ERIKA TAMURA: Abuso sexual infantil

O tema hoje é pesado. Pesado mesmo!

Vou aproveitar a abordagem da novela, que deu ênfase ao assunto, para falar sobre o tema, mas aqui no Japão, mais especificamente dentro da comunidade brasileira.

Percebi que esse tipo de violência independe de classe social, país, religião, grau de instrução. A verdade é que tem acontecido muito e a cada dia aumenta mais, não sei se aumenta mais ou se isso já acontecia, mas só agora estão buscando ajuda.

É tão delicado falar sobre isso, ainda mais dentro de uma comunidade brasileira no exterior. São tantos detalhes a serem pensados, desde as questões culturais, a mudança de país, a criação, a estrutura familiar… Minha cabeça chega a ficar desnorteada.

Lembrando que o abuso sexual infantil, nem sempre está ligado a um ato violento, pode envolver carinhos inapropriados, beijos, exibição e exposição da criança na prática sexual. Portanto, estão previstos em lei e são considerados como abuso: toque, beijos, carícia e aliciamento, além da penetração forçada.

Ou seja, tudo que abala psicologicamente a criança. Já imaginaram uma situação dessa? Eu nunca tinha imaginado, nem sequer sabia de nada, achava que era história de ficção. Quisera Deus que fosse mesmo, mas não é! É muito mais grave do que pensamos e imaginamos.

Sabe o que é pior? Em 90% dos casos, o abuso acontece dentro de casa. Com alguém da família, acima de qualquer suspeita. E é isso o grande rompante de conflito psicológico na cabecinha da criança.

O lugar onde a criança tinha que se sentir mais segura, o lar acolhedor, torna-se um pesadelo. O local da monstruosidade.

A criança sempre irá manifestar que algo está errado, cabe aos pais decifrarem esses sinais.Quando há diálogo entre pais e filhos, a criança sente-se acolhida e a vontade, podendo revelar o abuso. Mas para quem vive no Japão, sabe que não é bem assim.

Claro que não é regra geral, mas existem casos sim, que os pais não têm diálogo com os filhos, devido a carga horária de trabalho que é muito puxada, ou por estar cansado, ou por trabalhar em turno diferente do horário dos filhos, enfim, existem mil desculpas, mas nenhuma que justifique essa perda do vínculo afetivo, mas acontece! E é mais frequente do que se imagina…

E aí, podemos dizer que com a falta de comunicação familiar, perde-se a oportunidade de se participar da vida dos filhos, é onde ocorrem os bullyings nas escolas, os abusos, as doenças psicossomáticas, que podem até levar ao suicídio.

Já ouvi muitos jovens que o único desejo que tinham era de morrer. E os motivos são bem tristes, na maioria das vezes, é porque se sentem um fardo muito pesado para os seus pais carregarem, então a solução encontrada é o suicídio, na cabeça deles funciona assim.

Imagina a sequela traumática que uma criança, que sofreu abuso sexual, irá carregar para a sua vida?

Confesso que escrevo esse artigo com o coração na mão e lágrimas nos olhos. Chega a ser revoltante essa situação.

Claro que haverá várias pessoas me criticando por eu ter escolhido esse tema, mas cada um sabe o que se passa dentro de casa. Ou deveria saber.

Alguns sinais que as mamães têm que se atentar:

. Mudança de comportamento

. Proximidade excessiva

. Regressão (fazer xixi na cama, chupar o dedo, por exemplo)

. Mudança nos hábitos

. Sinais físicos

. Agressividade

Todos têm que ficar atentos a qualquer tipo de emissão de sinais das crianças.

No Japão, o procedimento para a denúncia é procurar a polícia, depois denunciar ao conselho tutelar.

Para quem queira uma orientação jurídica, pode ser usado o Houterasu, que é um órgão do governo japonês, criado para dar orientação jurídica gratuita por telefone, e agora a novidade é que há o atendimento em português. O telefone do Houterasu é 0570-07-8377.

Ou caso queiram um amparo do governo brasileiro, procurem o Consulado da sua jurisdição, eles têm um setor próprio para cuidar da assistência a comunidade, contando com uma equipe com psicólogos e advogados.

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 20 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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