ERIKA TAMURA: Japão, excelência em segurança

Semana passada, eu estava na estação de Shinjuku em Tóquio, voltando para casa depois do trabalho. Entre um trem e outro, parei para tomar um café…

Tudo muito normal, estação lotada, cafeteria lotada, pessoas apressadas, aquela bagunça organizadíssima que é a capital japonesa. Estou sentada, tomando meu café, ao meu lado senta um menino de aproximadamente 8 anos de idade, com uma mochila nas costas, uma sacola com o casaco, e um prato com 2 sanduíches.

Vejo o senhor do outro lado do balcão perguntar ao menino: “Você está sozinho?”, e ele responde que sim. Disse que estava voltando de um passeio com os amigos no parque e como estava com fome, parou para comer. (Detalhe: estamos em época de férias escolar, quer dizer, estávamos, as aulas começaram essa semana).

Eu fiquei pensando baixinho: ” Meu Deus! O menino está sozinho na estação de Shinjuku?”. Para quem não conhece Tóquio, a estação de Shinjuku parece uma cidade de tão grande ela é, existe um conglomerado de lojas, restaurantes, guichês de várias empresas férreas e gente, muita gente, gente para todos os lados! Até hoje não entendo essa estação, parece que cada vez que desço do trem, estou em um lugar diferente. Sempre me perco ali, e o menino estava so-zi-nho!

Aí eu penso, isso é Japão! Essa cena seria impossível no Brasil, infelizmente.

A segurança que esse país oferece é acima do padrão. E morar em um país onde podemos andar tranquilamente para qualquer lugar, sem a preocupação de ser assaltada, e mais ainda, tendo a certeza de que nada vai ocorrer, não há dinheiro no mundo que pague.

Os policiais no Japão tem um problema: falta do que fazer! E com isso, eles “inventam” mais coisas para aumentar a segurança. Ontem me deparei com um policial no prédio onde moro, perguntei se aconteceu algo, e ele me explicou que apenas estava ali para que os moradores preenchessem uma ficha com nome e telefone, para caso acontecer algo, o posto policial do bairro irá ajudar com mais rapidez e eficiência.

Outro dia, estava passeando com um grupo de amigos, em Tóquio, e vimos uma ação policial, onde um senhor japonês estava sendo abordado pelos policiais, não sei o motivo, mas tinha uns cinco policiais em volta do senhor, e os meus amigos perguntaram: “Por que tanto policial?”, falta do que fazer né… Quando tem uma ocorrência, é um acontecimento.

O Brasil, se tivesse essa segurança, seria o país perfeito! E como seria…

Vocês deixariam o seu filho de 8 anos, pegar o metrô numa estação super movimentada, sozinho, para ele ir brincar com os amigos, no Brasil? Certamente que não! Pelo menos eu não deixaria.

E nesse ponto, só pelo fato de se ter segurança onde mora, ganha-se muito em qualidade de vida.

Sei que se meu filho quiser sair aqui no Japão, sozinho e voltar tarde, não vou me preocupar com a sua segurança. Claro que mãe se preocupa, a gente sempre vai ligar para saber onde está, com quem está, que horas volta, mas o coração estará mais tranquilo, se o lugar for seguro.

Uma vez, o humorista Gus Fernandes, em uma de suas vindas ao Japão, fez até uma piada sobre esse sentimento de segurança que tem no Japão. Ele disse: ” Esqueci meu celular no restaurante, quando voltei para busca-lo ele estava até atualizado…”. É isso, podemos confiar na honestidade alheia.

No Brasil, temos que desconfiar até da própria sombra. E andar com a antena ligada no máximo.

Claro que o Japão tem o seu índice de criminalidade, mas nada que se compare com o Brasil. N˜åo estou dizendo que aqui no Japão reina a paz absoluta, mas é quase. Até mesmo no meio do caos, existe organização. E eu amo isso!

Ah, e o menino da estação, do começo desse texto? Enquanto ele comia o lanche, a mãe ligou no celular dele, para saber onde ele estava, ele foi de uma educação com a mãe, que fiquei encantada. Primeiro ele pediu desculpas, por estar atrasado, mas ele parou para comer pois estava com fome, usou o dinheiro que a mãe deu só para comprar os lanches, não comprou bebida, estava bebendo água que a cafeteria dispõe gratuitamente aos clientes, e que estava levando o troco para devolver `a mãe. Por fim, pediu desculpas mais uma vez, e que logo estaria de volta.

Quando desligou o celular, ele estava todo sujo de maionese, eu dei um lenço e o ajudei limpar. Ele me agradeceu, me falou tchau e foi embora.

E eu? Agradeci a Deus pela oportunidade de poder morar nesse país.

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 20 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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