ERIKA TAMURA: Consulado Itinerante de Isesaki

 

No último dia 15 deste mês, participei do Consulado Itinerante de Isesaki em Gunma. O consulado contabilizou a presença de cerca de 700 brasileiros no local. Um número bastante significativo, e baseado nisso, pode-se comprovar a importância da realização do itinerante.

Isesaki é uma cidade na província de Gunma, e que tem uma grande concentração de brasileiros, por isso a ideia de se levar o atendimento consular até lá. E por ser um pouco distante de Tóquio, é uma chance dos brasileiros requererem documentações pendentes sem precisar perder o dia indo para a capital japonesa.

O mais interessante é que o cônsul brasileiro da jurisdição de Tóquio, ministro Marco Farani, implementou um sistema de dinamização e aproveitamento do tempo, para as pessoas que forem ao itinerante em busca de serviços consulares. Enquanto se espera a chamada da senha, os brasileiros têm acesso à consultas sobre leis trabalhistas, assistência médica e psicológica, cursos grátis de comércio digital, além das palestras com temas variados, que vão desde divulgação das NPOs atuantes, como informações úteis à comunidade. No caso de Isesaki, os palestrantes foram: Claudenir da Silva Oliveira – Gerente Geral do Banco do Brasil, Masahiko Kurita – Anbec, Vinícius Akimoto – NPO ICS, Tatsuya Tomita – Polícia de Isesaki, Ana Elisa – presidente da SABJA, Shinji Mogi – Representante do Conselho de Cidadãos, Erika Tamura – Prepara Cursos e Edna Notomi – Associação Internacional de Nagano. Como dá para perceber, foram assuntos variados mas com informações de suma importância para a comunidade.

O que eu percebi, que apesar de todos os palestrantes terem sempre algo a acrescentar para o desenvolvimento da comunidade, a maioria do público presente não se mostrou nem um pouco interessado nas dicas que foram ditas durante as palestras. E isso foi o tema da palestra de Shinji Mogi, que preparou uma apresentação em power point para mostrar o trabalho do Conselho de Cidadãos, mas na hora desistiu e disse o que estava acontecendo no momento, Mogi ressaltou que todos os palestrantes que ali estavam, foram voluntariamente, sem ganhar nenhum centavo e detalhe; num sábado de folga com o dia lindo lá fora, e o público presente totalmente alheio às palestras.

Eu fui uma das palestrantes, falei sobre a importância da qualificação da mão de obra e com isso apresentar um novo projeto de cursos profissionalizantes.

A psicóloga Carla Barros e a empresaria Aline Higa, divulgaram no itinerante um ciclo de palestras voltada à educação dos filhos no Japão e seus desafios.

O atendimento médico ficou por conta do Dr. George Ito, o atendimento psicológico com a Flávia Dalmazo e a consultoria de direitos trabalhistas com Cristina Iwai. Frederico Togo foi o responsável pelo workshop sobre criação de sites e aplicativos comerciais. Tudo isso gratuitamente!

Vamos ver o Consulado Itinerante com outros olhos, o intuito é prestar serviços consulares sim, mas por que não aproveitar o tempo de espera e fazer uma consulta médica? Ou participar do workshop? Ou dar uma escutada na palestra com dicas sobre bolsas de estudos nas universidades japonesas? São informações que podem mudar a vida das pessoas, e dicas que muitas vezes temos que pagar para ter. Mas está tudo ali, gratuitamente, ao alcance de todos! Então se o governo brasileiro está disponibilizando de tais serviços, vamos usá-los! E da melhor maneira possível!

Porque ficar reclamando do governo é muito fácil, mas aproveitar as oportunidades que o consulado está jogando no colo da comunidade, são poucos os que conseguem.

 

 

Erika Tamura

nasceu em Araçatuba e há 15 anos mora no Japão, onde trabalha com desenvolvimento de criação. E-mail: erikasumida@hotmail.com

 

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One Comment

  1. Seria melhor o consulado cancelar essas palestras e passar filmes ou videos de lutas tipo MMA que é bem a cara dos dekasseguis. Ou fazer um churrasco lá fora no Kominkan, ou melhor trazer empreiteiras para recrutar gente.
    Não adianta insistir nessas palestras, já que o dekassegui tipico agora é o da classe C , D ou seja culturamente limitado.

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