ERIKA TAMURA: Japoneses que ajudam a comunidade brasileira no Japão

Trabalhando na ONG, conheci japoneses que doam o tempo e o conhecimento que tem para ajudar os brasileiros que vivem no Japão.

A ONG SABJA, conta com 3 diretores e um auditor japoneses, todos os quatro são aposentados de grandes empresas e possuem alguma ligação afetiva com o Brasil. Desses quatro diretores, três falam português fluentemente pois já moraram no Brasil, e gostam tanto do nosso país que decidiram trabalhar voluntariamente em prol dos brasileiros que vivem no Japão.

A cada conversa fica mais claro e evidente para mim que a ONG SABJA sem se mantém ativa por conta da competência desses diretores japoneses, afinal eles colocam a disposição os seus conhecimentos e contatos para buscarem uma igualdade social e qualitativa para a comunidade brasileira.

Mais uma vez vou dizer, o brasileiro que vive no Japão não tem o direito de reclamar de nada. Pois ao invés de reclamar poderia agir, fazendo algo para beneficiar o bem estar comum, enquanto alguns brasileiros reclamam, existe um grupo de voluntários japoneses correndo atrás de informações e ações para poder ajudar os brasileiros, e detalhe: sem esperar nada em troca, apenas pela vontade de ajudar.

E tudo isso é verdade. Eu também achava que isso fosse conversa fiada ou apenas papo político-social, mas depois de conhecer o Sr. Ota, Sr. Shinozuka, Sr. Shibasaki e Sr. Shimizu, comprovei que essas pessoas existem e a intenção real esta amparada no voluntariado.

Vendo tudo isso, eu me sinto um grão de areia, tenho a impressão de que sou a diretora que menos trabalha ali, se compararmos com a dedicação e desempenho, os meus atos ficam aquém dos diretores japoneses. O que eu sinto? Vontade de trabalhar mais, e de poder fazer mais pela comunidade brasileira.

Na verdade, penso que o ideal seria que a ONG não existisse, pois isso significaria que a comunidade brasileira não possui problemas e nem necessidade de ajuda. Mas enquanto houver demanda, quero ajudar.

Hoje fui numa reunião na sede da Nissan, em Yokohama, com o vice presidente Celso Gyotoku, brasileiro. Dá um orgulho danado escrever essa palavra “brasileiro e vice presidente da Nissan”, uma empresa considerada uma super potência, onde o presidente também é brasileiro: Carlos Ghosn. Acho isso incrível, o número 1 e o número 2 de uma das maiores fabricantes de carro no mundo, são brasileiros!

O meu sonho é poder daqui alguns anos, conhecer vários brasileiros exercendo altos cargos, profissionalmente bem sucedidos e saídos dessa nossa comunidade no Japão. Sei que isso é possível, basta apenas um trabalho de conscientização e de acesso as informações. E é isso que os nossos diretores japoneses têm feito, buscando informações, indo atrás de subsídios e achando soluções para que a nossa comunidade brasileira cresça no Japão, cresça muito, a ponto de atingir patamares como Gyotoku. Ou até mesmo serem donos do próprio negócio no Japão.

Não podemos menosprezar esses japoneses que carregam uma bandeira por nós, e ainda sem receberem nada em troca, nem a ajuda de transporte eles recebem, colocando tudo do próprio bolso.

Por isso escrevo esse artigo para que todos saibam o quão sério é essa entidade e quantas pessoas são mobilizadas para que os psicólogos dêem aconselhamentos gratuitamente nos consulados, para que médicos possam dar uma assessoria gratuita por telefone, para que advogados japoneses nos ajudem com informações jurídicas, para que mais alunos brasileiros tenham acesso a bolsa de estudos universitários. Para que tudo isso esteja acessível para os brasileiros, existe uma equipe que trabalha arduamente, e não mede esforços para que os objetivos sejam atingidos.

E esses diretores da ONG SABJA, não buscam reconhecimentos, não trabalham para “se aparecer”, não esperam que alguém diga obrigado para eles, apenas fazem isso por gostarem do Brasil e acharem que o povo brasileiro que vive no Japão merece ter os mesmos direitos que os japoneses e que todos podem desfrutar de uma qualidade de vida melhor, com acesso as ascensões sociais.

Vivemos num mundo onde todos desconfiam de tudo e de todos, onde a raiva toma conta na internet, onde as críticas se sobressaem aos elogios e esquecemos de ver o que realmente importa.

O que eu tenho a dizer para Shimizu san, Shinozuka san, Shibasaki san e Ota san? Apenas muito obrigada! E espero um dia poder chegar no mesmo nível que eles.

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 18 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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    One Comment

    1. Estou emocionada de saber sobre a existência da ONG SABJA, e também do seu trabalho, querida Erika Tamura san, junto aos diretores atuantes!!
      Deus os abençoe MUITO, MUITO!!! E a todos os brasileiros no Japão!!!
      Teruko
      Compartilhando!!!

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