ERIKA TAMURA: Bem vindo 2018!

Depois de uns dias de folga, estou de volta aos artigos.

E claro, senti falta. Durante as férias, ficava pensando sobre cada assunto que poderia render um bom artigo ou um comentário meu no jornal. Realmente adoro escrever!

E, chegamos em um novo ano, o ano de 2018, o ano que completo 10 anos como articulista do jornal. Como o tempo passou rápido, e quantas histórias aqui eu contei. Se pegarmos os primeiros artigos, e fizermos um comparativo, podemos ver uma evolução. Evolução no meu modo de escrever, evolução na minha vida, na vida dos brasileiros no Japão, e até mesmo do Japão.

Um único detalhe apenas que preciso comentar, e acho que o Japão ainda não evoluiu: O povo japonês ainda não percebeu que os estrangeiros são essenciais para o desenvolvimento do país.

Estamos numa fase aqui no Japão, onde há muita oferta de emprego e pouca mão de obra, onde os brasileiros aqui residentes, podem se dar ao “luxo” de escolher o melhor serviço. Claro que na prática não é bem assim, mas é só um exemplo para mostrar o quão está aquecido o mercado de trabalho.

Estou há 20 anos no Japão, e ainda assim, escuto alguns casos de resistência ao convívio mútuo dos estrangeiros na comunidade japonesa. Não é nem discriminação, mas sim o fato de que não há a conscientização do povo japonês de que hoje o mundo necessita de novos horizontes para poder evoluir. E a convivência com outros povos, é um dos passos dessa evolução.

O que estou falando não é uma reclamação, imagina, não tenho o direito de reclamar de nada nesse país, muito pelo contrário, apenas agradecer. Mas é que me entristece saber que numa competição no mundo dos negócios, o Japão é um dos mais atrasados. A China e a Coréia do Sul, por exemplo, são muito arrojados, empreendedores e mais audaciosos, por isso estão dominando o mercado em vários segmentos. É isso que me entristece, eu, como descendente de japoneses, sei que o Japão tem toda a tecnologia, conhecimento, estrutura, tudo para poder competir de igual para igual, e ainda sair ganhando nos negócios, mas por ainda ter um pensamento mais fechado e mais precavido, tímido, está perdendo terreno para a concorrência asiática.

E tudo isso é um comportamento da própria população, chega a ser um pensamento cultural, creio eu. Pois convivendo com vários japoneses, desde os executivos da mais alta casta, até os mais bairristas e simplórios, dá para perceber que não se sentem a vontade com estrangeiros a sua volta. Como disse, não é uma crítica a esse pensamento, que não é discriminatório, é apenas uma observação, do comportamento e pensamento do povo japonês, talvez uma forma de proteção. Afinal, o Japão é uma ilha, e para o estrangeiro que vem morar aqui, a adaptação não é um processo fácil.

Ao contrário do governo japonês, que esse sim, entendeu que a vinda dos estrangeiros é essencial para o desenvolvimento do país, tanto é que cada vez mais abre-se condições especiais para a obtenção do visto de trabalho. E a vigência da possível liberação do visto para os yonseis está aí para comprovar que o governo japonês tenta de todas as maneiras, dentro do possível, ampliar os horizontes, com maior abertura aos estrangeiros. A resistência a tudo isso, como disse, vem do povo japonês mesmo, que ainda não tem essa conscientização. Penso que, será que não seria o papel do governo japonês, mostrar ao seu povo, os benefícios que a integração dos estrangeiros a sociedade japonesa, pode trazer para o país?

Falo tudo isso com muito conhecimento de causa, pois tenho convivido com executivos japoneses, e presenciei algumas atitudes onde fica bem claro que, os executivos dessa empresa “ajudam” os brasileiros que vivem no Japão, para que tenham um bom retorno ao Brasil, e não há interesse nenhum por parte dessa empresa, que os brasileiros se integrem a sociedade japonesa, pois uma vez integrada, a possibilidade do retorno ao Brasil fica cada vez mais remota.

Uma ideia totalmente separatista, mas que quando parei para analisar a situação, e todo o contexto, achei as respostas para todas as minhas perguntas. É exatamente assim que a maioria do povo japonês pensa. Por isso ainda acho que não adianta apenas trabalharmos com os brasileiros que vivem aqui, tentando conscientiza-los que há a necessidade do aprendizado do idioma e da cultura, sim, isso também é importante, mas também acho importante a conscientização dos japoneses para o convívio com os estrangeiros.

Acho que o povo brasileiro tem muito o que ensinar para os japoneses sim, e vice e versa. As comemorações dos 110 anos da imigração japonesa no Brasil já estão para começar, por que não celebrar essa data, mostrando os japoneses como foi importante essa integração, e que o inverso também pode acontecer e ser muito válido!

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 20 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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