ERIKA TAMURA: Grand Prix de vôlei masculino 2017

A seleção brasileira masculina de vôlei sagrou-se campeã do Grand Prix 2017, realizado no Japão, durante a semana passada.

A equipe contou com o comando de Renan, como técnico, no lugar de Bernardinho. Uma missão dura, afinal, o currículo do técnico anterior, só faz aumentar a pressão em cima do novo técnico. Mas Renan conseguiu, com o seu jeito e conhecimento no mundo do vôlei, o Brasil conquistou mais um título no Japão.

Mas o meu artigo não é para falar sobre os jogos, não quero fazer da minha coluna uma narrativa esportiva, pois para isso existe o caderno de Esportes dos jornais. Quero contar para os meus leitores, os jogos sob a minha ótica. Como eu vi, os meus pontos de vista, todas as perspectivas e o meu sentimento como torcedora e fã de vôlei.

Quem me conhece sabe que há muito tempo sou fã do Mauricio Lima, ex levantador da seleção brasileira. Na verdade, admiro o Mauricio desde a época em que ele jogou no Banespa. Faz muito tempo… E desde então, tento acompanhar o que eu consigo, por influência quase que fanática da minha mãe, sei quase tudo sobre o universo do vôlei. (Digo quase tudo, pois quem sabe tudo mesmo, é minha mãe).

Pois bem, decidi ir eu e meu irmão, assistir os jogos do vôlei em Osaka. Não pude acompanhar os primeiros jogos em Nagoia, pois eu estava viajando, portanto, comprei os ingressos para os dias 16 e 17 de setembro. Fui para Osaka, e fiquei hospedada no mesmo hotel que a delegação do Brasil, um privilégio!

Já no primeiro momento, encontrei o Renan. Que foi muito simpático, e conversou numa ótima! Depois, reencontrei alguns jogadores que eu já conhecia, como Lucão, Raphael, Lucarelli, Bruninho e Maurício. Conheci outros jogadores: Otávio, Thales, Douglas e Rodriguinho. Todos muito legais e solícitos. No lobby do hotel atenderam todos os fãs presentes. Mas uma cena me chamou a atenção, no hotel estavam hospedados todos os jogadores de todas as seleções participantes do campeonato, por isso a movimentação de fãs era intensa, e nisso, reparei em um grupo de fãs japonesas, que estavam com uma mochila com a estampa da bandeira dos Estados Unidos, camiseta dos Estados Unidos, cartaz com o nome dos jogadores americanos, boné, faixas, enfim, fãs dos jogadores americanos, e quando eles apareceram no lobby do hotel, se recusaram a tirar fotos e a dar autógrafos, simplesmente disseram “Não”.

O Jogo do dia 16, era Brasil x Estados Unidos, o ginásio não estava completamente lotado, mas tinha muito mais japonês do que brasileiros, e fiquei muito incomodada com a torcida dos japoneses para os Estados Unidos. Na hora pensei, o que é isso? Como um súbito veio em minha mente, as imagens que vi no museu da paz em Hiroshima. Será que esses japoneses não têm memória? Eles não lembram da bomba atômica de Hiroshima e Nagasaki, que foi jogada pelos americanos durante a Guerra? Mas enfim, cada assunto no seu quadrado, melhor não misturar esporte com história e educação. Mas que fiquei mal, fiquei sim.

De volta ao hotel, e sabe aquelas fãs japonesas, que foram ignoradas pelos americanos, então, estavam no hotel tintando os brasileiros. Deu vontade de chegar e falar: “Viu só? Além deles serem os melhores do mundo, ainda são super humildes!”. Mas me contive, pois o campeonato ainda não tinha acabado e o jogo do dia seguinte era contra o Japão.

No dia seguinte, o dia começou nublado, ameaçando chover, e ainda com um alerta de tufão… Fui para o lobby do hotel, para conversar com os jogadores, e assim que o Renan passa, ele para, conversa um pouco comigo e segue para o ônibus, vem o jogador Wallace, e eu começo a falar com ele, pois ele jogou em Araçatuba, e para a minha surpresa um funcionário do hotel me trata de forma super grosseira, dizendo que se eu fizesse aquilo novamente, ele me expulsaria do hotel, como assim? Sou hóspede e além do mais eu estava conversando com os jogadores. Nisso aparece o Raphael, levantador da seleção, e me diz: ” Que ridículo, ele não vai te expulsar não, se ele te encher o saco, diga que é minha amiga e ele não pode fazer isso!”. Só para constar o nome do hotel é Osaka Bay Tower e o nome do funcionário é Murata. Decorei bem, visto que o hotel não é barato e o tratamento é péssimo.

Segui para o ginásio, o jogo contra o Japão, seria previsivelmente fácil, se levarmos em conta os dados estatísticos, o Japão não venceu nenhum jogo. Mas o Brasil precisava ganhar do Japão de 3×0 ou no máximo 3×1, pois a Itália tinha ganhado dos Estados Unidos, e portanto, ainda tinha chance de ser campeã do torneio, caso o Brasil perdesse para o Japão, ou se fosse para o tie break. Em se tratando do Japão, tudo é possível, pensei.

Mas o jogo foi fácil, o Brasil ganhou de 3×0. Oba! Somos campeões!

Não sei porque exatamente, mas eu estava extremamente feliz! Acho que devido ao episódio desagradável, mais cedo no hotel, ganhar o campeonato em cima do Japão, e no país deles, deu um rostinho sensacional!! Ao menos para mim.

E por um desses milagres que eu chamo de privilégio, sorte, destino, sei lá… Eu estava com uma credencial VIP, graças a intervenção do meu namorado, eu consegui realizar um sonho! Comemorar esse título dentro da quadra, junto com a equipe brasileira.

Foi intenso, foi incrível!! Algo indescritível…

Eu estava emocionada, pois nem nos meus melhores sonhos, achei que isso poderia acontecer. E aconteceu…

Mais uma história que poderei contar para os meus netos, e o melhor de tudo é poder dizer, eu estava lá!

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 20 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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