ERIKA TAMURA: Hanamatsuri

Há mais de 3 mil anos atrás, nas proximidades do monte Himalaia na India, vivia o rei Sudhowana e a rainha Maya. E, apesar de serem casados há muito tempo, não tinham filhos.

Eis que em uma noite, a rainha sonha que um elefante branco entrava em seu corpo, e ao acordar, descobre que está grávida. Assim nasce Sidarta Guantama, que mais tarde viria a ser conhecido
como Buda.
No Japão, esse dia é conhecido por Festa das Flores ou simplesmente Hanamatsuri. Ocasião de grande festividade, em que, num altar decorado com fIores, a imagem do Buda Menino é devidamente instalado. Aqueles que pretendem homenageá-lo, dirigem-se até o altar, e numa concha recolhem chá adocicado que é derramado sobre a cabeça do Buda.
E foi com essa cerimônia, que comemoramos o nascimento de Buda, no domingo passado, dia 16 de abril, no Templo Noroeste Honganji em Araçatuba.
O reverendo Inoue Josuke, conduziu a cerimônia, que contou com a presença da comunidade nikkey, e a participação das crianças.
Coincidentemente, o hanamatsuri em Araçatuba, se deu na mesma data da Páscoa. Essa diversidade religiosa do Brasil, me agrada. Somente no Brasil, temos um povo com tolerância religiosa, longe dos conflitos mundiais que temos visto por aí.
Quando me dei conta que no mesmo dia, comemorávamos o renascimento de Cristo e o aniversário de Buda, fiquei feliz imaginando a festa que estava acontecendo no céu.
E as palavras do reverendo Inoue, caíram como uma luva nessa data. Pois ele dizia sobre a importância em se manter as tradições. Acho que podemos levar essas palavras do reverendo, para um contexto mais amplo, onde deveríamos dar mais importância aos significados das datas em si, e não somente no seu lado comercial, ou valorizando apenas o fato da data ser feriado. Feriado do que? Já pararam para pensar?
Eu agradeço a Deus todos os dias por ter nascido no Brasil, pois assim eu consegui ter um conhecimento e uma visão geral religiosa, que somente os brasileiros têm a oportunidade de conhecer.
Acima de tudo, somos um povo cristão. Mas o fato de ser cristão não me impede de participar da cerimônia de aniversário de Buda e me sentir purificada; assim como fui para a mesquita do sheik Zahyed em Abu Dhabi e me emocionei ao ouvir o alcorão, sem ao menos entender uma palavra. Me sinto revigorada ao ir ao centro espírita, e também caí de joelhos e me emocionei ao entrar no Vaticano.
Aposto que não sou a única a sentir tudo isso, nas mais diversas religiões. O que me importa é ser espiritualizada, ter uma corrente vibratória benéfica, e ainda assim, ter discernimento para saber o que me faz bem.
Tudo isso me faz pensar, o quão privilegiados nós brasileiros, somos. Temos diversidade religiosa e paz no coração.
Como diz o reverendo Inoue, hanamatsuri é o festival das flores, onde no altar florido está o pequeno Buda, e ao banhar o Buda, estamos banhando a nós próprios.

Assim, purificamos o nosso coração e podemos avaliar a nossa conduta perante a vida. Para que a tradição tenha continuidade é necessário o interesse do povo e a presença de adultos e crianças, pois só assim poderemos continuar a sermos privilegiados no conhecimento e desenvolvimento espiritual.

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 18 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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