ERIKA TAMURA: A minha terapia é escrever, e a sua?

Uma das coisas que mais gosto de fazer nessa vida é escrever. Adoro escrever para o jornal, manter essa coluna ativa com os meus artigos, é quase um ritual religioso. Chego em casa, tomo banho, janto, respiro um pouco e sento aqui na frente do computador. Muitas vezes não tenho a menor idéia do tema que vou escrever, mas é só começar… Não consigo mais parar, na maioria das vezes meu texto extrapola o limite permitido, mas escrever me faz tão bem!

Fazer o que gosto, pode ser também uma válvula de escape para o cansaço do cotidiano. É a terapia essencial da vida. E acho que aqui no Japão, as pessoas estão se esquecendo disso. O dia a dia é tão estressante, que estão esquecendo de espairecer um pouco.

A prova disso são os atendimentos psicológicos que não param de aumentar dentro dos consulados brasileiros. Vamos deixar bem claro que, em nenhum lugar do mundo, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil disponibiliza de orientação psicológica, somente no Japão, por ser uma comunidade brasileira única e peculiar, portanto há esse privilégio para os brasileiros que vivem no Japão.

Os atendimentos são gratuitos e ainda tem gente que reclama, que marca e não comparece, que quer exigir benefícios. Assim fica difícil trabalhar.

Paralelamente aos atendimentos psicológicos, pensei em disponibilizar também, mais atividades culturais para os brasileiros, do mesmo jeito que gosto de escrever, pode ser que uma aula de dança, de teatro, de português, de japonês, de artesanato, sirva como uma válvula de escape dos conflitos diários para a comunidade brasileira.

O mais legal de desenvolver esse trabalho, é ter contato com pessoas que se dispõem a ajudar. Conheci uma dançarina durante o Festival do Brasil, que adorou a ideia de poder ensinar samba. As japoneses pagam uma fortuna para fazerem um curso de samba, e ela disse que para uma ONG, ela dará as aulas gratuitamente.

Estive com o Mauro Sousa, filho do Maurício de Sousa, e propus a ele uma parceria da ONG SABJA, onde eu trabalho, com a Turma da Mônica para juntos podermos intensificar a língua portuguesa dentro da comunidade brasileira no Japão. Sempre se fala que uma das características da comunidade brasileira no Japão, é o fato da maioria não dominar o idioma japonês, mas por outro lado, temos uma outra realidade também, são os jovens, filhos dos dekasseguis que frequentam a escola japonesa e estão perdendo o vínculo com a língua portuguesa. São crianças e jovens que são brasileiros mas que não falam português, e o que é ainda pior, existe uma parcela que tem vergonha de falar a língua portuguesa, por acharem que serão discriminados pela sociedade japonesa. Mauro Sousa, topou prontamente a ideia, agora estamos em conversação com o escritório responsável pela marca no Japão, para podermos dar início ao projeto. Como ressaltou Mauro, esse projeto vem de encontro com o ideal da Turma da Mônica no exterior, que é divulgar a língua portuguesa e valorizá-la dentro das comunidades no mundo a fora.

Na minha opinião, qual criança que não fica encantada com a Turma da Mônica, não é mesmo? Eu, até hoje leio os gibis, e meus filhos mantiveram o interesse em estudar português, justamente para poder entender os gibis, esse foi o maior incentivo que eles tiveram quando eram menores e moravam no Japão.

Acho que terei muito trabalho pela frente, mas eu gosto de desafios, e gosto de trabalhar assim. Mas o fato é que há a necessidade de que os brasileiros no Japão adquiram o hábito de praticar algum hobbie, algo que faça bem, que relaxe e que sirva como terapia para a rotina puxada. Eu sei o quanto é difícil, a carga horária puxada é realmente um fator que pesa como um fardo, mas não isso não deve impedir de se praticar o que gosta.

Muitas vezes, eu escrevo para o jornal de madrugada, para mim é o horário que rende mais, consigo pensar melhor, mina cabeça está centrada para as ideias fluirem, cada um deve se adequar ao que gosta.

E para mim, o mais gratificante é receber um email, uma mensagem de leitores que leram os meus artigos, e emitem alguma opinião. Adoro isso, não é só elogios, recebo críticas também, e leio todas as mensagens, pois é assim que eu tento evoluir.

Uma vez uma amiga minha comentou comigo, que eu não tinha noção do poder de alcance dos meus artigos, e realmente não tenho mesmo, porque escrever para o jornal é tão fascinante, que escrevo sozinha e ao mesmo tempo teno o poder de escrever para várias pessoas. As pessoas que acompanham os meus artigos, acabam se tornando meus amigos, pois estão lendo o meu pensamento e a minha opinião a respeito de determinado assunto e assim, acabam por se tornar um pouco mais íntimos das minhas opiniões.

E é assim que me sinto bem, minha terapia é escrever, obrigada a todos que me acompanham por aqui.

 

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 18 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
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