ERIKA TAMURA: Eleições no Japão

Não é só o Brasil que passa por turbulências políticas, o Japão também está num período decisivo.

O primeiro ministro japonês, Shinzo Abe, convocou novas eleições, que acontecerão no dia 22 de outubro.

Como o sistema aqui no Japão é parlamentarista, a eleição será para deputado, e só depois é que será escolhido o primeiro ministro do Japão.

Quem acha que o Abe fez isso por estar cansado e sentindo-se desfavorecido, enganou-se. O atual premiê japonês, sentindo que a oposição está enfraquecida, decidiu por uma jogada de mestre numa hora em que a sua posição está sendo muito exigida.

A aparência de cansaço do Abe nesses últimos tempos, não é a toa. Foram várias explicações que ele teve que dar para a denúncia de favorecimento do seu amigo, na construção de uma creche em Osaka, sem contar as constantes ameaças que o Japão vem sofrendo pela Coréia do Norte, e tantos outros problemas a serem resolvidos no cargo em que ocupa.

Com um discurso em que subentende-se o seu próprio esgotamento, e um desânimo geral, Abe convocou novas eleições.  Achou porém que estava muito tranquilo com uma possível reeleição garantida, achou que não teria uma oposição forte em que pudesse lhe dar trabalho e assim, ele faria mais uma reforma ministerial. Puro engano…

Eis que do lado de fora, surge uma concorrente inesperada: Yuriko Koike, a governadora de Tóquio.

Quando eu ouvi o discurso da Koike na TV, até levei um susto e pensei:  “não estou entendendo direito” , mas é verdade, ela que era uma aliada do Abe, hoje é a principal rival.

Koike está sendo vista pelo partido do Abe como a traidora que, criou um novo partido, fez algumas coligações, e hoje está tentando derrubar o seu antigo colega.

Como podem ver, política é igual em qualquer lugar do mundo. Não pensem que só no Brasil é que existe problema, aqui também tem. Pode ser em nível diferente, ou em menor proporção, mas existe.

O problema maior é que quando se concentra muito poder nas mãos de uma pessoa, isso pode corrompe-lo e é tentador. Muitas vezes, o poder atrai mais que o dinheiro em si. E isso é perigoso!

Eu enxergo tudo isso que está acontecendo com a governadora de Tóquio, da seguinte forma: ela está deslumbrada com o poder. Tornou-se a primeira mulher a governar Tóquio, e agora está buscando o título de primeira mulher a ser primeira ministra do Japão. Eu como mulher, acho ótimo! Ainda mais no Japão, um país altamente machista e ainda muito atrasado no desenvolvimento humano, mas não posso negar que até agora não entendi o governo da Koike, que na minha opinião, ainda não mostrou a que veio.

Recebo muitas críticas, sobre os temas que escrevo, afinal, quem sou eu para dar palpite sobre a economia do Japão, não é mesmo? Exatamente, não sou ninguém, mas já que tenho uma coluna no jornal, faço questão de narrar o meu ponto de vista, não sou cega e estou vendo o que está acontecendo.

Hoje, andando pelas ruas de Tóquio, qualquer ignorante perceberia que estamos em época de campanha eleitoral. Vi vários candidatos discursando e panfletando em frente as estações do metrô. Por curiosidade, parei e fiquei observando. Pelo discurso, logo percebi que era posição do Abe, e é um discurso tão infantil, que me pergunto se os japoneses são tão inocentes a ponto de escutar tudo aquilo. Não, acho que não. Tanto é que ninguém estava ouvindo, só eu parei para prestar atenção.

Como o povo japonês não tem a obrigatoriedade de votar nas eleições, a maioria parece não se interessar pelo assunto. Com o voto facultativo, perde-se em quantidade, mas ganha-se em qualidade.

Sabe aquela frase: “Cada povo tem o governante que merece”? Pois, ela realmente faz sentido. No Brasil, a obrigação do voto, faz com que a maioria, por bem ou por mal, tenha uma noção sobre política. Acho os jovens japoneses um pouco alienados quando o assunto é política. E se for pensar no âmbito internacional então, sabe-se menos ainda. Portanto, toda a jagunça generalizada existe um por quê,  e na minha opinião, só ocorre porque o povo permite.

Conversei com a minha filha e disse para que, sempre mantenha-se informada. É a informação que fará com que ela se defenda, se posicione e tenha argumentos para defender o seu posicionamento, em qualquer área. Mas na política mundial principalmente. A informação e o conhecimento são armas para que um povo não seja feito de idiota. A partir do momento em que se tem acesso as informações e aos esclarecimentos, nenhum governante terá condições de enganar o seu povo, e sim trabalhará para o seu povo, como deveria ser.

Essa convocação de novas eleições pelo ministro Abe, pode alongar as decisões do visto de yonsei, que tanto interessa para alguns que estão no aguardo no Brasil.

Vamos aguardar o desenrolar dos acontecimentos políticos, tanto no Brasil como no Japão. Espero voltar em breve com notícias utópicas, esse é o meu sonho!

 

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 20 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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