ERIKA TAMURA: Jovens araçatubenses retornados do Japão

Semana passada, a escola de língua japonesa do Nipo de Araçatuba, recebeu a visita de um grupo formado por três japoneses que trabalham na Divisão Internacional de suporte aos estrangeiros nas províncias de Aichi, Gifu e Shizuoka, o grupo contou ainda com uma professora da Unesp de Assis e uma psicóloga de Araçatuba. O intuito da visita é a implantação de um projeto que visa ajudar as crianças e jovens retornados do Japão e que apresentam algum tipo de dificuldade na adaptação.

Achei o projeto interessante, mas volto a falar dele em outro artigo, o que quero focar nesse artigo são realmente os jovens e as crianças que retornaram ao Brasil e que foram entrevistadas pelo grupo, são alunos da escola de língua japonesa do Nipo de Araçatuba, e esses alunos me impressionaram pelo alto nível do idioma japonês e a maturidade apresentada por cada um deles.

Em meio à notícias do aumento de criminalidades dos jovens brasileiros no Japão, conhecer esses jovens e vê-los tão bem criados e encaminhados, me faz acreditar que nem toda a geração está perdida.

Nas palestras em que participo no Japão, onde o tema central gira em torno da educação dos filhos, pude perceber que o desafio em criar o filho no Japão é muito grande, pois é uma realidade totalmente diferente do Brasil, mas mantendo-se as bases estruturais tudo pode ser perfeitamente superado. O exemplo disso são esses jovens entrevistados, todos eles concordam que o retorno ao Brasil e a adaptação foram difíceis, mas que conseguiram superar.

Imagino o quão difícil foi. As inúmeras barreiras enfrentadas diariamente, isso sem contar o choque cultural. Se eu que nasci e cresci no Brasil já sinto isso, imaginem as crianças que mal sabiam o que era o Brasil.

Nós costumamos subestimar as crianças, achando que a adaptação no Brasil é só uma questão de tempo, ou de convivência, mas não é! A adaptação das crianças no Brasil é uma questão de força e garra! É aquela história de que você se torna forte, quando ser forte, é a única alternativa que lhe resta…

É isso que acontece com as crianças e os jovens, foram ao Japão levados pelos pais, ou nasceram no Japão, sem alternativas de escolhas, e retornam ao Brasil pelo mesmo motivo.

Quando perguntou-se aos jovens, quem deles têm vontade de retornar ao Japão, todos ergueram a mão. Isso mostra claramente que apesar de todos os pesares, o Japão faz parte da vida deles. E que eles ainda continuam pensando em japonês antes do português, tanto é que ali, entre eles, o idioma em que conversam é o japonês.

Na minha opinião, esses jovens são privilegiados, pois tiveram a oportunidade de conhecer a cultura japonesa, vivenciando no dia a dia e incorporando para a vida grande parte dela. E ainda têm o diferencial em serem bilíngues. O conhecimento e domínio do japonês os fazem puxar a fila num ramo empregatício ainda pouco concorrido, afinal falar inglês muitos falam, mas dominar o japonês é mais difícil.

Fiquei satisfeita com o que vi, e com certeza vou relatar isso às autoridades brasileiras no Japão, e incluir o exemplo desses jovens em futuras palestras que eu vier a participar no Japão, com temas relacionados à educação.

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 18 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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