ERIKA TAMURA: 2017 está no fim

Conversando com amigos, todos debatiam sobre o ano de 2017, como ele passou rápido, fazendo o balanço de tudo o que aconteceu (essa é a época que começam os balanços e as reflexões).
Me perguntaram se 2017 foi bom para mim. Foi ótimo! Eu estou numa fase que não reclamo de nada, apenas agradeço, e realmente foi ótimo mesmo. Não por tudo o que aconteceu, e olha que aconteceram muitas coisas ótimas na minha vida, mas sim, por ter chegado até aqui.

Sempre penso, olha só de onde eu vim e onde estou… O que eu falo não tem relação com bens materiais, mas com experiência de vida. Isso pra mim não tem preço.
2018 é o ano que eu comemoro 10 anos como colunista no Jornal, é para mim tão gratificante que nem senti o tempo passar, e muito menos senti-me pressionada pelo fato da coluna ser semanal.

Poder dividir o meu ponto de vista com os meus leitores me faz bem.

Quando eu falo que 2017 foi ótimo é nesse ponto que quero chegar, viver a cada dia novas experiências e ter a chance de poder compartilha-las, isso sim faz tudo valer a pena, porque não é fácil morar no exterior. Muitas pessoas que olham a minha vida superficialmente acham que a minha caminhada foi tranquila, mas não foi, a diferença é que nunca fraquejei.

Nós que decidimos trocar de país em busca de uma vida melhor, estamos cientes de que a vida não será fácil, mas temos tanta garra e tantos sonhos, que só assim para poder aguentar as dificuldades do dia a dia. Só quem morou longe de casa entende o que eu quero dizer.

Existem momentos em que a saudade bate de um jeito, onde parece uma rasteira da vida, e quem não estiver uma boa estrutura, pira, enlouquece mesmo, pois por mais difícil que a vida seja no Brasil é o nosso país, não tem como negar as origens.

Nesses 20 anos morando no Japão, eu perdi todos os casamentos dos meus familiares, perdi os aniversários, os nascimentos dos bebês da família, perdi os encontros com os amigos, aquele churrasco que reune toda a galera que fez parte da minha infância, perdi tudo isso pelo fato de morar longe.

Mas não perdi somente as coisas boas e felizes, os momentos tristes, eu também não estava presente, como no dia em que a minha avó materna faleceu. Esse fato me abalou tanto que eu fiquei 7 anos sem ir para o Brasil, o motivo foi que, eu desenvolvi um bloqueio sentimental, não conseguia me imaginar no Brasil sem a presença da minha avó. Fiquei muito abalada.

Em contrapartida, tudo isso cria uma resiliência capaz de aguentar qualquer dificuldade.

Engana-se quem pensa que eu não sofro, sofro sim e muito, mas não faço disso o meu alimento cotidiano, faço dele uma mola pra me impulsionar. Têm dias que realmente é difícil, dá vontade de simplesmente enlouquecer e sair gritando por aí.

Por isso agradeço muito por ter completado 2017 com saúde, para mim e para todos que eu amo! E é assim que eu espero 2018, desejando saúde a todos. Deixando bem claro que há um tempo eu adotei uma palavra para a minha vida: Reciprocidade! Portanto o que me desejarem, eu desejo o mesmo em dobro, emitam luz que irei devolver brilho e mais luz, acho que assim é que funciona a vida. Isso tira de mim qualquer sentimento de culpa.

Chegamos ao fim de mais um ano, o Japão sendo constantemente ameaçado pela Coréia do Norte, mas todos seguem firme e forte, como se nada estivesse acontecendo, e quer saber? Estão certíssimos! A vida que não é bem vivida não vale a pena.

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 18 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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