ERIKA TAMURA: Fim das campanhas políticas, mas não da consciência política

Chegamos a mais um fim de eleições presidenciais, e esse com certeza, foi uma das mais acirradas por qual eu me lembre que o Brasil passou.

Independente do resultado, ficou claro que o interesse político do povo aumentou veementemente. Aumentou em alguns casos, a tal ponto de cegar ao fanatismo.

Que tipo de democracia é essa, que se detém ao racismo, á violência, ao ódio?

Realmente fiquei assustada com a manifestação de algumas pessoas que usaram as redes sociais para desabafarem. Tudo bem que cada um pode postar o que quiser dentro da sua própria página, mas eu acreditava muito que o respeito fosse predominar, coisa que não aconteceu.

Vou falar por mim, apoiei um candidato e o meu melhor amigo, apoiou outro, mas nem por isso saímos brigando e nem colocamos a nossa amizade em segundo plano. Muito pelo contrário, priorizamos tanto a nossa amizade que a preferência política tornou-se pontos de vistas a serem defendidos, o que se torna enriquecedor por ambas as partes.

Fico imaginando, naquela época de eleição presidencial, onde concorreram Lula e Collor, conheci vários amigos que acabaram brigando e se afastando um do outro, simplesmente porque tinham escolhas diferentes. E hoje, vejam só, o Collor apoiando a Dilma, no mesmo palanque que o Lula…

Me pergunto, será que valeu mesmo a pena terminar uma amizade?

É o que falo para os meus amigos, cada um tem o direito de defender o seu próprio ponto de vista, respeitarei, desde que respeitem o meu. E isso é a democracia.

Vamos parar com essa ideia separatista, de que o Brasil tem que ser dividido em dois. Começou como brincadeira, mas tem pessoas que não sabem o limite da brincadeira e acaba levando a sério, e isso pode ser perigoso.

Se a maioria escolheu a reeleição da Dilma, isso tem que ser respeitado! Afinal, fala-se tanto em democracia, direito de voto e liberdade de escolha. Então foi isso que aconteceu, quem não concorda com o resultado pode manifestar-se sim, mas de uma forma legal, sem ofensas discriminatórias, sem palavras de baixo calão, sem baixar o nível. Por favor…

É de se assustar, as manifestações de revoltas por causa do resultado eleitoral. Eu também não concordei, mas acho que o Brasil tem que se unir e acabar com essa ideia de que os nordestinos são pessoas sem cultura, isso não existe!

A disputa foi super acirrada, sim. Mas o momento não é de divisão, pois é agora que o povo tem que se unir para cobrar do governo, tudo aquilo que foi prometido em campanha, independente de quem foi o seu voto. O Brasil é um só, por que não podemos fazer como no Japão? Onde a cada crise, a união do povo faz toda a diferença.

Na minha opinião, impeachment não é a melhor solução. O povo brasileiro tem que aprender a arcar com as consequências de sua própria escolha. E assim dar valor ao voto.

Escrevi vários artigos falando sobre o voto consciente, e espero realmente que o resultado dessa eleição tenha sido embasado no voto consciente de cada cidadão.

O saldo positivo dessa eleição é que nunca vi tanto interesse da população em política como agora, as redes sociais foram inundadas com informações, e tirando o lado da violência verbal, psicológica e física, acho que tudo isso é válido, e mostra que política se discute sim, mas com respeito a opinião alheia.

Gostaria muito que a consciência política nos brasileiros fossem mais afloradas, e parece que já está acontecendo, o próximo passo são as atitudes do povo consciente, mas isso vem depois da consciência.

No Japão, a população é um pouco alienada, politicamente falando, mas lá o voto é facultativo, onde se perde em quantidade, mas ganha-se em qualidade. E no Japão, o sistema é parlamentarista, o que difere em muito as procedências de uma eleição como no Brasil.

Mas as leis para os candidatos são super rigorosas, o que qualquer deslize pode comprometer toda a carreira política.

No Brasil, essa eleição provou que o povo decide o futuro do país, por isso a nação tem que ter no mínimo acesso as informações para poder optar pelo melhor.

A democracia foi feita, o futuro estará nas mãos de quem o povo decidiu, agora é fazer o papel de cidadão cobrando os governantes tudo o que foi prometido em campanha, o voto foi apenas o início, para dar continuidade no papel de cidadão é necessário, cobrar, fiscalizar, observar cada ato político de quem foi eleito.

 

 

 

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Erika-Tamura

Erika Tamura

nasceu em Araçatuba e há 15 anos mora no Japão, onde trabalha com desenvolvimento de criação. E-mail: erikasumida@hotmail.com

 

 

 

 

 

 

 

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