidamente registrado na Caixa Econômica Federal, tendo como prêmios o Toyota Prius e os produtos da Fast Shop já tem bilhetes à venda. Corremos contra o tempo porque este sorteio será realizado no dia 24 de fevereiro. Depois promoveremos o sorteio do Honda Civic e todos terão uma nova chance de concorrer.

    Nosso desafio é o de fazer com que todos tenham a oportunidade de colaborar pessoalmente com o sucesso da comemoração dos 110 Anos, contribuindo com R$ 35,00, que é o custo do cupom. Felizmente, esses prêmios chamam muita atenção.

     

    Harumi com Yoshiharu Kikuchi e Rafael chang, presidente da Toyota. Foto: divulgação

     

     

    JN: Mas, os 110 anos não deve ser motivo apenas para festas, não é? Qual o legado desta comemoração? Como preparar a comunidade para os próximos 110 anos?

    H.G.: Fizemo-nos esta pergunta antes de iniciarmos nossa campanha de arrecadação de recursos. Um desses legados será a melhoria da infraestrutura do Centro Esportivo Kokushikan Daigaku, em São Roque. Até o momento, nesse local tem sido realizado o Festival das Cerejeiras e o campeonato de Mallet Golf. O objetivo é criar condições de o local sediar novos eventos e, num futuro próximo, se tornar uma importante referência de nossa comunidade, algo que proporcione orgulho às novas gerações.

    O projeto de ocupação do Kokushikan foi feito pelo arquiteto Eiji Hayakawa e apresentado na reunião extraordinária do Conselho Deliberativo do Bunkyo, no último dia 9 de dezembro, sendo aprovado por unanimidade.

    Certamente, os recursos financeiros resultantes dos 110 Anos serão insuficientes para implantar todas as melhorias planejadas, mas acreditamos ser possível realizar a primeira fase das obras. Assim, criaremos condições para trazer novos recursos para o local, contribuindo para a autossustentabilidade do Bunkyo.

     

     

    JN: Como a senhora viu a entrada da Prefeitura da Cidade de São Paulo na celebração dos 110 anos? Como a Comissão Organizadora pretende trabalhar em parceira com a Prefeitura?

    H.G.: Foi uma grata surpresa. E isso graças ao esforço do vereador Aurélio Nomura, líder do governo na Câmara Municipal. Tivemos nossa segunda reunião agora em dezembro, no dia 14, e estamos definindo as ações.

     

     

    Harumi com o ministro das finanças do Japão, taro Aso, e equipe. Foto: divulgação

     

    JN: Falando em futuro, de que forma o Bunkyo está trabalhando internamente com essa transição entre os mais experientes e a nova geração? Na sua opinião, a nova geração está preparada para dar continuidade ao trabalho que vem sendo feito de preservação e divulgação da cultura japonesa?

    H.G.: Sim, acredito que ela tem condições de dar continuidade a essa missão. Já a transição entre os mais experientes e a nova geração é um trabalho a ser consolidado no dia-a-dia.

    Assim, estamos muito esperançosos com a criação do Comitê Jovem, que veio somar aos outros Comitês (Administrativo, Cultural e de Relacionamento). Esse novo Comitê englobou as atividades da Comissão de Jovens, Fórum de Integração Bunkyo, Bunka Matsuri e Cursos e Palestras.

    Considero este novo formato desafiante não só pela troca de ideias e experiências entre as gerações, como também de atualização dos rumos desta entidade.

    Nesse sentido, também tenho recebido manifestações de mulheres interessadas em participar do Bunkyo. Diante disso, tenho pensado em como trazer para a entidade as inúmeras mulheres que hoje ocupam diferentes postos de relevância profissional e têm interesse na preservação e divulgação da cultura japonesa.

     

     

    JN: Gostaria que a senhora deixasse uma mensagem para os leitores do Jornal Nippak.

    H.G.: Peço o empenho pessoal de todos para, em 2018, promovermos juntos uma comemoração dos 110 anos da imigração japonesa digna de nossos pioneiros e da comunidade nipo-brasileira. Este é o momento para ressaltar nosso sentimento de gratidão. Primeiro, aos nossos pioneiros, que com todo sacrifício construíram os alicerces para que as gerações de descendentes pudessem usufruir de boa imagem e respeito perante a sociedade. E também aos brasileiros, que receberam os imigrantes japoneses de braços abertos possibilitando-lhes lutar e conquistar melhores condições de vida.

    O próximo ano é do signo do cachorro. Ele é leal, honesto e sempre fiel aos seus códigos de ética. Esperamos que suas características possam influenciar o nosso cotidiano. Dizem ainda que este signo tem dificuldade para confiar nos outros e, às vezes, é temperamental – afinal ninguém é perfeito! Mas, também dizem que o cão sempre está construindo algo ou arrumando algo a fim de tornar as coisas melhores! Portanto, vamos ser otimistas e fazer de 2018 um ano feliz, de muitas realizações e muita saúde!

     

     

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