ERIKA TAMURA: Fim dos Consulados Itinerantes no Japão

Foi com muita tristeza que recebi a notícia de que os consulados itinerantes no Japão encerraram suas atividades, por ordem do Itamarty.

Consulado Itinerante, é um serviço de apoio, onde o consulado desloca-se para as cidades com grandes concentrações de brasileiros e localizam-se afastados da sede de jurisdição. Facilitando e muito a vida de trabalhadores brasileiros.

Provavelmente, por falta de verba, os “itinerantes”, como costumamos chamar, não serão mais realizados, e isso pode dificultar um pouco a vida dos trabalhadores brasileiros que necessitam de serviços consulares. Afinal o consulado itinerante tem por objetivo, facilitar o acesso dos brasileiros aos serviços consulares, sem a necessidade do deslocamento até o prédio do Consulado, e sem a necessidade de perder o dia de trabalho.

Os Consulados do Brasil no Japão, possuem 3 jurisdições: Tóquio, Hamamatsu e Nagóia. Funcionam de segunda a sexta das 9h as 13h, portanto é um horário que acaba restringindo uma boa parte dos trabalhadores brasileiros.

E os itinerantes até o momento têm funcionado muito bem, posso falar com propriedade sobre o Consulado Geral de Tóquio, no qual pude participar, dando palestras a convite do Cônsul, o Ministro Marco Farani.

Farani, pensou em uma maneira onde dinamizou os atendimentos dos itinerantes, os brasileiros que comparecem podem assistir a um ciclo de palestras enquanto esperam a sua senha ser chamada, e ainda contam com atendimento médico, orientação psicológica e orientação jurídica, mais especificamente sobre leis trabalhistas. Sem contar que em vários lugares, os itinerantes disponibilizou também workshops em diversas áreas, como e-commerce, maquiagem, artesanato, entre outros.

O ciclo de palestras, já escrevi um artigo sobre o assunto anteriormente, mas é muito interessante. Pena que poucas pessoas prestam atenção, mas os palestrantes que ali estão, voluntariamente falam de assuntos que interessam a comunidade, como bolsa de estudos em universidades japonesas, a importância da qualificação da mão de obra, saúde, educação financeira, o futuro dos trabalhadores brasileiros no Japão, e muito mais. Palestras essas que a comunidade tem acesso gratuitamente, com profissionais gabaritados.

Quando tive a oportunidade de dar palestras em algumas cidades, o público presente era em torno de 700 a 1200 pessoas, dependendo da região.

E é triste receber a notícia do fim destes serviços. Quando é um projeto que vemos que não vai bem, e que não faz diferença na vida de ninguém, o fim acaba sendo uma necessidade, mas nesse caso não! Os itinerantes são importantes e ajudam muito a comunidade brasileira no Japão.

Um trabalhador, por exemplo, que queira renovar o seu passaporte e mora em Nagano, terá que perder um ou dois dias de trabalho para poder pegar o trem cedo, viajar por 4 horas ou mais, dar entrada no documento e depois voltar para a sua província.

Outro exemplo: uma família com recém nascido, para registrar o bebê, terá que se deslocar até o consulado de sua jurisdição, se orar perto, tudo bem, mas e se morar bem longe? Por isso muitas famílias demoram a registrar os seus bebês.

Muitos brasileiros, aguardam o dia do consulado itinerante em sua cidade para poder colocar em dia todas as pendênicas consulares, chegando até a acumular documentos para fazer tudo de uma vez só.

Pensei se não existe uma forma de salvar os itinerantes, e com isso manter as facilidades dos serviços a comunidade brasileira. Até o momento, entrei em contato com dois políticos nikkeis atuantes no cenário Brasil-Japão. Tenho certeza que todos são conscientes da importância dos trabalhos dos consulados junto a sua população, e todos estamos empenhados em buscar uma solução para reverter essa decisão do Itamaraty.

 

 

 

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Erika-Tamura

Erika Tamura

nasceu em Araçatuba e há 15 anos mora no Japão, onde trabalha com desenvolvimento de criação. E-mail: erikasumida@hotmail.com

 

 

 

 

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