ERIKA TAMURA: 2017 Chegou!!!

Todo começo de ano, eu escrevo um artigo, relatando toda a positividade e um recomeço que transborda dentro de mim. Mas esse ano, não sei o por quê, me sinto diferente.

Acho que tudo tem passado tão rápido, e eu tenho trabalhado tanto em vários eventos e projetos sociais, que quando me dei conta, a única expressão que consegui falar foi: “Já acabou o ano?”.

Pois é, terminei o ano finalizando uma série de eventos que me deixou realizada, mas foi tudo tão corrido que parece que o ano acabou assim, num piscar de olhos.

Como assim já estamos em 2017? Sim, Erika, já estamos, e corre que ainda dá tempo de pegar carona nele…

O começo do ano, sempre dá uma sensação de recomeço, misturado com esperança e ansiedade, não é mesmo? Eu estou planejando milhões de coisas para esse ano, minha cabeça não para…

Preciso dizer uma coisa que, quando me dei conta, me deixou eufórica. Em 2017 faz 10 anos que escrevo para o jornal! Olha só, são 10 anos contando as minhas histórias e o meu ponto de vista para os meus leitores. E eu tenho muitos leitores fiéis, e que me acompanham desde o começo, sinto-me privilegiada. O momento atual para mim é de agradecimento. Agradecimento por eu ter esse espaço no jornal, onde eu deixo um pouco da minha história e percepção, e quando aqui relato o meu ponto de vista, ele deixa de ser meu, e passa a ser do mundo. O meu mundo visto pelos meus olhos, mas lidos por outros olhos. Isso é incrível!

Sento aqui para escrever, sozinha, mas quando termino de escrever, não me sinto mais sozinha, pois o texto agora, ao mundo pertence…

E aí pensei, esse momento merece um livro! Claro, um livro com um apanhado dos meus artigos. Pois bem, é isso que quero para 2017. É um sonho antigo, que agora sinto que chegou a hora de concretiza-lo. Estou empolgada!

E você, o que espera de 2017? Quer uma dica? Não espere, corra atrás. Eu sinto que a maioria dos brasileiros que vivem no Japão, estão sem sonhos e sem perspectivas. Isso é triste, tanto é que o número de pessoas depressivas têm aumentado consideravelmente, e isso não é somente com a comunidade brasileira no Japão não, com a sociedade japonesa também ocorre tal fato.

As pessoas me perguntam, como o Japão, um país tão organizado e tão eficiente em tudo, pode ter uma população depressiva? Pois eu arrisco uma resposta, pode não ser verdade, mas é o meu ponto de vista, o Japão é um país com muita pressão profissional, pressão académica, pressão social. Tudo é organizado e eficiente exatamente porque a população não transgride nenhuma barreira e a característica de não contestar nada, faz do povo japonês, excelentes robôs.

Ultimamente tem saído na média sobre a agência de publicidade japonesa, uma das maiores do mundo, onde uma funcionária faleceu por não aguentar a pressão profissional, e a carga horária puxada no trabalho. E isso levou a uma demissão do presidente da agência. Esse tema foi levantado e tem gerado vários debates, pois o Japão realmente possui uma realidade cruel, para não dizer outra coisa. Quando estive na Europa, em maio do ano passado, eu vi o quanto o japonês vive mal, eu digo isso, porque o japonês não tem muita qualidade de vida no seu dia a dia. Para a maioria a vida se resume em trabalho, trabalho, trabalho, sobrando muito pouco tempo para a diversão, para o hobbies e até mesmo para espairecer a mente por um curto período. Na Suíça, vi que os trabalhadores saem do serviço e vão para o happy hour, encontram amigos, vão praticar algum esporte, ou seja, vivem! No Brasil não é diferente, meus amigos saem quase todas as noites para os bardinos após o expediente, e eu achando que eles estavam saindo só porque eu estava no Brasil e eles queria aproveitar a minha presença lá, que nada, isso ocorre quase todos os dias, eu só fui incluída no programa. Mas aqui no Japão, isso não existe. Um happy hour light com os amigos? Praticamente impossível para um simples assalariado, e não é por problema financeiro não, é por falta de tempo mesmo, o trabalho é a prioridade por aqui. Não acho isso errado, mas também acho que não precisa ser o extremo. Um balanço entre um e outro, seria ideal.

Estou num momento da minha vida que não busco mais enriquecer, não quero essa paranóia desenfreada de caça ao dinheiro, quero qualidade de vida, quero o que o dinheiro não compra. E escrever um livro seria o meu ápice da satisfação nesse mundo.

Em tudo que eu faço, eu procuro fazer um balanço do que isso trará de bom para mim, o quanto eu terei que me dedicar e o quanto eu quero isso, o dinheiro é consequência.

Hoje, posso dizer que me sinto realizada. Trabalho com projetos sociais, escrevo para o jornal, realizo eventos no Japão, e assim a vida segue…  E é assim que gosto, a loucura dos eventos, com a calmaria de sentar na frente do computador e escrever tudo sem pressa. A dificuldade de se realizar um projeto social, e o sorriso da pessoa que recebeu a ajuda no projeto, é lindo ver as coisas que eu planejei, dando resultados. Aquela história de plantar colher é verdadeira mesmo, e funciona…

Eu quero um 2017 de realizações, quem não quer, não é mesmo?

Mas para isso, o trabalho é árduo e corrido, como disse, se eu correr ainda consigo uma carona nesse ano que já começou com tudo e mais um pouco.

Feliz 2017!

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 18 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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    2 Comments

    1. Olá Érika
      Adorei suas colunas, isso aí qualidade de vida é tudo.
      Trabalho como fonoaudiólogo aqui em Taubaté SP interiorrrrr
      Quem sabe um dia consigo ir para o Japão desenvolver trabalho interessantes como o seu.

    2. Olá Érika
      Adorei suas colunas, isso aí qualidade de vida é tudo.
      Trabalho como fonoaudiólogo aqui em Taubaté SP interiorrrrr
      Quem sabe um dia consigo ir para o Japão desenvolver trabalho interessantes como o seu.

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