ERIKA TAMURA: A IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO

Eu, particularmente, sou uma admiradora de pessoas determinadas, e nunca escondi isso de ninguém. Mas confesso que como mãe, ver a determinação da minha filha Melissa, ao mesmo tempo que me encanta e me enche de orgulho, também me preocupa. Me preocupo pelo fato dela ser tão determinada e tão focada, poderá prejudica-la a lidar com a decepção.

Mas hoje eu me dei conta que a minha preocupação é uma coisa tola e tão pequena perto do orgulho e felicidade com os últimos fatos ocorridos.

Já escrevi aqui que ela passou no Nível 1 do exame de proficiência japonesa, o nível mais alto que existe. E hoje venho comunicar a todos vocês que ela, Melissa aos 13 anos começou a dar aula de japonês na escola estadual Jorge Corrêa, onde ela estuda.

Com 13 anos!

Podemos considerar tudo isso um fator relacionado a sorte? Claro que não! Melissa é uma garota que estudou no Japão, e agora vive no Brasil. E tem vontade de compartilhar com todos a sua experiência e cultura adquirida no Japão. E isso é excelente para todos os lados.

O fato dela ser minha filha não influencia na ideia principal do que quero escrever nesse artigo. O fato é que Melissa é yonsei, ou seja, é a quarta geração de descendentes de japoneses, pode parecer um dado sem importância, mas não é, pois os yonseis para o governo japonês, não têm mais direito ao visto especial para descendentes. Não quero entrar na questão polêmica da liberação do visto ou não, e nem me posicionar em lado nenhum, a última vez que escrevi sobre esse assunto deu um rebuliço danado, me xingaram, me ameaçaram, me chamaram de racista e tudo mais, sendo que as pessoas nem ao menos se deram o trabalho de ler o meu texto até o final, e se leram, não o interpretaram de maneira correta, pois o que falo é em defesa dos yonseis, e é para o bem de todos. Mas enfim, deixando essa história de lado, quero ressaltar a grande riqueza humana que um brasileiro que morou no Japão, aprendeu o idioma, absorveu a cultura, tem para oferecer ao Brasil.

A Melissa é apenas uma dessas pessoas, que como tantas outras, tem muito para mostrar, ensinar e explicar o que viveu, e isso é de uma importância que dinheiro nenhum pode comprar. Isso sim pode ser considerado dela. Diferentemente do objeto material, esse conhecimento será o que realmente ela levará junto para sempre.

Sabe aquele seu conhecido que voltou do Japão, depois de tanto tempo? Então, chame-o para conversar e verá que ele tem um ponto de vista diferente do seu. E isso não é incrível?

A Melissa foi chamada numa palestra que ela estava assistindo, para dar uma opinião sobre determinado assunto. E ela foi determinada como sempre, sem titubear deu a sua opinião que já estava formada pois tinha o conhecimento do assunto sob dois ângulos, o do Brasil e do Japão, pois já viveu essa experiência.

Acredito que tanto o Brasil quanto o Japão podem se beneficiar muito dessas crianças que vivem nos dois países, afinal a criança brasileira no Japão pode compartilhar com os japoneses um pouco da cultura brasileira, e quando retornar ao Brasil, compartilhar com os brasileiros a sua experiência no Japão, e ainda ensinar um pouco da cultura nipônica aos brasileiros.

E criei os meus filhos assim, para que pudessem transitar livremente entre esses dois países, pelo menos. Daqui para frente a tendência é aumentar os conhecimentos, mas por enquanto, quando se trata de Brasil e Japão, eles estão bem seguros para escolherem onde querem ir. Confesso que, criar filhos bilingues não é fácil, não é barato, fui criticada, houve dias que me senti a pior mãe do mundo, “a carrasca”, mas vale muito a pena, aliás é cada vitoriazinha como essa que faz com que todas as dificuldades sejam diminuídas em nossa memória.

Me sinto muito orgulhosa de ver que a minha filha, está difundindo a cultura japonesa para todos, e isso é muito gostoso! O meu sonho é que haja mais interatividades e integrações como essa, onde as pessoas que viveram no Japão possam dividir o conhecimento com os brasileiros, e os brasileiros que vêm ao Japão possam trazer um pouco mais de calor humano aos japoneses, seria perfeito.

E toda experiência é válida, até mesmo as que não deram muito certo, tudo é importante, afinal, depende apenas do ponto de vista de cada um.

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 18 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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