ERIKA TAMURA: Juliana Barros, uma araçatubense no Japão

 

Durante essas minhas andanças entre Brasil e Japão, tenho me deparado com histórias incríveis e conhecido pessoas admiráveis. E um dia desses, eis que recebo por internet uma história que me deixou encantada, Carmen Casimiro enviou-me um desabafo de um pai orgulhoso com as conquistas de sua filha.

O pai no caso, Olair Barros. A filha, Juliana Barros. A família de Araçatuba, já havia morado a alguns anos atrás no Japão, e Juliana ainda criança frequentara a escola japonesa.

Juliana hoje está com 25 anos, e como a história dela me chamou a atenção, pedi para conhece-la pessoalmente, liguei e ela prontamente se colocou a minha disposição para uma conversa incrível.

A jovem Juliana Barros, quando frequentou a escola japonesa, sofreu bullying de todos os tipos, pois apesar de ser mestiça (sua mãe é descendente de japoneses), Juliana não possui muitos traços orientais, e foi assim que chamou a atenção de japoneses na escola, tornando-se alvo do ijime, como eles falam no Japão.

O bullying ou ijime, é uma crueldade que acarreta consequências para a família toda, não somente a criança sofre, mas os pais sofrem em dobro, com certeza. Já passei por isso e sei o que estou falando.

E todo esse sofrimento fez com que a família Barros repensassem sobre os objetivos que os levarama até o Japão, e perceberam que a melhor saída seria o retorno ao Brasil, e olhem novamente o que o bullying é capaz, nesse caso uma mudança no destino.

Pois então, o desfecho dessa história não poderia sr mais triunfante! Juliana estudou psicologia, fez trabalhos incríveis como psicóloga e passou num exame super rigoroso da JICA, e ganhou uma bolsa de estudos no Japão!

Quando soube da história, eu me emocionei, e conversando com a Juliana pessoalmente, me arrepiei com os dramas que ela passou e ainda mais com a sua superação. Ela me contou que o Japão a traumatizou a tal ponto que ela bloqueou na mente tudo o que ela aprendeu de japonês, pois não queria se lembrar e nem ter qualquer resquícios do período de sofrimento. Uma frase que ela me disse, ficou gravada em minha mente, onde ela disse que sofreu muito com o bullying na escola sim, mas ela sofria mais em ver os pais dela desesperados por uma solução e consequentemente com o coração despedaçado.

É exatamente isso que o bullying faz, quem o pratica não imagina os danos que isso causa, não somente a pessoa, mas aos pais, mexendo estruturalmente com uma família inteira. Crueldade demais…

E quando eu falo em superação, falo ele todinho em letras maiúsculas, pois hoje Juliana está no Japão, atendendo no Consulado Brasileiro de Hamamatsu, ajudando exatamente os brasileiros com as mesmas dificuldades que ela passou. Isso sim é aquilo que chamo de garra, pois Juliana poderia vltar pro Brasil e carregar essa carga negativa para sempre, mas ao invés disso, ela foi lá, buscou, superou e hoje está aí, num patamar exemplar.

E quais pais não teriam orgulho de uma filha assim, não é mesmo?

Parabéns Juliana, espero ainda comemorar com você cada vitória que ainda vem pela frente.

 

 

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Erika-Tamura

Erika Tamura

nasceu em Araçatuba e há 15 anos mora no Japão, onde trabalha com desenvolvimento de criação. E-mail: erikasumida@hotmail.com

 

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