ENTREVISTA: REVERENDO MARCO RESENDE: ‘O paraíso terrestre começa dentro de cada um de nós’, diz presidente da IMMB, Marco Resende

Descendente de portugueses, o reverendo Marco Antonio Baptista Resende assumiu a presidência da Igreja Messiânica Mundial do Brasil (IMMB) em outubro do ano passado no lugar do reverendo Hidenari Hayashi, que, devido ao término de seu mandato, deixou o cargo, após servir nove anos como presidente. Primeiro não descendente de japoneses a presidir a IMMB, Marco Resende ingressou no seminário de formação sacerdotal da IMMB em 1977, fez aprimoramento no Brasil e no Japão, onde se formou em Filosofia pela Universidade Keio de Tóquio. Serviu em unidades religiosas de São Paulo e Rio de Janeiro, na Fundação Mokiti Okada e na Korin Agropecuária, e atuou nos últimos 16 anos no Departamento Internacional da Sede Geral, Japão, na posição de responsável pela orientação nas igrejas da Europa, América do Norte, Ásia (exceto o Japão) e África, sendo inclusive, presidente da Igreja Messiânica Mundial da Tailândia por dois anos. De 2012 a 2014 fez parte da Diretoria Executiva da Igreja Izunome – Japão. Por mais de 30 anos, dedicou sob orientação do saudoso reverendíssimo Tetsuo Watanabe, que faleceu em outubro de 2013.

 

Anúncio foi feito durante Culto Mensal de Agradecimento, no Solo Sagrado de Guarapiranga. Foto: Ricardo Fuchigami.

Anúncio foi feito durante Culto Mensal de Agradecimento, no Solo Sagrado de Guarapiranga. Foto: Ricardo Fuchigami.

 

Natural da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, o novo presidente da IMMB é casado com a japonesa Takako, e fala fluentemente o japonês. À frente da Messiânica, terá a missão de dar continuidade ao trabalho de seus antecessores, que traduzido em número representa mais de 500 mil adeptos e 505 unidades religiosas em todo Brasil.

No dia 19 de abril, ele recebeu a reportagem do Nikkey Shimbun e Jornal Nippak na sede central da Igreja, no bairro de Vila Mariana (zona Sul de São Paulo), onde funcionam o Gabinete da Presidência, as Divisões, as Comissões e as Secretarias, a Sede da Fundação Mokiti Okada – FMO e a Sede da Korin Empreendimentos para uma longa conversa. Confira os principais trechos:

 

ALDO SHIGUTI

ALDO SHIGUTI

Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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    Jornal Nippak: Ser o primeiro não descendente de japoneses a assumir a presidência da Igreja Messiânica Mundial do Brasil é um desafio?

    Marco Resende: Acho que dar continuidade ao trabalho que vem sendo desenvolvido há 61 anos é um desafio muito grande para qualquer pessoa. Por mais que você saiba, se ache experiente ou capaz, o desafio é muito grande. Mas eu conto com apoio de todos os reverendos e ministros, além de contar com a dedicação incansável dos membros. É junto com todos eles que estarei me empenhando nesta nova missão.

     

    JN: Qual seria sua grande missão como presidente?

    M.R.: Acredito que minha maior missão é justamente cuidar do nosso maior “patrimônio espiritual” que são os membros da igreja.

     

    J.N.: Como foi esse interesse pela igreja?

    M.R.: Meu pai, Vandick, tinha um problema de estômago, uma úlcera, que o fazia sofrer muito. Ele ia ao médico, mas a doença o deixava muito nervoso por causa da dor. Ele almoçava, jantava, mas tinha que tomar um comprimido para aliviar a dor. Então, num certo dia, um parente nos indicou para receber Johrei. E ele foi. Minha mãe e eu também fomos. Mas o mais interessante é que com três vezes que ele recebeu o Johrei, aquela dor que ele tinha, desapareceu! Aí nós começamos a frequentar a Igreja.

     

    J.N.: O senhor tinha quantos anos na época?

    M.R.: Tinha 16 anos.

     

    J.N.: E pelo que consta não era uma unidade da Messiânica…

    M.R.: Não, era uma garagem. Recebi meu primeiro Johrei na garagem da Dona Diva. O marido dela saía para trabalhar com o carro e nós colocávamos os banquinhos e recebíamos ali o Johrei dos messiânicos.

     

    J.N.: Tinha japoneses?

    M.R.: Não, eram todos brasileiros. Na época não tinha muito japoneses no Rio de Janeiro. Tinha muitos japoneses em Itaguaí, em Itaboraí, regiões onde tinham muitos agricultores japoneses.

     

    J.N.: Esse já foi o início?

    M.R.: A partir daí me interessei pela Messiânica, meu pai se interessou, recebemos aulas e nos tornamos membros. Depois comecei a ministrar Johrei e atender pessoas que estavam doentes em hospitais e foram acontecendo vários milagres. Ao ver as pessoas melhorando, foi despertando em mim uma grande vontade de ser útil a Deus. Tinha muita curiosidade com o Johrei. Por que funcionava tão bem? Então, em 1977, com 21 anos, parei a Faculdade de Economia e decidi vir para São Paulo estudar. Fiquei um ano no seminário e em 1978 fui para o Japão. Fiquei lá de abril de 1978 a setembro de 79. Fiquei aqui no Brasil de setembro de 1979 até agosto de 1981. De1981 a 1989 fui novamente para o Japão. Voltei para o Brasil e fiquei de 1989 a 1999. Depois eu retornei para o Japão onde fiquei até 2015.

     

    J.N.: O senhor algum dia imaginava chegar a ocupar a Presidência da Messiânica do Brasil?

    M.R.: Não, não. Mas no início você tem que estar sempre disposto a enfrentar os desafios, as nomeações. Então agora tenho que estar bem ciente da missão nova, se bem que toda minha formação é mais a nível pastoral e por isso, para mim é um desafio.

     

    J.N.: Hoje são quantos messiânicos no Brasil e quantas unidades existem no país?

    M.R.: No Brasil temos 505 unidades e cerca de 500 mil messiânicos, além das pessoas que apenas recebem Johrei. É um número bem grande.

     

    J.N.: Existe algum trabalho para aumentar o número de adeptos?

    M.R.: Não existe um trabalho ostensivo. Nós vamos fazendo a difusão do Johrei. Naturalmente as pessoas vão recebendo graças e milagres, passam a se sentir bem, e quando demonstram vontade de se dedicar conosco vão se tornando membros. Acho que é como acontece em outras as igrejas.

     

    J.N.: O objetivo da Messiânica é “construir o Paraíso Terrestre – um mundo isento de doença, miséria e conflito – criando e difundindo uma civilização religiosa que se desenvolva lado a lado com o progresso material”. Como alcançar esses objetivos nos dias atuais, onde se vê cada vez mais ódio e intolerância?

    M.R.: É uma pergunta realmente muito importante, especialmente num momento como este que vivemos. Nosso fundador, Meishu-Sama, nos ensina que tudo se inicia por um pequeno modelo. Para construir uma casa, você faz uma maquete ou um desenho arquitetônico. Ou seja, os sonhos e desejos vão se tornando realidade gradativamente. E o nosso fundador nos ensina ainda que o Paraíso Terrestre começa dentro do coração, do sentimento, do pensamento de cada um. Por exemplo, se eu consigo sentir esse paraíso dentro de mim, certamente minhas atitudes, minhas atividades também tomam a forma de Paraíso. Um ponto que ensinamos muito é a prática de agradecer. Nosso líder espiritual fala que agradecer o que é bom é fácil, mas agradecer o que te incomoda, o que te faz sofrer, o que te traz dor de cabeça, é difícil… Não é fácil a pessoa dizer: ‘Muito obrigado por você ter me prejudicado’. Isso é praticamente impensável, não acha? Mas nós aprendemos com os ensinamentos do mestre que precisamos agradecer em todos os momentos para conseguimos sentir a presença de Deus. Pense bem: não existe a possibilidade de chover todos os dias durante um ano inteiro, e nem de fazer sol o ano todo, sem nenhum dia de chuva (pelo menos aqui em São Paulo…) Tudo vai se alternando. O importante é que coisas diferentes aconteçam no dia a dia. Quando você tem o sentimento de agradecer, acreditamos que você ganha forças para prosseguir. Senão, você desanima e coloca a culpa nos outros. É a partir daí que começam os conflitos. Por isso, cultivar um coração agradecido é a base para evitar o conflito. Se não tem conflito, então sobra mais tempo para se pensar em coisas boas. O conflito também gera muitos problemas de saúde. A preocupação e outros sentimentos que geram problemas, você consegue superá-los sendo agradável. Mas lembre-se que, no fundo, tudo começa por você. Se nascer o sentimento de gratidão em seu coração já vai gerar um ambiente diferente à sua volta.

     

    J.N.:  É possível atingir esse paraíso?

    M.R.: É sim: basta você conseguir criar o Paraíso dentro de você. Não adianta eu ficar criticando os outros: tenho que começar por mim mesmo. Se eu não te incomodar, não te atrapalhar, já estou construindo meu paraíso. Por isso é perfeitamente possível atingir o Paraíso. E ainda, outras pessoas vão falar: “Ah, sua maneira de viver é interessante. Eu vou experimentar.” Esse é o primeiro passo para levarmos mais pessoas a encontrar seu Paraíso!

     


     

     

    No Brasil, igreja existe desde 1955

     

    Resende: Minha missão será cuidar do nosso patrimônio espiritual. Foto: Aldo Shiguti

    Resende: Minha missão será cuidar do nosso patrimônio espiritual. Foto: Aldo Shiguti

     

    A Igreja Messiânica Mundial foi fundada no Japão em 1º de janeiro de 1935 por Mokiti Okada, chamado pelos messiânicos Meishu-Sama, que, em português, significa “Senhor da Luz”. No Brasil, a Igreja foi introduzida em junho de 1955 e, atualmente, possui 505 unidades religiosas denominadas Johrei Centers, com cerca de dois milhões e meio de messiânicos entre ministrantes de Johrei e simpatizantes, e filiais em mais de 90 países.

    Mais do que uma simples religião, a Igreja Messiânica acredita no seu papel de ultrarreligião devido às suas várias atividades realizadas em parcerias com instituições que desenvolvem trabalhos embasados nos ensinamentos de Meishu-Sama. São eles: Fundação Mokiti Okada; Centro de Pesquisa Mokiti Okada; IkebanaSanguetsu; Faculdade Messiânica; Korin Agropecuária Ltda.; Korin Meio Ambiente; Korin Construtora Novo Mundo e Korin Alimentação.

    (Fonte: www.messianica.org.br)

     

     


     

    O que é Johrei?

     

    Johrei é um método de canalização de energia espiritual. Foto: divulgação.

    Johrei é um método de canalização de energia espiritual. Foto: divulgação.

     

    Johrei é um método de canalização de energia espiritual (luz divina), para purificação do espírito, capaz de transformar a desarmonia espiritual e material em harmonia.

    Quando o homem tem pensamentos, palavras e ações que contrariam sua verdadeira natureza altruísta e espiritualista, ele acumula impurezas em seu corpo e em seu espírito, fazendo com que as doenças, os conflitos e as dificuldades financeiras aumentem.

    O Johrei purifica e desperta a verdadeira natureza divina do homem, restabelecendo seu equilíbrio original.

    Portanto, dizemos que o Johrei é um método de criar felicidade.

     

    Como o Johrei atual?

    O messiânico qualificado para ministrar Johrei, na condição de canal da Luz Divina, transmite a energia espiritual ao seu semelhante por meio da imposição das mãos.

    A luz do Johrei atua no espírito e se reflete no corpo trazendo bem-estar espiritual, mental e físico, independentemente da crença do recebedor.

    Toda pessoa pode servir como canal da Luz Divina. Para tanto, basta ter vontade e manifestar o desejo de fazer outras pessoas felizes.

     

    Benefícios do Johrei:

    Desperta o homem para a existência do Criador;

    Fortalece-o para que ele possa ultrapassar os desafios da vida;

    Torna-o saudável física e espiritualmente;

    Torna-o mais sereno e pacífico;

    Eleva sua inteligência e sua personalidade;

    Expande sua aura, protegendo-o dos infortúnios;

    Possibilita-lhe perceber melhor a abundância e as oportunidades, propiciando sua prosperidade;

    Fortalece o sentimento de gratidão e altruísmo.

    (Fonte: www.messianica.org.br)

     

     

     

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    12 Comments

    1. Maria Teresa Mattos says:

      Foi muito bom , conhecer todo a trajectória do Reverendo Resende.
      Tudo tem um começo, ou por doença, ou por falecimento, etc. Deus quer ajudar nos de qualquer forma, e com e Rev.Rezende foi com a doença do pai.
      Agradeço por nos dar a conhecer como foi o seu inicio messiânico.

    2. Perfeito a matéria parabéns.

    3. Pingback: Jornal Nippak entrevista presidente da IMMB - Igreja Messianica Mundial do Brasil

    4. Presidente,
      A sua fé me comove, eleva minha consciência e fortalece munha convicção de continuar.
      Obrigado.

    5. Maura Correia de Souza says:

      Estou iniciando nesse ano na igreja e sinto me agradecida pelo meu fortalecimento espiritual e equilíbrio emocional, mas principalmente pela ligação com Deus, Nosso Criador.

    6. Sônia Menezes Argolo de Souza says:

      Obrigada Presidente!
      Fantástica experiência de vida,só
      nos fortalece.achei lindo o sr falar…”cuido
      Do patrimônio espiritual da nossa Igreja”.
      Muito obrigada!

    7. Edite Lessa Leal says:

      muito importante a sua experiencia fortalece a nossa fé.
      Muito obrigada

    8. Vânia Giovanelli says:

      Adorei saber um pouco mais sobre sua trajetória de vida excelente entrevista ,foi muito significava para mim obrigada tenho muita gratidão pela igreja messiânica sou membro a 23 anos !!!

    9. Sandra Sueli Santana Colares says:

      Obrigada
      Sei agora q vou criar dentro de mim o paraíso que almejo.

    10. Maria Júlia Sjmão Vieira de Sá says:

      Muito agradecida Reverendo Resende, nem sempre é a doença ou a morte que nos leva à IMM o meu testemunho é através da Ikebana há 32 e dois anos atrás e ainda continuo apaixonada, por essa coluna de salvação, através das flores, bem haja Reverendo

    11. Presidente, o relato da sua experiência é FANTÁSTICO. Tais experiências me fortaleceu mais ainda na busca de condições para ser útil a obra divina procurando dedicar nas Três Colunas de Salvação: Johrei, Agricultura e Alimentação Natural e Belo (Arte e Cultura).

    12. Ana Maria Souza Lyrio says:

      Grande exemplo de vida. Sua experiência, dedicação e amor à Obra Divina fortalece a nossa fé.

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