ERIKA TAMURA: Dólar a R$ 3,00

Eu não sou nenhuma economista, nem uma especialista financeira, mas com a minha experiência no Japão, posso dizer que o dólar a 3 reais traz algumas mudanças de atitude nos cenários nipo brasileiros.

Conversei com o cônsul do Japão em São Paulo, e ele me disse que a expectativa para a emissão de vistos de trabalho para brasileiros é que aumente em torno de 30%, e com o dólar em alta o salário no Japão toma proporções maiores.

A impressão que eu tenho vivendo no Brasil é que com o dólar passando a casa dos 3 reais, a população brasileira perde o seu poder de compra, e a sensação de empobrecimento do povo brasileiro parece me gritante. As viagens internacionais tornam-se um sonho distante, os produtos importados de qualidade ficam cada vez mais inacessíveis, e a consequência disso é o povo ter que baixar o padrão de vida.

O Brasil é um país que desafia os mais experts em economia, agora imagina a minha cabeça em tentar entender toda essa oscilação econômica no qual o Brasil tem se submetido ao longo do tempo.

Eu não sei se o preço do dólar influencia tanto assim no nosso dia a dia, mas a verdade é que relacionei os altos e baixos da minha própria economia, com o mercado cambial, por exemplo; quando eu estava no Japão, o dólar no Brasil chegou a 4 reais, era a hora de ganhar dinheiro e mandar para o Brasil e assim lucrar na conversão, mas a verdade é que o Japão já não oferecia as mesmas condições para que se guarde um grande montante como no início do movimento dekassegui, portanto era um dinheiro suado!

A realidade atual, é que com o dólar a 3 reais, quem estava pensando em ir trabalhar no Japão, acabe optando em ir imediatamente, pois o Brasil está economicamente estranho, mas como disse, não sou profissional do mercado financeiro, mas percebo o quão difícil é viver no Brasil com um salário médio.

O custo de vida no Brasil está tão ou mais caro que no Japão, que sempre foi visto como um dos lugares mais caros do mundo para se viver. E eu digo seguramente, gasto muito mais nas compras de supermercado no Brasil do que no Japão.

O preço da gasolina então é um caso a parte, não consigo entender como o Japão consegue vender a gasolina mais barata que no Brasil, sendo que o Japão não é produtor de petróleo, não possui refinaria, não produz nada de combustível.

A verdade é que se o aumento no número da ida de brasileiros para o Japão a trabalho já era prevista, hoje já vejo uma movimentação quase que certa, pois o Japão passa por um momento de grandes ofertas de mão de obra e o Brasil está a beira de uma crise (se é que já não está).

Muitas pessoas me abordam para pedir a minha opinião, entre Brasil e Japão, me perguntam qual dos dois eu prefiro. E eu respondo que eu, particularmente, amo o Brasil, sou brasileira, mas não me sinto a vontade no Brasil, em contrapartida, sinto-me muito bem no Japão, é minha casa. Mas isso não significa que o meu conselho seja que largue tudo no Brasil e vá para o Japão. Tudo tem que ser analisado, e minuciosamente avaliado. São ônus e bônus a serem colocados na balança, mas no balanço geral, percebi que muitos estão propensos a irem para o Japão e aproveitarem essa alta do dólar para trabalhar.

A dica que eu dou e o grande lance de tudo isso, é a chance de aumentar o poder de compra e assim, investir no Brasil. Participei de uma reunião com um empresário de uma construtora de Araçatuba, e percebi a viabilidade de grandes investimentos dos dekasseguis que estão no Japão, e o aumento do seu poder aquisitivo pelo simples fato do dólar passar a casa dos 3 reais.

Não vejo melhor oportunidade para crescer, e se precisar arriscar, por que não? Quem der o primeiro passo, já não estará mais no mesmo lugar.

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 18 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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