ERIKA TAMURA: A vida é trem bala

Outro dia estava escutando a música “Trem Bala”, e a letra me chamou muita atenção. Alguém já reparou?

Não sei se é pelo fato de morar tanto tempo longe dos meus familiares, dos meus amigos, enfim, do Brasil, ou pelo fato de eu ter chegado aos quarenta anos, me dei conta do quão importante é tudo o que essa canção diz.

Vocês já se deram conta de que no dia a dia nos perdemos em irritações insignificantes? Muitas vezes não paramos para pensar no que a música diz: “Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si, é sobre saber que em algum lugar alguém zela por ti… é sobre dançar na chuva que cai sobre nós. É saber ser infinito num universo tão vasto e bonito.”.

Nessa minha última ida ao Brasil, eu mudei um pouco a minha visão sobre a vida. Decidi que quero me desapegar das coisas ruins e pequenas que fazem andar para trás, decidi que que não quero ter e sim quero ser, decidi agregar qualidade de vida no meu cotidiano e assim, evoluir.

Depois que fui para Tohoku, logo após o tsunami em 2011, eu mudei completamente a minha forma de pensar. Parei de reclamar da vida e passei a agradecer. Percebi que o que me faz mais feliz é tudo aquilo que o dinheiro não compra. E um trecho da música diz exatamente isso: “Não é sobre tudo o que seu dinheiro é capaz de comprar. E sim sobre cada momento, sorriso a se compartilhar”.

Talvez se eu escutasse essa música há uns 10 anos, ela não faria tanto sentido como faz agora. Como disse, cheguei aos 40 anos e agora, não posso correr contra o tempo, e sim, usa-lo ao meu favor, porque quando menos se espera, a vida ficou para trás.

No último artigo eu escrevi sobre os conflitos envolvendo Estados Unidos, Coréia do Norte e Japão, Pois bem, as pessoas me perguntavam se eu não tinha medo de morar no Japão. Claro que sim, mas também tenho medo de andar no centro de São Paulo, tenho medo de altura, tenho medo de palhaço, tenho medo de um monte de coisas, e nem por isso paro a minha vida por causa disso. Claro que se puder evitar um impacto frontal com o medo, eu evitarei, mas como disse no outro artigo, não vai ser o fato de uma possível guerra que me fará mudar os planos da minha vida.

Não sei para vocês, mas para mim as horas passam voando. Ainda mais aqui no Japão. Gostaria de mais algumas horas no meu dia, para dar tempo de fazer tudo o que quero. E mais uma vez um trecho da música que se encaixa na minha vida: “Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu, é sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu…” É isso! Quero chegar no fim de cada dia e ver que valeu a pena, quero ter a sensação de que mais importante do que chegar no topo é a experiência da caminhada, galgando passo a passo cada conquista.

A minha base é muito importante, mas é importante também deixar um legado. Qual o diferencial de ter recebido valores e princípios tão valiosos se não vou deixar um legado? Portanto a criação dos meus filhos é primordial, e percebo que estou no caminho certo quando a minha filha com 13 anos dá aula de japonês no Brasil e está fazendo um curso técnico de administração de empresas, e detalhe, ela está adorando!

Então o que quero dizer com o artigo é vivam intensamente! O que tiver que fazer façam, mas façam também o que te traz felicidade. Porque, a felicidade não está na prateleira do mercado para ser vendida, a satisfação pessoal não tem nada a ver com poder aquisitivo, e sim com a felicidade interior de cada um.

A vida não pode ser acúmulos de bens, ela tem que ser composta de momentos que nos façam pensar que toda a caminhada vale a pena.

Durante o meu vão de volta ao Japão, no trecho de São Paulo até Roma, conheci um grupo de mulheres fantásticas, que coincidentemente moram em Araçatuba. Quer dizer, não foi coincidência, acredito no destino, e conhece-las me deixou muito feliz. Me deu uma sensação de acolhimento fraternal. É isso que eu falo que o dinheiro não compra, e eu quero sentir isso sempre na minha vida.

Portanto na minha vida não tenho tempo para as coisas ruins como inveja, intriga, irritação, porque decidi ter qualidade para mim. Decidi viver…

 

Porque a vida é trem bala, parceiro. E a gente é só passageiro prestes a seguir…

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 18 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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