ERIKA TAMURA: A minha adaptação no Japão

Vivo no Japão há 20 anos, e conheço muitas histórias de dekasseguis, bem sucedidas ou não. Hoje vou falar dos brasileiros que dizem não gostar do Japão. A verdade é que muitas pessoas chegam aqui no Japão e parecem fechadas para uma adaptação, por isso há uma certa resistência para que se sintam bem num país novo e totalmente diferente do Brasil.

Venho recebendo muitas mensagens de leitores, que curiosos me perguntam como me adaptei aqui, e como consigo viver no Japão, em meio a terremotos e outras catástrofes naturais.

Então decidi escrever um artigo para responder a essas perguntas e reforçar o amor que sinto por esse país.

Confesso que quando cheguei foi difícil me adaptar, mas encarei tudo da melhor forma possível, como um grande aprendizado, claro que no início sem saber o idioma local, sofri com empregos ruins. Mas com força de vontade aprendi o japonês e consegui um emprego melhor.

E mesmo trabalhando em fábrica, onde o ambiente de trabalho não é um exemplo de convivência pacífica, tentava superar o desânimo pensando positivamente, pois se o ambiente já é ruim, não posso piorá-lo com mau humor e má vontade. Isso fez com que meu serviço sempre se destacasse, e assim fui evoluindo a cada dia no Japão.

Hoje, posso dizer que tenho um emprego bom, num ambiente de trabalho ótimo e dentro de todas as expectativas, consigo superar todas e passar por barreiras que antes pensava que seriam  intransponíveis.

Sem desmerecer o trabalho puxado das fábricas, mas desde o início vi que definitivamente ali não era o meu lugar.

Conheço muitos brasileiros que amam o Japão, e na maioria deles esse sentimento desponta ao extremo nas pessoas que não são descendentes de japoneses. O motivo não sei, mas é muito comum ver esse tipo de ocorrência.

A dica que dou para todos é que, independente do local que você trabalhe ou do tipo de função que desempenhe, encare o seu trabalho como uma dádiva! Um ambiente de trabalho ruim, um chefe injusto, um salario baixo, pode ganhar proporções maiores dependendo da forma que você vê tudo isso. Então mude seu ponto de vista!

Foi o que sempre fiz, se não estou satisfeita com uma situação, tento mudar a forma de olhar para esse problema e encará-lo com outro aspecto.

Vi um boato rondando por aí, dizendo que o governo japonês começará a exigir o domínio do idioma para a renovação de vistos. Não vou criticar nem defender essa medida, mas verdade ou mentira, teremos que nos adaptar a essa nova exigência estamos vivendo aqui e temos regras a seguir, e é essa a dificuldade da maioria de brasileiros que vivem aqui, é difícil entender que estamos num país alheio e que há regras para serem respeitadas, em contrapartida o país nos dá uma infra estrutura de condições humanas com muito respeito, e que muitas vezes só se encontra por aqui mesmo.

Tem uma palavra japonesa que demonstra bem esse lado de sacrifício do povo japonês, é GAMAN, é uma expressão usada para se ter paciência e aguentar mais um pouco. Um exemplo, está com dor, mas faz um gaman e aguenta um pouco mais!

O povo brasileiro ainda tem que conhecer e praticar muito o GAMAN para poder entender a cultura nipônica. E é isso que faz com que eu admire esse povo japonês!

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 20 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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